quarta-feira, 4 de março de 2015

Um Rasputin cucaracha de sinal trocado


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Paulo Eneas

Em artigo e vídeo publicados essa semana, o jornalista Reinaldo Azevedo faz uma proposta inacreditável: ele sugere que, para evitar que o país entre numa rota de caos econômico e social com consequências institucionais imprevisíveis e até perigosas, a presidente Dilma Rousseff deveria sair do PT, formar um gabinete de crise, que se encarregaria de estabelecer um plano mínimo consensual para enfrentar a grave crise que se prenuncia. Esse gabinete de crise se encarregaria também de assegurar o prosseguimento das investigações e ações judiciais da Operação Lava Jato. O programa de emergência desse suposto gabinete de crise, que subentende-se seria uma espécie de governo transitório de união nacional, seria endossado pelo Congresso Nacional, TCU e AGU e Ministério Público.



Ainda que Reinaldo Azevedo tenha se motivado por preocupações nobres e sérias, pois afinal ninguém de boa índole pode apostar no quanto pior melhor e desejar que o país caminhe para o caos econômico e social, sua proposta e seu conselho para Dilma é a coisa mais disparatada e sem pé nem cabeça que alguém pode conceber. A impressão que se tem é a de que ele incorporou seriamente o papel de conselheiro casual da presidente, papel esse que ele já vinha desempenhando desde o ano passado, e que agora pretende se tornar uma espécie de Rasputin cucaracha com sinal trocado, de uma tzarina tupiniquim que não consegue nem mesmo dizer uma única frase com sujeito, verbo e predicado que faça algum sentido.


Mais do que isso, esse conselho do jornalista à presidente reflete uma incapacidade de compreender que a crise que o Brasil vive hoje tem um nome: o nome dessa crise é Dilma Rousseff. Ela é a crise personificada, pois os fatos mostram de maneira inequívoca que ela não tem a mínima capacidade, competência e qualificação pessoal e política para exercer o cargo de presidente da república. Como bem disse o deputado Walter Feldman ainda na campanha eleitoral do ano passado, Dilma Rousseff é um equívoco da história. É alguém que em condições normais jamais ocuparia o mais alto cargo público do país, pois ela não tem preparo político ou pessoal nem mesmo para ser vereadora de cidadezinha do interior.

Dilma chegou à presidência pelas mãos do Aiatolá de Sindicato, quando este ainda desfrutava de prestígio junto à população. Sua primeira vitória eleitoral foi um embuste, pois foi vendida à população uma imagem de gestora competente que ela não é nem nunca foi. Sua segunda vitória no ano passado, por sua vez, foi um estelionato eleitoral, pois ganhou com base na mentira, na ocultação da real situação do país, na calúnia contra os adversários e no terror e na chantagem contra os mais pobres. Portanto, a história de Dilma na presidência começa como uma ilusão e continua como uma farsa.

Seu primeiro mandato foi marcado pela sucessão de medidas erradas em todos os setores da vida nacional, da destruição gradual dos fundamentos macroeconômicos que garantiam a estabilidade de nossa moeda, pela deterioração também gradual das finanças públicas, pela piora progressiva dos serviços públicos básicos nas áreas de educação, saúde e segurança pública, pelo desastre vergonhoso de nossa política externa que transformou o país num anão diplomático, pela piora na infraestrutura do país.

A esse quadro de incompetência na gestão, acrescenta-se a evidência cada vez maior da incapacidade da presidente de fazer interlocução e de dialogar com diferentes setores econômicos e políticos da sociedade, inclusive sua incapacidade de dialogar com seu próprio partido, o PT. Seu primeiro mandato somente não foi mais turbulento pela leniência da oposição institucional no Congresso, oposição essa que agora se mostra mais atuante porque está sendo pressionada pela repulsa que a sociedade civil vem demonstrando, nas redes sociais e nas ruas, contra o governo petista.

É ingenuidade, portanto, esperar que Dilma, com esse seu histórico de inabilidade política e incompetência para governar possa, num passe de mágica, ter a clareza e o discernimento político para entender a grave situação do país e tomar a atitude de romper com o PT e promover uma concertación à brasileira, envolvendo Congresso Nacional e outros entes do Estado. Isso não vai acontecer, ou Dilma não seria Dilma.

A única solução que existe para crise é a saída de Dilma da presidência da república por meio do impeachment, nos termos e na forma prevista pela Constituição. Não se trata de promover uma ruptura institucional, mas sim uma mudança necessária, dentro dos marcos da legalidade e da normalidade democrática. Ou então, se for para dar um conselho a Dilma, o único conselho que pode ser dado é sugerir a ela que renuncie. Sua renúncia seria o único ato, nesses quase cinco anos de governo, que ela poderia tomar em benefício do país.
Comentários
0 Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

UOL Cliques