segunda-feira, 13 de abril de 2015

A imprensa se comporta como o pescoço que sorri para a corda


Imagem: Isa Stacciarini / CB / D.A Press
Por Paulo Eneas

A quase totalidade da imprensa não está fazendo uma cobertura jornalística propriamente dita dos eventos de domingo, mas sim se ocupando de hostilizar de todas as formas possíveis as manifestações pelo impeachment de Dilma e contra o PT. É possível que pela primeira vez na história das democracias ocidentais, um movimento de massas de caráter democrático e que se opõe e denuncia o viés totalitário e antidemocrático de um governante, esteja sendo hostilizado pela grande imprensa, justamente aquela que desfruta de certa liberdade de expressão que só pode ser assegurada pela democracia.

Lenin disse uma vez que iria comprar da burguesia a corda com que iria enforcá-la. A corda de uma boa parte da burguesia nacional já foi comprada e muito bem paga de diversas formas: por meio de verbas publicitárias federais bastante generosas, por meio acesso a créditos do BNDES para empresas amigas, por meio de oportunidade de negócios lucrativos para empreiteiras em ditaduras africanas através da anistia e do perdão das dívidas desses países com o governo federal. Só ingênuos acreditam que essas dívidas foram perdoadas por razoes humanitárias.

No caso da maior parte da grande imprensa nacional, parece que ela não apenas vendeu a corda mas também a vergonha na cara e o próprio instinto de sobrevivência, pois fecham os olhos para processo semelhante e mais adiantado que já ocorre em outros países governados pelo Foro de São Paulo, como Argentina e Venezuela, países onde a imprensa livre na prática acabou. Não temos mais uma grande imprensa livre e independente: temos uma instituição suicida que se comporta como um pescoço que venera e admira a corda que irá enforcá-lo.
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