terça-feira, 17 de março de 2015

PSB arma discurso esdrúxulo para ajudar o PT


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique

No último domingo dia 15, ocorreu a maior manifestação política da história brasileira, escancarando a grande crise de Dilma e do PT. Rapidamente, o PSB, membro do foro de São Paulo, resolveu fazer jogada ensaiada com o PT para empurrar a crise para o Legislativo.

Marina Silva, candidata pelo PSB nas últimas eleições presidenciais, já tinha condenado o pedido de impeachment de Dilma logo antes das manifestações de domingo e dos panelaços recentes, dizendo que o impeachment poderia desencadear o caos. Hoje, dois dias depois da manifestação, sai uma entrevista de João Capiberibe(PSB), na qual ele defende que o presidente da câmara, Eduardo Cunha(PMDB), e o presidente do senado, Renan Calheiros(PMDB), se afastem da presidência durante as investigações, repetindo o discurso de outra linha auxiliar do PT, o PSOL.

Sobre a declaração do ex-gerente da Petrobrás, Pedro Barusco, de que a corrupção só foi se institucionalizar no governo Lula veja o que Capiberibe disse:
A corrupção é congênita da formação do Estado brasileiro. Estamos vivendo uma cleptocracia. Temos um Estado patrimonialista e clientelista ao extremo. Evoluímos com a independência do Ministério Público e da Polícia Federal e com a ação do Judiciário, mas ainda temos um Estado dominado pela cleptocracia infelizmente. Fico às vezes me beliscando e perguntando 'será que é verdade que os magnatas da construção civil estão mesmo na cadeia?'.
Se tornou comum se revoltar com o cinismo do PT, mas suas linhas auxiliares e aliados do Foro de São Paulo não ficam atrás. Veja só a declaração! Nela o psbista finge que o problema é do Estado e que o governo do PT não tem nenhuma responsabilidade pela corrupção, quando justamente foi o PT que criou os dois maiores escândalos de corrupção da história do Brasil: o Mensalão, que foi uma tentativa de golpe à democracia, comprando o Legislativo, e o Petrolão, que representa um escândalo de proporções titânicas.

Não satisfeito com a farsa, Capiberibe vai além, e localiza o problema no legislativo. Ele diz que o Ministério Público e a Polícia Federal (órgãos ligados ao executivo) são mais independentes e que o judiciário evoluíra. Então, por exclusão, a instituição que mantém a cleptocracia na visão do político é o Legislativo. É uma declaração tão covarde que o sujeitinho nem mesmo teve a dignidade de falar clara e diretamente que o legislativo está sendo acusado de cleptocrático! A declaração é uma afronta a um pilar fundamental da democracia, a separação dos poderes, ao tentar tirar a legitimidade do Legislativo em detrimento dos outros dois poderes. 

Ao tentar retirar a crise de Dilma do colo do PT, Capiberibe esquece (que conveniente!) que se ocorreu o escândalo de compra de votos de políticos do legislativo, foi por que o PT criou o mega esquema de corrupção chamado Mensalão. Capiberibe esquece também (duplamente conveniente!) que Dilma participou ou foi negligente (incorrendo em crime de responsabilidade) em relação aos processos que aconteciam na Petrobrás, pois estava à frente da empresa na época em que o Mensalão foi criado. 

O final da resposta é chocante! O político se alegra por ter "magnatas da construção civil" na cadeia, mas não diz uma palavra sobre os políticos do PT que já estão soltos. Além disto, ele se alegra pelo fato de grandes empresários estarem na cadeia, não por serem criminosos e a justiça ter sido feita, mas por que são empresários. A prova do ódio aos empresários na fala é que Capiberibe não demonstra nenhuma tristeza por ver os corruptos do PT soltos. Este ódio aos empresários é a típica mentalidade de extrema esquerda que o PT e seus aliados do Foro de São Paulo representam!

No resto da entrevista, Capiberibe falou também de que o Legislativo vive uma crise. Não, Capiberibe! Quem vive uma crise é o PT e a presidente Dilma, o povo foi às ruas na maior manifestação política do Brasil justamente para dizer isto! O povo não disse 'Fora Legislativo', muito menos "Fora Eduardo Cunha" ou qualquer outro político do legislativo. O povo claramente disse "Fora PT" e "Fora Dilma". Não tente tomar de assalto a voz do povo nem usá-la para seus próprios interesses políticos! 

Capiberibe disse ainda que Cunha enfraquecia a procuradoria geral da república por criticar o procurador. Eduardo Cunha, presidente da câmara, demonstrou cabalmente que Rodrigo Janot, procurador geral da república, escolheu quem colocar na lista, por ter adotado critérios contraditórios para a escolha de Cunha e de outros nomes. A demonstração na CPI foi tão clara e bem feita que alguns dos mais ferrenhos opositores de Cunha e membros do PT tiveram que elogiá-lo. Fingir que uma crítica tão embasada como a de Cunha para a lista criada por Janot enfraquece a procuradoria geral da república é ridículo! Uma crítica bem fundamentada ao procurador-geral não enfraquece a instituição da procuradoria. Pelo contrário, fortalece esta instituição, pois afasta os incompetentes e mal intencionados do cargo e melhora os procedimentos adotados. O que enfraquece realmente a procuradoria-geral da república é não poder criticar o procurador, como se ele fosse um ser divino imune a qualquer defeito!

O fingimento de que é o Legislativo que não atende as reivindicações populares faz parte da conhecida e desgastada estratégia do PT e dos petistas de segundo escalão, como Capiberibe, de tentar colocar as pessoas que os petistas consideram inimigos no mesmo nível moral que o PT. Como o PT é incapaz de qualquer elevação de se sua dignidade, o que resta ao partido é tentar afundar todos na mesma lama.
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