sábado, 14 de março de 2015

Quando a oposição vira escória moral: lembrando os tempos dos 441 golpistas contra Collor


Imagem: Sérgio Lima / Folhapress
Por Luciano Ayan

Há duas principais formas pelas quais alguém pode se opor ao impeachment. Uma é pela argumentação em contrário. Outra é rotulando de forma negativa quem defende o impeachment. Feito escória moral, alguns membros do PMDB e do PSDB resolveram partir para este truque nos últimos dias. Nem falo nada do PT, pois o papel deles é defender suas mamatas mesmo. O PT é o predador que luta pelo seu direito de continuar fazendo vítimas. PSDB e PMDB, no entanto, se tornam ainda mais indignos ao advogarem pela manutenção do direito do PT continuar impondo desgraças a nós. 

Foi aí que vimos Beto Richa, do PSDB, dizendo que "impeachment é revanchismo". Michel Temer afirmou que impeachment é "impensável". Eduardo Cunha, cujo posicionamento tenho admirado, disse que "impeachment é golpe". Quer dizer, eles interromperam a argumentação em prol do que acreditavam e passaram a atacar os defensores do impeachment. Aí precisamos levantar o tom. 

Nenhum político que pertença ao PMDB ou ao PSDB tem moral para falar uma palavra contra os que defendem impeachment, pois entre os 441 deputados que votaram a favor da abertura do processo de impeachment contra Collor tivemos a totalidade do PMDB e do PSDB. E, claro, do PT. (Na época defendi o impeachment de Collor, e não estou querendo inocentá-lo. Quero aqui identificar um padrão moral desonesto de tolerância seletiva a corrupção, somente se esta vir do PT, obviamente)

Richa e Temer não eram adolescentes naquela época. Já eram políticos formados. Qual foi a postura deles diante do impeachment de Collor? Apoiaram. Se é assim, eles precisam lavar a boca com sabão e depois fazer gargarejo com creolina antes de abrirem a boca para falar de quem defende impeachment hoje. Ora, se somos golpistas por queremos o impeachment de Dilma, então essa escória é golpista por ter defendido o impeachment de Collor. Simples assim. Então que se resumam às suas indignidades. 

Talvez eles venham com a desculpa esfarrapada dizendo que "com Collor era diferente". Só se for porque Collor não era bolivariano, e, como tal, não tão dissimulado quanto o PT no momento de inventar discursos de ataque. Mas isso deveria aumentar ainda mais a vergonha de qualquer pessoa do PSDB e do PMDB que venha com encenação fajuta tentando constranger cidadãos que pedem o impeachment democraticamente (instrumento previsto na Constituição, que eles não parecem respeitar também). Quanto ao PT então, nem se fala. 

Eu não estou sugerindo que devamos empurrar o PSDB e o PMDB para o PT, como fazem muitos negadores da política. Estes dizem “ah, o PSDB já está mancomunado com o PT”, como se pedissem para retirarmos a pressão política sobre eles. Em vez disso, defendo que façamos pressão positiva sobre ambos partidos, mas que também não esqueçamos de que precisamos cobrá-los para que eles se redimam da humilhação suprema de terem apoiado o impeachment de Collor em 1992 mas renegarem o mesmo agora em 2015. 

Então que façamos um acordo assim: se querem se posicionar contra o impeachment, que o façam, e argumentem neste sentido; mas se quiserem atacar quem defende o impeachment, mesmo que tenham apoiado o impeachment de Collor, devem ser expostos em sua desonra perante o povo. Qualquer pessoa que queira agir feito "duas caras" enquanto luta para dar lição de moral deveria sofrer o mesmo destino. 
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