domingo, 1 de março de 2015

O risco mortal de discordar de Putin


Imagem: Grigory Dukor / Reuters
Por Aitofel de Souza

Alguns "estudiosos" desqualificados tratam o Maio de 68 como se fosse a queda do comunismo. Na verdade, é um período de mudança estratégica da extrema esquerda, saindo da revolução armada para o método do engodo gramsciana. 

O novo método socialista funciona por lavagem cerebral. A doutrinação ideológica praticada de forma torpe contra crianças indefesas, inculcando-lhes doses maciças de marxismo cultural, é notório para qualquer pessoa que tenha olhado o estado atual das coisas com cuidado. 

Fazendo-os aceitar demandas bizarras do movimento LGBT, do feminismo e de outros "ismos", parecem até que seguem mais a Bíblia do que muitos cristãos. Em Provérbios 22:6 está escrito "Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele". 

Assim como Rui Barbosa, eles sabem que "as ideias precedem os atos". Ou seja, a pessoa age conforme crê. 

A Rússia de Putin é toda construída sob este engodo, mas, quando necessário, eles evocam o stalinismo, criando uma mistura hoje incomum e até descarada demais para os padrões ocidentais. (Ainda que na Rússia, Putin misture um falso conservadorismo comportamental com doutrinação no socialismo)

Uma matéria do Epoch Times, intitulada "Conheça críticos de Putin que morreram por defender liberdades civis", menciona que vários outros opositores, além de Boris Nemtsov, tiveram destilo similar. Exemplos incluem o espião Alexander Litvinenko ou a jornalista Anna Politkovskaya. Ambos morreram em circunstâncias misteriosas. 

Enquanto Nemtsov morreu baleado por um desconhecido enquanto caminhava com sua esposa perto do Kremlin, Anna Politkovskaya foi assassinada à queima-roupa no elevador do prédio onde morava. 

“A Rússia de Putin: A vida em uma democracia falida” é o livro de Anna, que inclui uma crítica à presidência de Putin, assim como à progressiva perda da liberdade no país. Um trecho do livro dizia: “Estamos caindo no abismo soviética, em um vácuo de informação que impede a morte de nossa ignorância”. 

Alexander Litvinenko foi envenenado com uma dose de polônio-210 e morreu em 2006, semanas depois de ter dado entrado no hospital. Ele havia fugido da perseguição russa, tendo sido recebido no Reino Unido, onde conseguiu asilo. Ele também denunciava o uso dos serviços secretos em favor de Putin. 

O advogado Stanislav Markelov e a jornalista Anastasia Baburova também tiveram um fim trágico como resultado das críticas ao totalitarismo. Ambos foram mortos à tiros em 2009. 

A ativista Natalia Estemirova, que trabalhava na investigação de abusos cometidos nas guerras da Chechênia, foi sequestrada em 2009. Dias depois, foi encontrada morta em um bosque próximo a Moscou, com ferimentos de bala na cabeça e no peito.

Essas mortes todas, aliás, parecem ter uma mesma característica: parecem ter sido planejadas como um recado ao povo russo. Este é o recado: não é seguro discordar de Putin. Pois mesmo sendo todas mortes bizarras, Putin ainda conta com um poder ditatorial para não ser oficialmente acusado de crimes. 

Esta mistura de medo e falsa democracia é um dos legados mais perversos da mistura do stalinismo e do gramscismo. Maduro, infelizmente, logo deve ir para o mesmo caminho. E, se isso ocorrer, não demorará para outros tiranetes bolivarianos seguirem o mesmo padrão, principalmente se considerarem que o gramscismo não está sendo suficiente para manter seu curral de gente adestrado.
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