segunda-feira, 29 de junho de 2015

O otimismo conservador: amor e esperança


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Quem acompanha a opinião de conservadores, costuma ver declarações bastante pessimistas. Alguns enumeram uma lista de tragédias que acometem o país e o mundo, e terminam dizendo que está tudo perdido ou que só há esperança de alguma alegria após a morte. Têm razão de dizer que existem muitas coisas ruins e trágicas no mundo. Têm também razão de dizer que o paraíso não é possível neste mundo. Porém o mundo não é só tragédia, é possível experimentar uma versão pálida do paraíso em uma vida virtuosa. Para um ateu que seja conservador, este seja o principal motivador para levar uma vida de virtude, mesmo que não acredite em uma vida após a vida, e se for sensato, provavelmente vai querer estar errado, embora seja honesto e um tanto corajoso de não acreditar em algo só por que esta crença seja agradável.


É comum no meio conservador atribuir ao conservadorismo um certo pessimismo em contraste ao otimismo revolucionário. O revolucionário, muitas vezes, é aquele que acha que pode instalar um paraíso terrestre, aquele que vai substituir nosso mundo por um mundo melhor. O conservador é a favor de melhorar o mundo, mas não de trazer um mundo melhor. A diferença entre melhorar o mundo e trazer um mundo melhor é que a segunda posição pressupõe uma mudança na essência do mundo, como se o revolucionário fosse capaz de mudar a natureza do mundo. A primeira posição, a conservadora, é mais humilde e só quer tornar aquilo que já existe melhor progressivamente, ao invés de acreditar que o mundo pode ser reconstruído totalmente. Esta diferença explica o totalitarismo na mentalidade revolucionária e o respeito à história e a natureza da sociedade do lado conservador.

Apesar deste pessimismo conservador, quase não se fala do lado otimista do conservador. O conservadorismo no ocidente é bastante influenciado pela cultura cristã, e como tal não pode prescindir de duas características fundamentais no cristianismo: amor ao próximo e esperança. Enquanto o revolucionário ama antes a humanidade do que aqueles que estão mais próximos, o conservador faz justamente o oposto. O amor ao próximo pode ser entendido como um esforço para amar primeiro os mais próximos, aquelas pessoas de carne e osso que convivem com o conservador diariamente. 

Primeiro a si próprio, depois a família, depois os amigos mais próximos e assim sucessivamente. O amor do qual falo não significa meramente sentir ou provocar prazer e o amor a si próprio não é apenas narcisismo vazio. O amor é querer o bem de alguém, a felicidade na visão aristotélica, e não que a pessoa esteja apenas experimentando algum tipo de prazer. Querer o bem de alguém significa boa parte das vezes, querer que esta pessoa desenvolva virtudes de modo que possa experimentar um versão bastante pálida do paraíso ainda em vida. Por isto, se amar, como digo, não é auto-ajuda, nem dar uma de Valesca Popozuda e ficar se dando beijinhos no ombro. Se amar é querer desenvolver virtudes para que o próprio sofrimento se torne cada vez menos intenso e menos relevante, virtudes que podem transbordar em ajuda ao próximo.

A esperança para o conservador que seja cristão é algo simples de entender. A esperança é simplesmente acreditar que não existe dificuldade ou problema que seja um mal tão grande que seja insuperável ou pelo menos suportável. Para o catolicismo, esperança é uma virtude teologal que tem um sentido bastante específico, significa de forma simplificada acreditar na vida eterna concedida por Deus. De um modo geral para os cristãos, poderia ser confiar na bondade e poder de Deus de não permitir tragédia que seja insuperável.

Por último, é engraçado que conservadores sejam tão pessimistas. Acho que isso só seja compreensível por um esquecimento da história, esquecimento das grandes tragédias pelas quais a humanidade passou e ainda sim conseguiu superar. As pestes medievais, as grandes guerras, os regimes totalitários e ainda muitos outros exemplos. Vivemos em uma época relativamente segura, e mesmo que viermos a viver grandes tragédias ainda podemos aprender com as antigas gerações como superá-las e continuar sobrevivendo...

"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30:5)

Por Pedro Henrique
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