domingo, 17 de maio de 2015

Uma brevíssima história da militância virtual



De uns tempos para cá, quem está atento ao que acontece nas redes sociais percebe algumas mudanças. Vimos a 'zueira' fincar os pés no terreno virtual, nascendo muitas páginas de sátira, de humor, além do habitual humor que randomicamente aparece até mesmo nos grupos mais sérios do Facebook. Vimos também pequenas mudanças no funcionamento destas redes: uma hora o alcance das páginas diminuia drasticamente, em outros momentos voltava ao normal. Vimos o surgimento de propagandas e a monetização do Facebook. Vimos também as pessoas cada vez mais discutirem sobre política no Facebook.


Pouco tempo depois de começar estas discussões, depois de surgirem páginas e grupos sobre política, começaram as maiores manifestações que vistas até então. Milhares de brasileiros foram as ruas em 2013. Grande parte nunca tinha participado de uma manifestação política e não sabia muito bem como se comportar e o que esperar dela. De repente, a militância esquerdista, com razoável experiência de militância, conseguiu trazer uma multidão, que acreditava que teriam seu turbilhão de desejos políticos atendidos, quando esta militância usava a massa apenas para causas esquerdistas (como o passe livre) ou para destruir e saquear lojas se escondendo atrás do "nobre" ideal de lutar contra o capitalismo, ficando atrás do povo que servia de escudo humano para dificultar as ações da polícia.

Quando esta multidão - que não sabia como se comportar em uma manifestação a ponto de criar cartazes como se fossem posts do Facebook - descobriu que estava sendo enganada se frustrou. Ela se irritou, abandonou as manifestações e tomou nojo da esquerda e de sua manipulação mesquinha. A direita começou a ganhar voz. Ela que estava reduzida a guetos virtuais, tais como os guetos judeus que existiam na Alemanha antes deles serem mandados para campos de concentração, começou a aparecer na mídia, começou a lançar mais e mais páginas, agora cada vez mais populares. Páginas que faziam militância política começaram a se alinhar com esta direita muito mais digna que a esquerda e a direita do passado. A direita cresceu publicamente, cresceu principalmente nas redes sociais que eram o seu gueto, sua casa.

Em um determinado momento, começaram as primeiras experiências de militância da direita. Liberais e conservadores protestavam contra os abusos do governo venezuelano, protestavam contra doutrinação e coerção esquerdista nas universidades, protestavam contra muita coisa errada. Porém, tinham pouquíssima experiência e conseguiam reunir poucas pessoas, mesmo que houvessem muitas outras que concordavam com eles. Com o tempo, esta experiência foi aumentando, e apesar de faltar muito conhecimento e habilidade para militância, a direita militante surgiu e deu seus primeiros passos.

Então a militância de direita recebeu um presente inesperado. Ao preparar uma manifestação contra o PT pelo impeachment de Dilma, viu a maior manifestação da história do Brasil acontecer em 15 de março, com milhões de brasileiros ocupando as ruas. As razões para estas manifestações foram diversas: o estelionato eleitoral praticado pelo PT, o massacre econômico que o partido praticou contra os mais pobres, o descaso com o serviço público, o aumento dos impostos, as tentativas de controle da liberdade de expressão com o marco civil e a censura econômica da mídia, a criação dos maiores esquemas de corrupção e destruição da democracia (que foram o mensalão e o Petrolão), a lista segue indefinidamente. 

Tanto esta manifestação como a que se seguiu no dia 12 de abril, a segunda maior da história, só foram possíveis por causa da gravidade dos problemas e crimes realizados pelo PT e graças ao trabalho incansável da direita cultural, que esclareceu toda a conduta moralmente criminosa deste partido e de suas linhas auxiliares, como o PSoL e os partidos do Foro de São Paulo. Este trabalho levou as pessoas a deixarem de ser a massa de manobra que foi levada às ruas em 2013 pelos engodos esquerdistas para se tornarem brasileiros esclarecidos e verdadeiramente autônomos. Esta autonomia foi desenvolvida pelo trabalho de brasileiros que estavam na direita cultural e também pelo próprio trabalho dos brasileiros que buscaram conhecer sua realidade política saindo do estado de massa de manobra.

Vendo o crescimento da direita, a esquerda começou a reagir. Primeiro começou tentando colar na imagem da direita e dos direitistas rótulos como fascistas, preconceituosos, homofóbicos, racistas etc. Depois surgiram as páginas e os MAVs, membros da 'militância de ambientes virtuais' do PT. Os MAVs nasceram desmoralizados por que surgiram como uma tropa virtual que agride e força o petismo goela abaixo dos brasileiros, como costuma acontecer com toda militância esquerdista. Esta militância intensamente ridicularizada se manteve espalhando falácias na Internet em frequência alucinada com perfis fakes, reais e perfis robô. Mas estas falácias sempre foram facilmente desmontáveis e tentavam vencer os brasileiros pelo cansaço. Não deu certo.

O acúmulo e compartilhamento de conhecimento entre os MAVs, no entanto, permitiu que eles refinassem suas técnicas e táticas. A técnica não era mais apenas repetir mentiras, mas se tornou criar memes, bem criar mentiras elaboradas que exigem muito tempo e esforço para serem completamente desmontadas, e ainda sim seria necessário recuperar o estrago que já tinha sido feito até a mentira ser entendida e desmontada. Esta nova técnica surgiu em época eleitoral e continuou como uma prática nova, um update de velhos robôs, virtuais ou humanos. Outra técnica que surgiu foi a imitação espelhada do argumento e de página de sucesso. A um tempo surgiram diversas páginas com o título 'Eu era x, mas y me curou', sendo x normalmente substituído por esquerdista, comunista, marxista, petista etc e y substituído por zueira, arrumei um emprego, etc.

Alguns exemplos:

Aqui é a democracia defendida pelo Pragmatismo Politico.. http://www.gadoo.com.br/entretenimento/10-coisas-que-fazemos-diariamente-consideradas-ilegais-e-punidas-com-morte-na-coreia-do-norte/
Sabias palavras minha Senhora.https://www.youtube.com/watch?v=86EjOiDdAzE
Com o tempo, MAVs, petistas e esquerdistas no geral começaram a copiar o título destas páginas, substituindo a crítica aos esquerdistas por críticas aos direitistas, como a página a seguir:
Outras técnicas surgiram. Conforme o MAV foi adquirindo experiência e se organizando eles começaram a trazer alguns ganhos para os petistas, mesmo com todas as monstruosidades políticas que estes têm cometido. Uma das vitórias recentes foi emplacar nos tópicos mais populares(Trending topics) do Twitter o #aceitadilmavez. Outras vitórias menores acontecem nos comentários de sites de notícias, onde vez por outra aparecem comentários ridicularizando a oposição com muitas curtidas.

Diante deste cenário cada vez mais positivo para os MAVs petistas, uma coisa preocupante é a postura dos direitistas e oposicionistas. No geral eles tratam com desdém, com orgulho de não serem MAVs, o que de certa forma tem sua virtude, mas também é um vício. É uma virtude, por que os MAVs atualmente representam um esquema gigantesco para fraudar a opinião dos brasileiros. É um vício por que os direitistas que agem assim se escondem em uma superioridade moral para não organizar e criar uma cultura forte de militância entre os direitistas. Este orgulho impede que existam grupos especializados para discutir militância.

Por Pedro Henrique
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