quinta-feira, 9 de junho de 2016

Falta do 'efeito luz na barata' é esperança do PT para salvar Dilma de impeachment


Imagem: Reprodução
Com o "resfriamento" da mobilização popular e um sentimento de "já ganhou" a respeito do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, surge, no fim do túnel, uma esperança para o PT: virar o jogo com base na ausência do efeito "luz na barata".

É notável e sempre digno de comparações com a sociedade humana como as baratas "fogem" e se escondem no acender das luzes. "Esses sujeitos são como baratas. É só acender a luz que eles fogem. Apaga a luz, eles voltam", dizia meu avô sobre contrabandistas e "trombadinhas" nos centros das grandes cidades, os quais se dispersavam rapidamente na presença de guardas civis e policiais. 

Tal observação é recorrente: basta que se disponibilize mecanismos de fiscalização para que os propensos a atentar contra a lei e a sociedade se dispersem. Tão logo policiais e fiscais se distanciam, retornam toda sorte de infratores. Com o impeachment de Dilma, não foi diferente.

Sites apontando deputados e senadores indecisos, pressões nas redes sociais dos mesmos, telefonemas, mensagens via Whatsapp, pressão por parte de eleitores das respectivas regiões, notícias na imprensa, manifestações de movimentos e outras ações "acenderam a luz" e fizeram com que o velho "jogo sujo" da política brasileira precisasse se esconder. Mesmo notórios corruptos e aliados contumazes do PT foram obrigados a dar o braço a torcer por receio de "suicídio político" que poderia ser ocasionado por sua imagem estampada, em todos os cantos, como aquele que votou "contra o impeachment".

Entretanto, com o resfriamento das mobilizações e, ao mesmo tempo, a construção de um discurso de que o Governo Temer seria "golpista" e "tão corrupto quanto o PT", emerge a esperança, no partido, de convencer os senadores indecisos - assim como os "sempre abertos a negociações", parcela essa que compõe a maioria das casas legislativas - a votar contra o impeachment de Dilma. 

O fato de Dilma afirmar, mesmo que como blefe, em entrevista à Al Jazeera, que não se consegue colocar uma só pessoa nas ruas contra ela nos dias de hoje, é uma evidência do discurso que o PT pretende adotar para convencer senadores (saiba mais clicando aqui: Dilma delira, mente e aponta responsável pelo 'golpe' em entrevista a TV Árabe). Quanto mais distantes no tempo ficam as grandes mobilizações de 15 de março de 2015 e 13 de março de 2016, mais fértil se torna o terreno para mentiras escabrosas como essa - para impedir isso, a presença em massa da população nos já agendados protestos de 31 de julho é fundamental.

Não se esqueça, também, o roubo bilionário do PT nas estatais - grande parte ainda não devolvido, o que pode ser utilizado para comprar parlamentares em massa (sugestão de leitura: Ministro Gilmar Mendes estima que PT roubou R$2 bilhões para eleger presidentes até 2038).

A população deve ser alertada de que "luzes apagadas", comodismo e vitórias cantadas antes do tempo são receitas certas para a derrota quando se lida com um grupo disposto a tudo - não esqueçamos de Waldir Maranhão - para não sair do poder. Somente o retorno da mobilização popular em massa, com todos os efeitos de fiscalização e pressão possíveis, poderá reverter este quadro. E a hora do "retorno à guerra" é agora - a primeira batalha só será terminantemente ganha quando Dilma for afastada definitivamente do poder.

Ernani Fernandes

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