domingo, 19 de abril de 2015

O dia em que a Carta Capital reconhece a força da campanha do impeachment


Imagem: Reprodução das mídias
Por Alexandre Borges

Dezoito de abril de 2015, o dia em que a Carta Capital reconhece a força da campanha do impeachment e a Folha prefere repetir a versão governista de que é "desespero da oposição". As aspas são minhas.

Na mesma capa, a Folha tenta dar ares de notícia ao 'spin' petista sobre o Implicante, usando a velha tática de assassinato de reputações e falsas equivalências que a esquerda é inigualável. o que renderá um processo judicial pelo que diz o Fernando Gouveia. Que se faça justiça.

Quando a Carta Capital parece a VEJA ao lado da Folha é porque o jornal de maior circulação do país está num momento crítico de sua história e precisa ser repensado. É o mesmo jornal que na semana do primeiro turno da eleição presidencial do ano passado disse que Aécio não iria para o segundo turno e depois deu capa para um "pobre" virando as costas para Aécio recusando um cumprimento.

O Brasil tem uma longa tradição de jornais governistas. O caso mais emblemático de todos foi a criação da Última Hora em 1951 por Samuel Wainer. Getúlio Vargas foi eleito em 1950 e usou a máquina do governo e o dinheiro do Banco do Brasil para que o país tivesse como seu principal jornal um veículo alinhado e obediente.

Wainer definiu a Última Hora como um "jornal de oposição à classe dirigente e a favor de um governo", não deixando dúvidas sobre a que veio. De uma hora para outra nascia, do nada, um jornal com o maior e mais moderno parque gráfico do país, colorido (uma novidade para a época), trazendo diversas inovações e um time impressionante de colunistas e jornalistas. Não bastasse tudo isso, ainda era vendido mais barato que os concorrentes e tinha toda publicidade do governo e das estatais.

O que não estava nos planos era que do outro lado estava Carlos Lacerda, dono da Tribuna da Imprensa. Se você não conhece a história da briga de Wainer e Lacerda na primeira metade da década de 50, saiba que o Brasil já foi muito mais interessante que hoje. Voltarei a esse assunto.

O que sobrou da Última Hora foi vendido para a empresa controladora da Folha em 1971. A viúva de Samuel Wainer, Danuza Leão, é colunista do jornal e o neto de Samuel, João Wainer, é o criador e chefe da TV Folha, além do diretor do filme "Junho", patrocinado pela própria Folha sobre as manifestações de 2013. A história sabe mesmo ser irônica.
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