segunda-feira, 2 de março de 2015

O que a direita tem contra o PMDB?


Imagem: Ueslei Marcelino / Reuters
Por Paulo Eneas

A possibilidade real de impeachment da presidente Dilma Rousseff já se tornou uma realidade e está em pauta no cenário político, nas manifestações de rua, na imprensa e nas redes sociais, e principalmente no âmbito institucional no Congresso. O PT tentou, dessa vez sem sucesso, usar a mesma estratégia anti-política que vem usando há anos na construção de seu projeto de poder: desqualificar seus oponentes (no caso, os que defendem o impeachment) tentando impor a eles a pecha de golpistas, em vez de discutir o mérito da proposta. Não deu certo. O tema se tornou realidade e as pessoas o discutem abertamente e sem medo de serem taxadas de golpistas.

Curiosamente muitas pessoas no campo da direita tem se manifestado com certo desalento diante da possibilidade de impeachment, afirmando que caso ele ocorra e, dependendo de certas tecnicalidade jurídicas, a presidência da República seria ocupada por Michel Temer do PMDB e, portanto, não será de grande valia, pois seria “tudo a mesma coisa” e estaríamos apenas trocando seis por meia dúzia.

Ora, é um grande erro colocar o PT e o PMDB no mesmo patamar. O PMDB, com todos os seus vícios (que não são poucos) tem sido o grande fiador da democracia brasileira desde 1980. Prova disso é que desde a redemocratização nenhum presidente governou o país sem o apoio do PMDB, que ainda é o maior partido nacional. O PMDB tem uma história de compromisso com a democracia e com as instituições que remete às suas origens: o partido nunca atentou contra as instituições democráticas; nunca destruiu uma estatal, nunca tratou seus corruptos (e eles tem mesmo gente corrupta) como heróis; nunca atentou contra a liberdade de imprensa e as liberdades individuais; o PMDB nunca avalizou uma política externa que subjugasse os interesses da nação a projetos ideológicos autoritários internacionais.

O PT por sua vez mostra cada vez mais aquilo que ele sempre foi desde a sua origem, e continua sendo e nunca deixou de ser: um legítimo herdeiro do que existe de pior na tradição esquerdista de traço stalinista: tem um projeto de poder permanente autoritário e antidemocrático para o país; usa a mentira, o cinismo e a dissimulação da realidade como método preferencial de se fazer política; aposta na divisão da sociedade, no aprofundamento de suas diferenças sociais (e até mesmo na criação de novas, onde não existem), como forma de legitimação de seu poder de viés autoritário.

O PT não se furta em subordinar os interesses do país e a própria soberania nacional aos interesses de ditaduras esquerdistas latino americanas nascentes ou consolidadas, como as de Cuba ou da Venezuela. Nos últimos quatro anos no poder, o PT destruiu os fundamentos da estabilidade macroeconômica do país, fundamentos esses que foram criados pelos tucanos com o apoio peemedebista na década de noventa e aos quais os petistas se opuseram desde o início.

O PT não teve nem está tendo pudor algum em destruir a maior estatal do país e em agredir direitos trabalhistas e sociais conquistados há décadas. E por fim, como cereja do bolo e numa demonstração inequívoca de seu desprezo pela opinião pública, o PT não se furta em exibir e tratar como heróis os seus corruptos condenados pela justiça.

É um erro portanto colocar PT e PMDB num mesmo plano. O PMDB ainda é sócio do PT no exercício do governo, mas não é nem nunca foi sócio do PT em seu projeto estratégico e ideológico de poder de longo prazo. O próprio PT sabe disso e por esta razão vem tentando desde o ano passado rifar o PMDB de sua base de apoio, em tentativas que tem se mostrado desastradas.

Portanto, não faz sentido certos setores da direita fazer objeções em relação ao impeachment por conta de objeções em relação ao PMDB. Claro que o PMDB está longe de ser o partido que a direita nacional espera e precisa ter. Mas também está longe de ser um mero apêndice do projeto autoritário de poder do petismo. Caso o impeachment ocorra, a presidente Dilma seja removida constitucionalmente do cargo e Michel Temer assuma, isso representará uma vitória para a democracia brasileira e tudo o que ela representa. Por isso devemos dar todo apoio a um eventual processo de impeachment na forma prevista pela Constituição e dar boas vindas a Michel Temer, se for o caso. Pois estaremos dando boas vindas à democracia e um adeus ao autoritarismo de esquerda petista.
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