terça-feira, 12 de junho de 2018

Quando os 'checadores' não checam: alguém tem passe livre para divulgar 'fake news'?


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
A difusão de uma notícia claramente falsa pelo PT mostrou com clareza a importância da checagem de fatos e também dos agentes dessa checagem. Os sites e páginas do PT e do Lula divulgaram aos quatro ventos que o Papa tinha enviado um rosário ao condenado, que teria recebido o mimo em sua cela na Superintendência da Polícia Federal. 


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A "notícia" é um verdadeiro protótipo das chamadas "fake news", que lançaram a imprensa em uma cruzada contra as redes sociais: fatos sabidamente mentirosos, intenção de influenciar uma eleição, atuação de agentes estrangeiros, falsa identidade. Além disso, envolvia um chefe de Estado que é também um líder religioso - ninguém menos que o próprio Papa. Forçoso lembrar que um dos exemplos que legitimam a "caça às bruxas" das "fake news" foi a suposta notícia de que o Papa teria apoiado Trump, apontada como uma das "fake news" que poderiam ter influenciado a eleição norte-americana. Para piorar, não foi divulgada por perfis obscuros, mas sim por um partido e por seu suposto candidato. E repercutida por grandes portais de imprensa sem qualquer verificação, apesar da inverossimilhança. 

Jornalistas sérios desmentiram, e o próprio Vaticano desmentiu, a "notícia". Mas as autodenominadas "agências de checagem", que tomaram para si a responsabilidade de livrar a internet das notícias falsas, não se manifestaram, ao menos até o momento da publicação deste artigo, mesmo o assunto tendo assumido grande relevância, constando, por exemplo, dos "trending topics" do Twitter.  Com contrato com o Facebook para proteger os usuários das redes sociais contra a disseminação de mentiras com potencial de influenciar uma eleição, as agências de "fact-checking" se calaram a respeito da mentira divulgada pelo PT. É de se supor que as páginas que divulgaram a notícia falsa não sofrerão qualquer redução em seu alcance nem tampouco serão removidas pela rede social.  

Absolutamente necessário, portanto, questionar os critérios utilizados por essas agências para decidir quais notícias falsas pretendem deixar de verificar, assim como questionar o auto-anunciado "apartidarismo" dessas agências. 

ATUALIZAÇÃO: Após a publicação deste artigo, uma das agências com contrato com o Facebook publicou uma verificação da notícia, que foi classificada como "falsa". 

ATUALIZAÇÃO 2: Cerca de uma hora depois da primeira agência, a outra agência que mantém contrato com o Facebook também classificou a notícia como "falsa". Nenhuma das agências incluiu o Partido dos Trabalhadores entre os divulgadores da notícia falsa.

ATUALIZAÇÃO 3: Uma das agências voltou atrás e retirou o selo de "falsa" da notícia, por não haver um esclarecimento oficial por parte do Papa.

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