quarta-feira, 8 de abril de 2015

O que podemos aprender com o desmantelamento da CUT?


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique 

O fracasso do governo petista não só destrói a popularidade do partido mas também a de qualquer pessoa ou grupo ligado ao petismo, incluindo entidades militantes. A CUT (Central Única dos Trabalhadores), braço da pelegagem petista, tem sido corroída pelo toque de midas invertido do PT: ao invés de transformar tudo que toca em ouro, transforma tudo que toca em lixo. Semana passada, saiu a notícia de que no início do Governo de Dilma, a CUT tinha 38,2% dos trabalhadores sindicalizados filiados à entidade. Hoje esta porcentagem caiu para 33,6%. A queda de popularidade aconteceu por que os trabalhadores cada vez mais percebem que a entidade não representa os seus interesses, mas fazem jogo de cena com governo para abafar qualquer descontentamento dos trabalhadores.

O fato de que a CUT representa apenas os interesses petistas e não dos trabalhadores não é só percebido pela ausência de críticas e de luta por demandas reais dos trabalhadores durante o governo petista. O fato é escancarado por que a ausência de críticas acontece em um dos governos que cortou mais rapidamente benefícios trabalhistas, benefícios estes que eram uma das principais formas propagandas do PT para ganhar votos. Os petistas gritaram a plenos pulmões durante a última campanha eleitoral que quem iria tirar os benefícios eram os candidatos de oposição, mas nunca se viu uma retirada tão violenta e sem se importar com as consequências que haveria para os trabalhadores como neste governo petista. 

Os sindicatos têm se desfiliado da CUT e recorrido a outras centrais sindicais, como a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). Atualmente, das sete centrais reconhecidas oficialmente, cinco surgiram no final do primeiro mandato petista em diante, indicando que os sindicalistas já sabiam do caráter pelego da CUT no início do governo petista. Também por conta desta pelegagem surgiu uma oposição dentro da própria CUT, que provavelmente vai tornar mais difícil criar um discurso coerente para a entidade e levar à saída de mais sindicatos da central sindical.

A UGT (União Geral dos Trabalhadores) é a central sindical que mais ganhou representatividade nos últimos cinco anos. Isto aconteceu por que a UGT se concentra sobre trabalhadores da área de comércio, que tem tido um crescimento maior do que outras áreas da economia, como a indústria. A UGT também tem ligação com uma pluralidade de partidos ao invés ser alinhado com um só, como acontece com a CUT, em relação ao PT, e a Força Sindical, em relação ao Solidariedade. Esta ligação múltipla impede uma tendência da UGT atuar como extensão de um partido e representar melhor os trabalhadores.

Podemos extrair lições muito valiosas deste cenário dos sindicatos. Antes vejamos primeiro o processo que criou este cenário: o PT destrói continuamente a economia, mente descaradamente e ataca o trabalhador criando mudanças violentas. Estes fatos sozinhos, embora muito graves não são suficientes para desencadear uma mudança de percepção em relação ao partido. Para esta mudança, foi necessário o surgimento de uma oposição aguerrida, não a oposição psdbista, mas a oposição das redes sociais e do meio cultural, a oposição não de candidatura, mas uma oposição ideológica: o surgimento da direita na cultura. Esta oposição ideológica, que é radicalmente distinta da oposição partidária que existe no momento, é que tem denunciado todas as mentiras, tramóias, armadilhas mentais e todos os fatos que os petistas e a extrema esquerda não querem nem tocar.

Finalmente, os brasileiros conseguem perceber e entender a destruição petista, entender sua natureza, a destruição da economia e da democracia, e entender sua origem no partido dos trabalhadores. Agora esta compreensão afeta não só a imagem do PT, mas a imagem de todas as franjas do partido, dentre elas a franja sindical, a CUT. A CUT, que late ao comando petista, está perdendo sua credibilidade, então desta insatisfação surgem alternativas. Outras centrais sindicais tentam abocanhar uma parte dos insatisfeitos.

As lições extraídas são:
  1. A política depende de fatos, como a atuação nefasta do PT. 
  2. Fatos não são suficientes, é preciso que alguém faça o trabalho contínuo de ultrapassar as mentiras, trapaças e ocultações, e trazer uma narrativa verdadeira, convincente e relevante. 
  3. Os fatos e narrativas apropriados criam a insatisfação. Esta insatisfação é condição para a mudança, mas esta mudança não é necessariamente do funcionamento do Estado ou da sociedade. Esta mudança não é necessariamente para melhor. Esta mudança é apenas de agentes políticos. Neste texto, tratamos da mudança de centrais sindicais. 
  4. Para haver uma mudança no modo como funciona a sociedade ou o Estado, precisamos ir além dos fatos e além da narrativa: precisamos ter gente disponível para travar o embate por posições políticas. 
É importante que a direita forme líderes políticos para ocupar posições políticas. Talvez seja hora de pensar em um sindicalismo mais à direita e multiplicar alternativas ao sindicalismo, que estejam à direita.

A lição mais importante é a de que se a direita não formar lideranças políticas, vamos ser apenas massa de manobra em disputas por posições políticas entre os esquerdistas.
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