segunda-feira, 27 de abril de 2015

Juristas tucanos agem como... tucanos


Imagem: André Lucas / Estadão Conteúdo
Por Paulo Eneas

Noticiário desta segunda informa que os juristas consultados pelos tucanos afirmam haver embasamento técnico legal para o pedido de impeachment da presidente Dilma. Porém, esses mesmos juristas afirmam que não há condições políticas para o pedido, uma vez que o impeachment é um procedimento mais politico do que jurídico.

Oras, há um verdadeiro non-sense aqui! Em primeiro lugar os juristas foram consultados para dar um parecer jurídico e não fazer avaliação política. E dizer que impeachment é um procedimento mais politico do que jurídico é o mesmo que dizer que o sol vai nascer amanha: qualquer criança sabe disso.

O que parece ter havido na verdade é outra terceirização: a oposição vacilante e insegura terceirizou para juristas a tarefa de dizer aos brasileiros que ela, a oposição, não está disposta a levar adiante o pedido de impeachment. O país vive uma situação perigosa:

a) O governo continua fragilizado politicamente, incapaz de tomar iniciativas tanto na área politica quanto na economia, que se deteriora a cada dia por conta da inação do governo. A presidente da republica continua sendo uma figura de fachada e sem legitimidade politica alguma.

b) O movimento de oposição na sociedade civil, que levou milhões às ruas ate o momento, sofreu um refluxo por erros e inexperiência politica de suas lideranças.

c) A oposição institucional parlamentar, ao não se sentir pressionada pelas ruas, tende a fazer o que ela sempre fez: nada.

d) O PMDB, que exerce o poder politico de fato e governa por "default", já que o PT e Dilma estão nas cordas, na pratica não está interessado em governar, pois ocupa-se somente do xadrez jogado pelo triunvirato Cunha, Calheiros e Temer para ver quem se cacifa mais no partido pelos métodos que só os peemedebistas conhecem bem: a barganha fisiológica na maquina do estado.

Um cenário como esse torna impossível a previsão de qualquer desfecho de curto prazo. Mas o fato é essa situação de vácuo de poder nao pode perdurar e quanto mais ela se arrasta mais aumenta o risco de uma saída que implique em alguma radicalização. É preciso que a sociedade civil volte as ruas para pressionar e exigir a defesa da democracia e uma solução para a crise politica e econômica do país. E a unica solução, que somente pode ser dada pela pressão das ruas, é a saída de Dilma Roussef do poder.
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