domingo, 26 de abril de 2015

Aberta a Caixa de Pandora da BLOSTA


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Alexandre Borges

Aparentemente os petistas no jornalismo não previam que uma caixa de Pandora poderia ser aberta ao tentar criar um escândalo com o caso Implicante.

Agora Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino já estão pedindo uma CPI dos Blogs, uma investigação profunda de todos os blogueiros que direta ou indiretamente recebem dinheiro de governos.

Esta página acredita que o grande escândalo é a própria existência de publicidade estatal. Ano passado, o governo federal gastou a estonteante cifra de R$ 2,3 bilhões em publicidade e mais R$ 1,42 bilhão em patrocínios. Deste total declarado, R$ 200 milhões foram gastos apenas em publicidade online.

O Brasil persegue a propaganda de cigarros mas libera a propaganda governamental e é de se pensar qual das duas é mais destrutiva para a sociedade. O fato é que hoje, como o maior anunciante do país, é muito difícil imaginar um veículo que possa se dar ao luxo de sobreviver sem dinheiro público.

Sei que vão dizer que estatais que disputam mercado com empresas privadas precisam anunciar e é um argumento correto, claro. Neste caso, o problema é a própria existência dessas estatais que deveriam abrir o capital e se tornarem, de uma vez por todas, empresas públicas. Mas como justificar a propaganda de empresas monopolistas, incluindo a maior de todas, o próprio governo?

Se o dinheiro da publicidade estatal pode influenciar um blogueiro, por que não pode exercer igual influência nas TVs e nos grandes jornais? Se a Folha acha um escândalo que um blogueiro receba R$ 70 mil/mês por um serviço comprovadamente prestado, fruto de uma licitação transparente e com preços de mercado, o que dizer do dinheiro que ela própria recebe? Ou dinheiro só influencia os outros?

Sou um entusiasta da CPI dos Blogs, claro, mas é hora de discutir a proibição de toda e qualquer publicidade estatal. Se o governo quer fazer um anúncio de utilidade pública, que entre em cadeia nacional e faça o aviso, um instrumento que já está à sua disposição.

Quando veículos de comunicação tiverem que viver apenas de seus leitores e assinantes, o conteúdo vai evidentemente dar um salto qualitativo, uma bandeira que deveria ser defendida por qualquer profissional sério de comunicação.

Ver "Governo federal gastou R$ 2,3 bilhões em publicidade em 2014".

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