terça-feira, 12 de maio de 2015

Álvaro Dias mostra o que há de pior na política


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Recentemente Lilian Tintori e Mitzy Ledezma, cujos esposos são presos políticos dos tiranos da Venezuela, estiveram no Brasil. Agora parece que já voltaram ao inferno. Sendo assim peço que faça um exercício mental: imagine que Mitzy resolva armar algo para garantir que o esposo de Lilian, Leopoldo Lopez, fique ainda mais tempo na prisão. Imagine também que Mitzy não vai conseguir aliviar a barra de seu marido com isso. Ou seja, aparentemente ela não está tendo muito lucro com tudo isso. Aparentemente, claro. Se essa traição à causa de ambas (lutar pela libertação dos presos políticos) já não fosse uma afronta, imagine que Mitzy resolva ir a um programa de TV ao lado de Nicolas Maduro para assassinar a reputação de Lilian Tintori e Leopoldo Lopez, bem como de vários que haviam apoiado a causa da libertação de presos até o momento.



Caso você estivesse contra a ditadura bolivariana, qual seria a sua reação diante disto? Espero que se você for uma pessoa normal, no mínimo uma fortíssima indignação, pois realmente foram sucessivas traições. O cenário hipotético do caso venezuelano (e felizmente fictício) demonstraria, na figura do traidor, aspectos como indignidade, desonra, ausência completa de valores, dissimulação e uma moralidade no nível “capeta”. Pessoas assim aparentemente são capazes de atrair os outros em seu favor apenas para torná-las mais vulneráveis à traição. Enfim, não dá para descer mais baixo do que isso na política.

Se esta história é fictícia para para Lilian e Mitzy, infelizmente ela é real para a atuação moralmente nojenta de Álvaro Dias para com seus eleitores e todos os que depositam nele alguma confiança. Raramente vimos uma puxada de tapete tão grande. Raramente vimos uma traição de tal dimensão. Raramente vimos tanta arrogância. Raramente vimos tanto desapego pela honra. E não estou nem me referindo à defesa feita por Álvaro Dias a Luiz Fachin antes de hoje.

Existe um marco para Álvaro Dias. Antes e depois de seu discurso monstruoso na sabatina de Luiz Fachin nesta terça, 12/05. Até hoje de manhã, ele já tinha jogado sua reputação no lixo. Coisas como honra e dignidade já tinham ido pro saco. A maioria de seus eleitores já se sentiam traídos. Mas nada se comparou ao que ele fez hoje. Pois ao invés de se mostrar envergonhado com tanta indignidade, Dias partiu para um show alucinado de ofensas e ataques a qualquer um que se opusesse a Luiz Fachin. Como resumir o que ele fez hoje? Simples. Imagine o que foi a campanha do PT contra Aécio Neves. Realizou? Foi este o tom que ele usou contra todos nós, que nos opomos à candidatura de Fachin. Enfim, ele foi para a desconstrução de inimigos (na visão dele, são todos que se opõem a Fachin) no nível do esgoto. Parece até que João Santana escreveu sua peça vergonhosa de ataque.

O jogo sujo de Dias seguiu o seguinte padrão. Se você é contra Fachin, então significa que você partiu “para a irracionalidade, para a ignorância, para a vaidade, para o ódio, para a esquizofrenia política, distante do bom senso, do discernimento e da ponderação”. Se você é contra a associação de Fachin aos ideais do PT e do Foro de São Paulo, então é um “oportunista”. Ele, ao contrário, seria um iluminado que “superou a política”. Logo, seu apoio a Fachin não é político. Mas se você está contra “é por política”. E mais: se você citar a lei que Fachin descumpriu então pratica “contorcionismo jurídico”.

Nenhuma propaganda petista de ataque aos seus oponentes foi tão imunda a este nível. Isto já não é mais desconstrução. Dias assumiu que a partir de agora ele só tem discurso de ódio e difamação a ser lançado contra quem ficar no caminho de Fachin. E como se isso não fosse suficiente, tudo isto com um fingimento digno de assustar o mais frio dos psicopatas. Enquanto ele dá um tapa da cara de qualquer um que já tenha votado ou ao menos confiado nele (por sorte, sempre fiquei na desconfiança precavida), ainda posa de bom moço, com um cinismo bem no estilão Jandira Feghali. Além de tudo, ele é citado como “a oposição em apoio de Fachin” por toda a blogosfera estatal. É a famosa oposição me-engana-que-eu-gosto.

O engraçado é que todo esse potencial de desconstrução misturado com discurso de ódio jamais foi usado pelos tucanos contra o PT. Apanharam feito cachorros na eleição presidencial. E eis que agora, após terem sido surrados na eleição presidencial, vemos Álvaro Dias usar contra as pessoas que estavam do lado dele recursos que nem os petistas tiveram a coragem de usar contra seus oponentes. Foi só agora que aprendeste a misturar desconstrução com discurso de ódio? Onde estava essa habilidade nas eleições? Essa habilidade nunca apareceu para ser usada contra o PT?

O discurso de Álvaro Dias neste 12/5 deve entrar para a história como o pior ponto onde a política pode chegar.
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