quinta-feira, 12 de março de 2015

Quem faz negócios com bandido acaba se encrencando


Imagem: Eraldo Peres / AP
Por Paulo Eneas

O depoimento de Pedro Barusco na CPI da Petrobras foi uma pá de cal na tentativa desesperada do PT de tentar se safar das denúncias de corrupção na estatal. Ante a impossibilidade de negar o roubo sistemático que ocorria na empresa, o PT adotou a estratégia de tentar provar que, quando o assunto é corrupção, todos são iguais. Assim para um partido que nasceu sob a bandeira da ética e da moralidade e que tinha como lema “O PT é diferente de tudo que está aí”, pelas suas supostas virtudes, restou à agremiação o vergonhosa e única alternativa de tentar provar que “Tudo que está aí é igual ao PT”, pelos seus comprovados vícios.


Essa estratégia da vergonha, que na verdade era da falta dela na cara, foi usada pela presidente Dilma numa desastrosa entrevista semanas atrás em que ela estupidamente tentou convencer a população de que a corrupção na Petrobras teve início no governo FHC, pois o próprio Barusco teria afirmado em depoimento vazado dado sob delação premiada, que ele havia começada a receber propinas ainda em 1997, portanto durante o governo tucanos Os petistas se animaram, pois era a “prova” que faltava para mostrar que todos são mesmo iguais na hora de assaltar os cofres públicos. A confiança do PT era tanta que eles apoiaram a convocação de Barusco à CPI. A estratégia petista começou a ruir nos primeiros momentos do depoimento de Barusco. Ele foi claro e inequívoco:

a) Afirmou que recebeu sim propina em 1997 quando estava na Petrobras, mas que isso foi feito por iniciativa própria dele, um “roubo particular”, sem qualquer conexão com algum esquema partidário ou governamental.

b) Afirmou que a corrupção na Petrobras começou de forma institucionalizada entre 2003 e 2004, portanto, no governo Lula.

c) Afirmou ainda taxativamente que se reunia regularmente com o tesoureiro do PT para acertar repasses de recursos oriundos da corrupção.

d) Para botar uma pá de cal na estratégia petista, Barusco relevou ainda ter passado cerca de trezentos mil dólares roubados da empresa para a campanha de Dilma de 2010.

O depoimento de Barusco foi mais um abalo na casa do PT e do governo Dilma, que está caindo. Ao longo de todo depoimento ficou patente também o despreparo e a incompetência política da bancada petista. As cenas de Maria do Rosário dando chiliques beiram a pateticidade política. Mais uma evidência do grau de deterioração do PT, que além de não ter quadros competentes para governar (foi preciso buscar um tucano emprestado para o Ministério da Fazenda) já não tem quadros suficientes nem mesmo para formar sua bancada no parlamento.

As informações trazidas à luz por Barusco, e outras que virão em seu encalço, seguramente apontarão na direção dos verdadeiros chefes e mandantes do esquema de roubo montado na Petrobras com o objetivo de solapar a democracia, dobrar e subornar o Congresso Nacional por meio da criação de maiorias artificiais compradas, dentro da estratégia petista de construir um projeto de poder autoritário bolivariano permanente e antidemocrático no Brasil. Esse projeto faliu e está hoje moribundo, assim como o próprio governo Dilma. As falas tresloucadas e levianas do Aiatolá de Sindicato, ameaçando o país com seu risível Exército de Stédileone mostram que o campo de ação política convencional do PT e do governo Dilma se esgotou. Só lhes resta as bravatas e ameaças à ordem institucional, às quais os brasileiros e suas instituições democráticas, incluindo as forças de segurança, saberão dar a resposta certa. As milícias paramilitares do MST não provocarão guerra civil alguma. MST é caso de polícia e assim deverá e deve ser tratado.

A ironia do depoimento de Barusco na CPI é que ela nos traz à lembrança aquele ditado popular que diz que quem faz negócio com bandido acaba se encrencando. E Pedro Barusco se encrencou. Pois enquanto estava “apenas” roubando privadamente, estava menos exposto, corria menos riscos. Ao topar fazer negócios com o PT, conheceu o caminho do inferno. Que ele pague na forma da lei pelos seus roubos, tantos os roubos feitos “privadamente” quanto os roubos feitos dentro do esquema institucionalizado. E que o verdadeiro bandido a que alude o ditado popular, pague o preço, na forma da lei, não apenas por roubar dinheiro da Petrobras, mas por tentar nos roubar a democracia e o estado de direito.
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