sábado, 25 de abril de 2015

Alguns desafios para Marco Villa


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Luciano Ayan

Para início de conversa devo dizer aqui que tenho 2 livros de Marco Villa, que acho muito interessantes. Ele não é um dos meus autores/intelectuais preferidos, mas devo dizer que ele tem sua contribuição. Por outro lado, tenho quase todos os livros de Olavo de Carvalho e conheço muito de seu material, embora eu não seja aluno do seu Curso de Filosofia.

Posto isso, vamos aos fatos: em uma edição recente do TVeja, Marco Villa rotulou Olavo de Carvalho de “fascista” e ainda o chamou de radical. Em seguida, usou o xingamento típico da esquerda: “é um astrólogo”. A coisa não terminou por aí. Ele disse que essa direita (que seria a “turma do Olavo”) era o problema.

A primeira coisa a ser dita é que Olavo, assim como qualquer outro intelectual, não é isento de falhas. E divergências são produtivas. Eu mesmo estou escrevendo um texto discordando de uma argumentação lançada por Olavo dizendo que adeptos da intervenção militar e adeptos da ação civil deveriam se juntar. Eu tenho argumentos para dizer que a junção é tecnicamente inviável. Enfim, uma questão de discordância. A exposição de discordâncias neste nível deveria ser uma dialética de direitistas ou mesmo de republicanos, assim como a esquerda já o faz. O que é completamente diferente da atitude de Villa, partindo para a baixaria.

Uma forma de resolvermos a questão é usando uma regra de Sam Harris: “coloque um preço na alegação de seu oponente”. O caso é que hoje em dia a direita tem deixado seus oponentes muito mal acostumados. Os petistas nos chamam de golpistas. E fica por isso mesmo. Os petistas nos chamam de fascistas. E fica por isso mesmo. Se cobrássemos o preço de cada uma dessas alegações, a derrocada deles seria muito mais rápida. E sem chance de retorno. Infelizmente, deixamos passar muita coisa.

E até alguns do nosso lado também lançam discursos imprudentes que, como tal, não devem ficar baratos. Quanto a Villa, podemos colocar um preço em suas alegações. Para começar, como rotulou Olavo de Carvalho de fascista, devemos exigir que ele possa explicar quais elementos do fascismo estão presentes nos discursos do “astrólogo”. Simples assim. Em seguida, Villa deve ser constrangido em público se não apresentar uma explicação decente.

Mas a coisa não pode parar por aí. Como ele acusou o oponente de “extremista”, deve declarar detalhadamente o que é ou não extremismo no conteúdo proferido por Olavo. Esperamos que ele não fuja de dar essa explicação.

Por fim, já que Villa define Olavo como “parte da direita que não presta”, então podemos entender que o historiador pertence à “direita que presta”. Me parece que essa “direita do Villa” (ou então oposição centrista, ou de esquerda moderada, vá lá) não é tão eficiente para o embate com a extrema esquerda. Lembremos de um vídeo mostrando a surra que o historiador levou de Fernando Haddad:



Eu acho que por este desempenho acima, Villa ainda tem muito o que aprender. Uma dica é ler o famoso debate entre Olavo de Carvalho e Alaor Caffé, mostrando como se debate com esquerdistas. 


A vida é assim, meu amigo. Quem quer propor exclusão de intelectuais direitistas deve ter condições de nos representar. Ou ao menos achar ter essas condições. E, como tal, devemos ser mais exigentes diante dessas pessoas. 

Por esta ótica, Villa tem por sua frente tanto desafios de provar suas alegações contra Olavo, como de apresentar um desempenho de debate que possa receber no mínimo metade da nota daquela que Olavo de Carvalho mereceu contra Alaor Caffé. 

Devemos aguardar. E não esquecer. E seguir cobrando.
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