terça-feira, 21 de abril de 2015

Cala a boca, FHC!


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Arthur Dutra

Quando as manifestações de rua começaram a ser organizadas, ali pelo mês de fevereiro de 2015, sempre apareciam aqueles abutres supostamente simpáticos à causa, meio céticos, meio profetas de suas próprias palavras, mas sempre revestidos de uma sabedoria de comentarista de botequim, a pronunciar o mantra: isso não vai dar em nada. Um típico caso de fogo amigo, como se vê.

Passou-se a primeira manifestação, a colossal reunião do dia 15 de março. Mesmo diante do maior movimento popular da História do Brasil, eles não se fizeram de rogados e continuavam a dizer a mesma coisa, talvez não tanto por convicção, mas apenas para não dar o braço a torcer a um monte de "românticos" que acreditavam que poderiam derrubar um governo canalha apenas ocupando as ruas. Mesmo contra as profecias pessimistas, a tese do impeachment foi ganhando corpo e sendo debatida nos círculos do poder, nem que fosse para negá-la. O fato é que o estrago já estava feito. Justamente por isso é que os analistas de botequim, para não perderem de vez a credibilidade caso seu prognóstico naufragasse, mudaram só um pouco a frase: isso não vai dar em nada, mas se acontecer isso ou aquilo, aí, sim! 

No dia 12 de abril, mesmo com o forte trabalho contrário da mídia, o povo foi novamente às ruas, só que desta vez no dobro de cidades que antes receberam os manifestantes do dia 15 de março. A discussão acerca dos números torna-se totalmente irrelevante, pois mesmo o analista de má vontade - espontânea ou paga - há de convir: ainda assim foi gente pra caramba pedir a cabeça da presidente da república, o que foi suficiente para que novos acontecimentos reforçassem o grito dos manifestantes.

A esta altura, os abutres de outrora já começaram a se mexer nas suas cadeiras, a olhar com mais atenção para os manifestantes e até a respeitá-los. Do alto de suas soberbas eles reconheciam: alguma coisa está acontecendo. E está mesmo. O impeachment, visto antes como um sonho pueril acalentado por gente que não conhecia dos segredos do poder, ganhou definitivamente a pauta do país, o que foi apenas confirmado quando o Tribunal de Contas da União - TCU apontou para a prática de crime de responsabilidade da Presidente da República pela prática das chamadas "pedaladas fiscais". Com este pronunciamento, os partidos de oposição começaram a se movimentar para dar o passo seguinte, amparados pelo forte grito das ruas. Agora, aqueles mesmos anunciadores do "não vai dar em nada" já acreditam piamente que d. Dilma não tira o mandato.

Mas eis que quando nos livramos dos disparos dos sabidos da política e dos pessimistas, nos aparece um tipo diferente para atrapalhar, e que precisa ser urgentemente neutralizado: trata-se do sr. Fernando Henrique Cardoso, eterno e benemérito defensor do PT quando este se vê na inevitável contingência de ser escorraçado do poder.

A postura do ex-presidente é algo tão vergonhoso que só posso imaginar que a história do Pacto de Princeton seja verdadeira. Diante deste ponto de interrogação que os pronunciamentos de FHC despertam, perguntaria ao ilustre ex-mandatário: o que o senhor e o Luís Inácio Lula da Silva acertaram naquele já longínquo 1993, no conforto do território americano, antes mesmo de ascenderem à Presidência da República? A proteção que o senhor deu a Lula no escândalo do mensalão teve a ver com isso? A proteção que o PSDB sempre deu aos governos petistas através de uma oposição fraca teve a ver com isso? A proteção vergonhosa, descabida e injustificada que o senhor ainda dá à presidente Dilma tem a ver com isso? São perguntas que se voltam contra o homem que deveria aconselhar seus companheiros de partido a seguir em frente com o pedido de impeachment, pois se existe uma medida que fala ao Direito, à Justiça e ao Brasil é esta. 

Diante dessa curiosíssima postura, o Brasil exige uma explicação do senhor Fernando Henrique Cardoso, pois esse discurso de aparente neutralidade, com pose de estadista que fala o tempo todo em democracia, instituições, constituição etc. já não convence mais ninguém, pois exala uma indisfarçável falsidade. Caso não queria responder, o ilustre cidadão poderia ter pelo menos a dignidade de calar-se e deixar que façamos o trabalho que ele, por vontade ou por covardia, não fez.
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