quinta-feira, 2 de abril de 2015

A maestria do marketing político do Partido Democrata


Imagem: palestra TED
Por Alexandre Borges

Você constata como estamos ainda na pré-história do marketing político quando vê a máquina de propaganda dos Clinton criando todo o ambiente cultural para a eleição de Hillary no ano que vem.

Em março do ano passado fiz um post avisando que os próximos dois anos seriam intensos em termos da campanha política que realmente funciona, aquela fora do calendário eleitoral e que cria as condições na opinião pública para que uma candidatura se mostre como natural, espontânea, fruto de um momento histórico. Veja aqui.

Não por coincidência, desde o ano passado os EUA foram inundados de pautas jornalísticas sobre a condição da mulher, a violência contra a mulher, as supostas diferenças salariais entre homens e mulheres, o direito ao aborto como pilar da emancipação feminina e por aí vai. Dia após dia o eleitor é convencido de que agora o "momento histórico" é eleger uma mulher, a despeito das qualificações específicas de Hillary Clinton para o cargo. É a mesma máquina de propaganda que moeu Condoleezza Rice, Michele Bachmann, Carly Fiorina, Susana Martinez, Mia Love, Nikki Haley e Sarah Palin, entre outras mulheres que ousaram ser independentes e sair da matrix da esquerda americana.

Agora outro golpe de mestre foi dado: Monica Lewinsky deu uma lacrimosa e muito bem estudada palestra no TED, o popularíssimo canal de videos que tradicionalmente serve de plataforma para divulgar as idéias da esquerda americana e européia, com raras exceções.

Na palestra, Monica leu com bastante competência o teleprompter e chorou na hora certa, transformando seu escândalo sexual adúltero com o presidente americano, com direito a sexo na Casa Branca, num caso de invasão de privacidade de uma jovem inocente e assustada e saindo como vítima.

Não deixa de ser curioso ver a ex-amante de Bill Clinton num palco trabalhando pela eleição da sua esposa Hillary, uma prova de como as mulheres de esquerda não são tão independentes como tentam aparentar. É evidente que é uma situação vexatória para ambas, mas perfeita para os planos políticos de Bill Clinton.

Nunca vou cansar de repetir que esse é o verdadeiro marketing político, aquele que se faz fora do calendário eleitoral e mirando na cultura, especialmente na cultura pop, e não apenas aquela ridícula, brega e constrangedora sucessão de clichês de horário político na TV. E nesse quesito a esquerda está pelo menos meio século à frente dos liberais e conservadores, desde que nos 60 tomaram de vez conta do cinema, das editoras, das gravadores, das universidades e da imprensa.

O TED de Monica Lewinsky é uma brilhante peça de propaganda eleitoral feita quase dois anos antes da eleição. É preciso estratégia, planejamento, muito dinheiro e determinação para manter anos e anos de engajamento de uma equipe profissional de marketing para eleger um presidente e é por isso que o Partido Democrata mais uma vez sai na frente.

É esse TED que vai fazer rolar lágrimas dos jornalistas que cobrirão a campanha do ano que vem e que estão sendo doutrinados desde já para vestir a camisa dos Clinton. No mínimo, vai constranger todos que quiserem lembrar desse escândalo durante a campanha, especialmente humoristas e comentaristas mais exaltados.

Essa é mais uma lição que precisa urgentemente ser aprendida pelo outro lado antes que seja completamente alijado do debate público e perca toda viabilidade eleitoral.

Clique aqui para assistir a palestra TED com Monica Lewinsky, de março de 2015.
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