quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dos "jornalistas" que ainda não entendem a democracia


Imagem: Agência Brasil
Por Alexandre Borges

Os midiocratas (parei de chamar de jornalistas) agora resolveram achar que se o presidente não exerce seu poder de forma imperial, baixando decretos e ignorando o congresso, é "terceirização do governo" ou "parlamentarismo". Isso é democracia, canalhas!

É por isso que esse pessoal tem tanta dificuldade de condenar o mensalão. No fundo, acham que um congresso comprado e cordato, que está lá apenas para criar um simulacro de sistema republicano com divisão de poderes enquanto na prática carimba sem discutir o que vem do executivo, é o ideal.

Não estou nem aí para as motivações do PMDB ao impor limites ao executivo, assim como não ligo quando duas facções criminosas brigam entre si e os meliantes matam uns aos outros. O que importa é o resultado: um executivo com algum tipo de limite em seus poderes ditatoriais, uma deformação da política brasileira que superou todos os limites no lulismo.

Não entrem na conversa fiada dos amantes do chavismo de pé quebrado do PT e aplaudam toda vez que o Congresso mostrar que tem alguma função institucional que justifique sua existência. O que importa é ter o Congresso falando em alto e bom som o que pensa, é para isso que todos que estão ali foram eleitos. É sempre bom lembrar que deputados e senadores são eleitos tanto quanto presidentes, o que a imprensa muitas vezes esquece.

Enquanto os midiocratas choram que ainda não somos a Venezuela, o Brasil vai dando um jeito de resistir aos pacotaços, ao estelionato eleitoral e à estatização do processo eleitoral. Dane-se o que passa na cabeça ou no coração de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, não tem santo nessa história, mas a quebra, mesmo que momentânea, da cumplicidade entre PT e PMDB, é a melhor notícia política de 2015 até o momento.
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