quinta-feira, 23 de abril de 2015

A verdadeira batalha


Imagem: War Games
Por Arthur Dutra (*)

Há um ponto de fundamental importância que vem sendo negligenciado quando se fala do potencial das grandes manifestações convocadas pelo povo contra o governo. Existe um fato claro: ao longo de doze anos, o governo petista inchou ainda mais o Estado brasileiro para parasitá-lo de forma predatória pelo resto da vida. A sangria hemorrágica que esse partido promove e a forma como se utiliza do aparato estatal para se manter no poder mesmo com uma estratosférica desaprovação popular é algo que seria evitado se não confiássemos aos seus cuidados esse troço de tamanho descomunal, que além de tudo impõe toda sorte de regulamentações que mais atrapalham do ajudam o país. O entendimento deste raciocínio não pode permanecer restrito aos novos círculos liberais de estudantes. É preciso traduzir esta mentalidade para o povão, o que não é tão difícil, dada a lógica que acompanha esse raciocínio. Esta providência, aliás, só perde em urgência para a retirada do petismo do poder, que é a medida em torno da qual devem estar todos unidos neste momento. Pois bem. E porque a criação de um movimento popular anti-estatista é urgente e importante? Deixo a explicação para Aldous Huxley, autor do "Admirável mundo novo", o homem que descreveu como ninguém a ditadura perfeita:
É provável que os governos do mundo venham a ser quase que completamente totalitários mesmo antes da utilização da energia nuclear; que o serão durante e após esta utilização, parece quase certo. Só um movimento popular em grande escala pela descentralização e iniciativa local poderá deter a tendência para o estatismo.
São vários os aspectos que levaram Huxley a pronunciar esse trecho, mas o que importa é que ele, nos idos de 1946, vislumbrava os males do estatismo, que fatalmente descambaria para um totalitarismo, cuja prova estava bem viva na memória do Ocidente com o nazismo, o comunismo e o fascismo. Mas se os regimes em questão caíram nos locais onde se desenvolveram, a mentalidade estatista que estava na raiz de todos eles continua mais viva do que nunca. Mais ainda: foi ampliada para ser aplicada em escala global. Daí porque Huxley continua com a razão: somente um forte movimento popular de resistência pode deter o avanço dos tentáculos estatais sobre a vida, a liberdade e o patrimônio das pessoas. Isso é mais do que óbvio também, já que não será o Estado a reconhecer seu gigantismo e cortar na própria carne a fonte do seu poder sobre uma sociedade inteira. O Estado é paquidérmico, mas os homens que estão montados nele não são burros.

Daí porque é mais que fundamental, é IMPERATIVO, que os movimentos populares que estão batendo de frente com o governo petista propiciem, na esteira de suas ações e vitórias, uma tomada de consciência de que é preciso resistir não apenas contra a sanha bolivariana, mas contra a própria mentalidade estatista que orienta o PT e boa parte dos partidos mais fortes do Brasil, muitos que até se dizem de oposição como o PSDB, PPS, PSB etc. 

Sem uma resistência popular verdadeiramente forte e consciente, que repudie veementemente o estatismo, sairemos das garras do PT para cair em outras mãos que, cedo ou tarde, aumentarão os braços estatais e nos sufocarão ainda mais num totalitarismo burocrático, impessoal e com aparência de democracia, tal qual aquele contado na distopia de Huxley, que dá, com sua magnífica veia literária, uma visão muito melhor dos perigos do totalitarismo do que qualquer teórico acadêmico. 

Temos uma chance de ouro, certamente a melhor já vista por esta geração, não só de derrubar o governo, mas também de veicular esta mensagem de resistência e reversão da mentalidade estatista. Não aproveitá-la bem será uma desgraça ainda maior do que aguentar o PT até 2018.

(*) Editor-chefe da revista O Coyote
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