quinta-feira, 16 de abril de 2015

Como a mídia ilude o povo ao tratar da "crise" de governabilidade do PT


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique

Existem diferenças importantes entre as manifestações de 15 de Março e de 12 de Abril. Uma delas, já bem reforçada pela imprensa, é a de que a manifestação do dia 12 foi menor do que o dia 15 de Março. O que a mídia sugere é que as insatisfações com o governo do PT estariam parando de aumentar e em breve começariam a perder força. Até a "oposição" partidária do PSDB, que só é oposição em época de eleição, já declarou ter sido um erro fazer a manifestação de Abril em tão pouco tempo depois da manifestação de Março (cerca de um mês depois), pois não teria havido tempo para organizar a segunda. Apesar de ser verdadeiro que a manifestação de Abril foi menor, existem explicações muito melhores para esta diminuição do que falta de organização ou diminuição da insatisfação.

Uma destas explicações é a de que um governo muito impopular dificilmente consegue se tornar mais impopular. O governo de Dilma é considerado ótimo e bom por apenas 7% da população e cerca de 2/3 da população quer a saída da presidente. Dificilmente ele poderia ser mais impopular que isso. Provavelmente, este é o governo mais impopular da história, e ainda sim se toma estagnação da impopularidade como indicativo de que o governo está se recuperando dela ao invés de perceber que o governo está chegando ao fundo do poço de impopularidade.

Outra razão para a diminuição no número de pessoas é que o intervalo entre as duas gigantescas manifestações é muito curto, um mês, o que tende desmotivar um pouco as pessoas. Também é difícil superar o próprio recorde em um pouco menos de um mês, ainda mais se considerarmos que a manifestação de Abril tem mais ou menos a mesma quantidade de pessoas que as manifestações de junho de 2013 no seu auge, aquelas que eram consideradas as maiores até março deste ano. Só estas razões são suficientes para demonstrar que, ao contrário de haver enfraquecimento na embrionária verdadeira oposição, ela se mostra mais forte do que nunca com a sequência das duas maiores manifestações da história.

Existe também um outro provável motivo para menos pessoas terem ido na última manifestação. Desde o dia 15 de Março, o PT, a mídia tem se esforçado para criar uma farsa para desmobilizar as manifestações. A farsa é a ideia de que o PT têm perdido poder e o PMDB, principalmente de dentro do Legislativo, tem comandado o país. Esta farsa tem sido até propagada pela Veja, aquela mídia que supostamente é de direita ou oposição. Ela foi montada a partir de uma série de mentiras e factoides muito bem elaborados pelo PT, pela mídia comprada e talvez com ajuda do PMDB. Vejamos quais foram eles:
  1. O conflito de parte da base aliada do PMDB com o PT. Esta parte liderada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Ex: A lista de Janot para atacar o Cunha, tentativas dos petistas e linhas auxiliares de atrapalhar a CPI da Petrobrás, tentativa de denegrir o Cunha associando-o à corrupção e à homofobia. 
  2. A interpretação falsa de que o ministro da educação foi embora por que Cunha mandou.
  3. A aprovação de projetos por Cunha, na Câmara dos deputados, e por Renan Calheiros(PMDB), no Senado, que desagradam o PT e a esquerda. 
  4. As tentativas do PT de reforçar a aliança quase desfeita com o PMDB, para garantir a governabilidade. 
  5. Concessão de cargos ao PMDB na reforma ministerial do PT e colocação do Michel Temer (PMDB), vice-presidente, como articulador político.
Dizem que o Diabo é o pai das mentiras e ele consegue ser tão habilidoso em enganar, pois mistura as mentiras com verdades. Este é o caso desta farsa petista. De fato houve um aumento do conflito do PT com a base aliada, houve a tentativa do PT de manter seu domínio sobre o Legislativo e houve a concessão de cargos e colocação do Temer como articulador político. A aliança do PT e PMDB não foi desfeita, mas a mídia dá a impressão de que quase foi. Não sei, sinceramente, até onde isto é verdadeiro. Lembremos que até bem pouco tempo atrás, Renan colocou a segurança do Senado para expulsar violentamente manifestantes contrários ao governo, isto por que estavam ordeiramente acompanhando a votação da LDO. A LDO também foi aprovada no Legislativo sem muitos problemas para o PT, apesar de ser um atentado à economia e a um mínimo de respeito às leis. Cunha parece ser uma oposição ao PT mais verdadeira dentro do PMDB, mas ainda assim insiste que não há razões para o Impeachment e ainda por cima evita qualquer apuração neste sentido. 

O ponto mais importante da lista é o segundo, o que fala da interpretação de que Cunha teria mandado Dilma despedir o ministro da Educação. Esta é uma mentira amplamente repetida, inclusive pela Veja, que supostamente é uma mídia mais à direita. Já demonstrei que o PT estava querendo mesmo é uma reforma ministerial, apesar de fingir que não queria. Coincidentemente (que conveniente!) diversos ministros de Dilma se envolveram em escândalos que justificaram suas saídas (ex: Thomas traumman teria vazado um documento da Secretaria de Comunicação, e Cid Gomes, chamou Cunha e toda a Câmara de achacadores). Além disto, estes escândalos são benéficos ao PT, pois desmoralizam aqueles que são vistos como inimigos políticos pelos petistas, o PMDB e Cunha, e espalha um documento que teria reconhecido um mea culpa do governo em falhas de comunicação. Neste último caso, provavelmente se trata de uma operação de desinformação, pois tenta passar uma veracidade maior por supostamente 'vazar' um documento interno.

O PT já estava querendo a reforma ministerial, e assim o fez com a série de escândalos que convenientemente justificaram esta reforma. No caso do ex-ministro da educação, o PT, com ajuda da imprensa, conseguiu criar a imagem de que o PMDB teria assumido a posição de poderoso da vez no lugar do PT. Isto porque se vendeu a ideia de que Cunha teria mandado demitir Cid Gomes, quando o PT já estava querendo demiti-lo e Cid ainda se envolveu em um escândalo que justificava a demissão. O que Cunha fez foi o mínimo que um presidente da Câmara teria que fazer para manter sua dignidade como presidente. Ele foi reclamar com Dilma.

O que a mídia fez deste caso de Cunha com Cid Gomes foi interpretar a manuntenção de alguma independência do Legislativo do Executivo como se o Legislativo estivesse ganhando poderes para interferir no Executivo, e como se o PMDB é que estivesse realmente governando. Tanto é que lançaram a ideia de que passamos de um presidencialismo para um parlamentarismo. Mas alto lá! Se estamos em parlamentarismo isto não foi feito de forma legal. Quando se fala que estamos em um parlamentarismo, está se tentando colar uma imagem de golpismo sobre Eduardo Cunha e PMDB. Também se tenta colar a idéia de que a ação dos Congressistas, principalmente de Cunha, para aumentar a independência do Legislativo é acabar com a independência dos poderes, ou seja, um ataque à democracia.

No fundo, esta tática de tomar o processo de independência do Legislativo do Executivo como fim da independência dos poderes não é nova. Vimos algo parecido quando até pouco tempo atrás se considerava PSDB e Veja como a extrema direita raivosa. Antes se tomava o PSDB como a extrema direita para: desencorajar a adesão de pessoas ao partido, pois ele seria um partido radical; desencorajar que as pessoas queiram ou mesmo pensem que existe  algo mais à direita do que o PSDB; e  fingir que existe direita e democracia na política partidária, e todos os lados são representados. Esta tática é a mesma que estão usando para dizer que o PMDB está sendo o todo poderoso no lugar do PT. O Legislativo antes de Cunha na presidência da Câmara era sem poder e completamente submisso ao Executivo, mas os petistas e parte da mídia fingem que o Legislativo era independente. Agora que o Legislativo está adquirindo um pouco mais poder de decisão e se tornando mais independente do executivo, esta mídia trata como se o Legislativo estivesse mandando na República. A completa submissão do Legislativo ao Executivo é o máximo de independência do Legislativo que os petistas aceitam.

Se de fato parte dos brasileiros deixou de ir à manifestação por acreditar que quem governa não é mais tanto o PT, mas o PMDB, a diminuição na quantidade de pessoas na manifestação não é um sinal bom para o governo. Pelo contrário, é sinal do PT continua em baixa e que eles precisam fingir não estar mais no governo para continuar governando. O papel da direita é apenas mostrar as farsas de que o PT não governa mais e que a manifestação de Abril fracassou para ter mais gente aderindo às próximas ações de mobilização política.
Comentários
0 Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

UOL Cliques