terça-feira, 10 de março de 2015

Os "motivos" de FHC contra o impeachment


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique

Fernando Henrique Cardoso(PSDB) deu uma entrevista hoje(10/3) à jornalista Eliane Cantanhêde do Estadão a respeito da crise atual do governo. FHC continua reforçando a tese de que é improvável ocorrer o impeachment. Também seria bom se não ocorresse.

Em parte, ele usa essa tese para se afastar dos movimentos sociais que estão pedindo o impeachment. Assim, os movimentos ficariam bem caracterizados como estritamente populares, fazendo murchar a tese petista de que estes movimentos pró-impeachment são financiados pelo PSDB. Não é uma estratégia de todo ruim, porém ela guarda um defeito: desanimar quem busca o impeachment.

Outra coisa que chamou a atenção na entrevista foi a citação dos supostos envolvidos na Lava Jato. Estranhamente, nem a jornalista, ao fazer a pergunta, nem FHC comentaram que os tais políticos não são 'envolvidos', mas 'suspeitos' de envolvimento. E mais, ainda se tornaram 'suspeitos', segundo uma lista já bastante desmoralizada por Eduardo Cunha, que demonstrou que Janot colocou na lista quem ele queria investigar.

Além do interesse dos petistas em atacar a imagem dos opositores e até mesmo se possível afastar Cunha da presidência da Câmara, há ainda o bloqueio de contas e a quebra de sigilo fiscal e bancário destes opositores, e o levantamento de informações que alimentam a própria máquina petista de assassinato de reputações. Essas fortes motivações e as evidências de que a lista do PT não é séria faz do erro de tratar 'suspeitos' como 'envolvidos' na Lava Jato um tiro no pé deveras estraçalhador.

Quando perguntado sobre a semelhança com Collor, veja o que FHC respondeu:
Não creio. A conexão com Collor é que ele não sabia como manejar o Congresso, não tinha amor pelo Congresso, ficava isolado, mas só nisso. Na época a sociedade sancionou o impeachment, Collor não reagiu e os partidos tinham condição de operar a transição. Não vejo a mesma coisa hoje.
Ele está certo em dizer que tanto Collor como Dilma não lidam bem com o Congresso e que provavelmente Dilma irá reagir até o fim para evitar o impeachment. Porém, ele se contradiz em acreditar que a sociedade não sanciona o impeachment. Ele mesmo na entrevista já havia falado do grande panelaço em protesto contra Dilma e de sua expectativa de que vá muita gente à manifestação do dia 15/3. Estas manifestações são sinais de que a sociedade apoia o impeachment.

FHC erra também em acreditar que partidos não teriam como operar a transição. Eduardo Cunha (PMDB) é presidente da Câmara e Renan Calheiros (PMDB) é presidente do Senado. Ambos representam a principal oposição no Congresso. Ambos impuseram as maiores derrotas políticas recentes ao PT. E ambos sofreram retaliação por isto, ao serem incluídos na lista da Lava Jato. É claro que ambos vão responder à retaliação. Nos bastidores, Eduardo Cunha já até declarou guerra ao PT por causa da lista e disse que vai até o fim com a investigação agora.

É estranho que um sociólogo tão gabaritado como FHC faça tais declarações. É possível que elas tenham sido feitas para desgarrar o PSDB do movimento e para que ele não perca credibilidade, mas pode ser também o típico em-cima-do-murismo do PSDB falando mais alto.
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