segunda-feira, 27 de abril de 2015

Insatifeitos com o PT: A farsa da elite branca


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique


A máquina de propaganda petista, uma espécie de agitprop do Foro de São Paulo, tem movido mundos e fundos para tentar convencer o público de que os insatisfeitos com o PT são coxinhas da elite branca. O partido tem tentado enfiar esta crença ridícula na cabeça dos brasileiros desde o momento em que a insatisfação com o partido cresceu, lá no início da copa do mundo. Nesta época os brasileiros descobriram que Dilma não está acima de qualquer brasileiro e pode sim ser xingada como qualquer outra pessoa, ainda mais depois de ter destruído milhões de vidas a cada desastre econômico que provocou, desastres friamente calculados para o benefício político do PT. 

Por que calculados? Bem, o calculo é direito e simples: quanto mais o PT joga os brasileiros para serem tragados pelo mar da miséria, miséria criada pelo próprio partido com suas medidas econômicas, mais estes brasileiros dependem dos botes salva-vidas do PT, programas assistencialistas como o bolsa-família. É claro que estes brasileiros atolados na miséria nunca são reembarcados novamente pelo PT, ficando dependentes destes botes e sempre vivendo com o risco de perdê-los caso façam algo que desagrade aos petistas.

Nesta época algumas pessoas diziam em tom de lamento: "Ah, mas não pode xingar a Presidenta (e boa parte certamente colocava o 'a' no final de 'presidente')".Depois de doses cavalares de esclarecimento a respeito do PT, da sua corrupção de proporções titânicas, dos seus crimes contra a democracia, das farsas homéricas de campanha e outras práticas petistas que fariam qualquer pessoa decente corar só de se imaginar realizando-as, hoje em dia dificilmente alguém ainda condenaria o xingamento à presidente. 

Durante certo tempo, porém, pessoas que ainda concordavam com esta condenação viviam uma espécie de delírio político de acreditar que algum político deveria estar acima da liberdade de expressão. Esta crença é obscenamente absurda considerando que os petistas destruíram milhões de vidas a cada canetada que davam, tornando os mais miseráveis eleitores profissionais e mão de obra barata, praticamente escrava, do partido. Basta dar um troco e um sanduiche, e pronto, o PT já tinha seu militante instantâneo.

Claro que este tipo de crença política, que é tão absurda que parece mais um delírio, ainda é muito presente nos discursos petistas e do restante da extrema esquerda. A idéia de que toda e qualquer insatisfação com o PT ou com a esquerda está apenas na elite branca conservadora é um exemplo deste tipo de delírio. Crenças absurdas como estas não ganham proporções epidêmicas sem que sejam aplicadas a uma situação em que pareçam razoáveis. Porém, é a adoção destas crenças para situações gritantemente contraditórias que as tornam absurdas. Não é diferente quando o PT acusa insatisfeitos de 'elite branca' e suas variações colocando 'paulista', 'coxinha', 'eleitor do Aécio', ou troca 'elite' por 'classe média'.

Existem alguns fatos que fazem com que estas acusações tenham alguma credibilidade para apoiadores do PT e parte da mídia. Um destes fatos é antigo: a origem da insatisfação começou na classe média. Antes mesmo das primeiras vaias, do xingamento à Presidente e das palavras de ordem contra o PT, havia o início de um burburinho com críticas iniciadas pela classe média. Acredito que existem algumas explicações razoavelmente simples para esta origem ter seu berço na classe média.

As classes mais baixas não possuem tantos recursos e normalmente não compartilham uma cultura intelectual forte em seus meios sociais. Quem não tem muito dinheiro precisa muitas vezes se preocupar com condições básicas, como moradia, alimentação, saúde, segurança etc. É compreensível que os mais pobres prefiram gastar seu pouco dinheiro com produtos e serviços que estejam ligados a sua sobrevivência imediata ao invés de educação e informação. Por isto, fica mais difícil para as classes mais baixas criarem suas próprias críticas ao PT, ao governo, à sociedade etc. O que acontece é que eles normalmente adotam as críticas elaboradas por outras partes da sociedade na maioria das vezes. Além disto, para quem não tem recursos (marxistas provavelmente falariam em capital), uma forma razoável para subir de nível de riqueza é investir na própria educação. Se os mais pobres transitassem em grupos com uma cultura intelectual forte, provavelmente não continuariam sendo pobres.

As classes mais altas, por sua vez, funcionam com outra dinâmica. Uma parte delas não precisa se preocupar com o Brasil, se algo acontecer. Elas podem ir para outro país e continuar com sua vida. Costumam também ter que usar boa parte do seu tempo aprendendo como investir seu dinheiro, aprendendo sobre o negócio que herdarão de seus pais e conhecer como é a sociedade de outros países. Não é que estas classes tenham dificuldades de acessar informações ou ter uma boa formação, mas se elas querem manter ou mesmo aumentar seu patrimônio, precisam investir boa parte de seus recursos, de tempo e de empenho pessoal para esta manutenção ou aumento. O Brasil também não tem uma cultura que incentive adquirir conhecimento pelo valor intrínseco que ele possa ter, mas só se ele puder ser usado para alguma finalidade. O brasileiro muitas vezes parece pensar por padrões como 'tá vou aprender isto, mas para que eu vou usar?' ou 'posso ganhar dinheiro com isto?'. Boa parte das vezes nem a preocupação com o conhecimento com fins utilitários existe. A busca pelo diploma ou certificado ocorre apenas para beneficiá-lo no mercado de trabalho. Eis a famosa cultura bacharelesca.

A classe média, ao contrário das classes mais baixas, tem recursos para adquirir conhecimento e não precisa se preocupar tanto com a própria sobrevivência; e ao contrário das classes mais altas, não tem uma grande empresa própria, não tem dinheiro para abrir uma, não tem dinheiro para aprender como investir bem seu dinheiro. A classe média não quer o emprego das classes baixas, pois não quer se tornar classe baixa, e não pode ser empresário de grande porte como as pessoas das classes mais altas. O único caminho para a classe média é então se tornar um profissional menos braçal e mais intelectualizado, que tenha como empregadores as classes mais altas. Por isto, não é surpreendente que a classe média, sendo normalmente a classe mais intelectualizada por uma pressão de sua própria situação, tenha originado a insatisfação, pois esta insatisfação surge a partir de idéias novas para a maioria da população, idéias que precisam ser trabalhadas ou adaptadas de outros países. Por estas razões, é a classe média que costuma iniciar as mudanças culturais, sejam mudanças mais à direita ou à esquerda, ou mesmo mudanças que não sejam políticas.

A acusação de ser a elite já é um antigo ranço do pensamento marxista. Marxistas costumam se colocar como defensores dos pobres contra a exploração dos ricos, ou em termos mais antigos, em favor dos proletários contra a exploração da burguesia. É bem verdade que hoje em dia, a esquerda não finge mais ser a favor apenas dos proletários, mas também dos Lumpemproletariados, a camada mais miserável e marginal da sociedade, abaixo dos proletários. De início, os marxistas não viam esta camada como útil à revolução (e como alguns de vocês já devem saber, o que não é útil à revolução tende a virar material a ser descartado pelos marxistas). Atualmente, esta é a principal camada da sociedade que sustenta as ações políticas do PT. É esta camada, cada vez maior devido ao dedo podre dos petistas na economia, que faz a militância paga com lanche e trocados e que passa pela humilhação de serem forçados a votar no partido para não perder um dos seus meios de sobrevivência, o bolsa família.

A acusação de que os insatisfeitos são da elite só funciona (ou funcionava) por contraste: é por que alguém acredita que Lula ou Dilma são o pai e a mãe dos pobres, com programas assistencialistas que na verdade humilham os mais pobres e retiram deles seus direitos políticos, que se acredita que quem protesta contra o PT só pode ser da elite (ou pelo menos um não miserável). A acusação de serem brancos tem credibilidade para a esquerda mais ou menos pelo mesmo motivo. Como a militância do PT é atraída por lanche e uns trocados, costuma haver mais pobres para fazer militância do que a militância anti-PT. Como boa parte dos pobres são negros, existem mais negros na militância petista do que na militância anti-PT. Contudo, a proporção de negros na militância anti-PT não deve ser diferente da proporção REAL de negros na população brasileira, a parcela da população equivalente à categoria de 'pretos' na pesquisa do IBGE. A categoria 'negros' do IBGE soma as populações das categorias 'pretos' (o que no cotidiano chamamos de 'negros') e 'pardos'(mestiços). É baseada nesta fraude nas categorias estatísticas que se acredita que no Brasil metade da população é composta de negros, quando uma parcela consideravelmente menor da população é de fato negra.

Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e honestidade pode perceber que acusações de ser 'eleitor do Aécio', 'classe média' e outras que os petistas costumam falar são patéticas. O que tem de errado em ser 'eleitor do Aécio'? O que tem de errado ser de 'classe média' ou ser 'branco'? Então os petistas só governam para quem votou neles? Esta atitude explica muita coisa. Explica, por exemplo, por que os petistas ameaçam retirar o bolsa família de quem não votou neles. Explica também por que o PT vem, ano após ano, drenando vampirescamente o dinheiro da classe média com impostos extorsivos, sem nenhuma sombra de política voltada a esta classe. Este desprezo por quem não vota no PT tem como base o ódio, o ódio que alimenta a mentalidade de luta de classes.
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