terça-feira, 24 de março de 2015

O PT e a corrupção com recibo passado


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Paulo Eneas

A alegação do PT de que o partido não inventou a corrupção é tão legítima e sincera quanto a alegação de um homicida de que ele, o homicida, não inventou o homicídio. De fato não se tem notícia de quem cometeu o primeiro assassinato na história da humanidade, o que não impediu que as sociedades, principalmente as sociedades democráticas, estabelecessem leis rigorosas para punir quem tira a vida de outro ser humano. Da mesma forma, se a origem da corrupção é desconhecida em seus primórdios, isso não isenta de culpa quem a pratica.

No caso do PT, o partido realmente não inventou a corrupção convencional, mas tudo indica que a inovou em seu método de praticá-la, tornando a corrupção um método de se fazer política com o objetivo de solapar a democracia e as instituições republicanas de estado, de modo a assegurar a permanência do partido no poder. Para atingir esse objetivo central, o PT aparentemente sofisticou de tal modo a prática de corrupção, que introduziu a inacreditável figura da corrupção com recibo, conforme suspeita do Ministério Público nas investigações da Lava Jato.

A suspeita do Ministério Público é de que algumas das empresas envolvidas no esquema do Petrolão faziam a transferência dos recursos roubados da Petrobras diretamente para as contas do PT sob a forma de doação eleitoral legal, conforme sugerem os recibos de transferência e de depósitos bancários feitos pela empresa Toyo Setal, exibidos pelo seu proprietário, o empresário Mendonça Neto, no âmbito de sua delação premiada. Caso essa suspeita seja comprovada, o PT na condição de pessoa jurídica, teria cometido o crime de lavagem de dinheiro, o que daria margem legal à possibilidade de cassação do registro partidário.

Todos se lembram que durante o julgamento do Mensalão, o PT usou do eufemismo de “recursos não contabilizados” para justificar e se defender da acusação de uso de recursos de origem ilegal nas campanhas do partido. Parece que ciente desse risco e muito seguro de sua impunidade, o partido mudou de estratégia e passou a também contabilizar os recursos de origem supostamente ilegais, por meio das inovações sofisticadas que o partido introduziu na maneira de fazer corrupção na máquina do estado.

Caso se confirmem as denúncias, ao introduzir a figura da corrupção com recibo passado, o PT passou também um segundo recibo: um recibo para a sociedade, atestando seu total desprezo pelas instituições republicanas, pela legalidade e pela democracia, uma vez que o único objetivo do PT é desmantelar essas mesmas instituições para assegurar a implantação de seu projeto de poder bolivariano autoritário e antidemocrático. Mas a sociedade civil brasileira não vai permitir que isso aconteça: o Brasil ainda vai derrotar o PT, e essa derrota será imposta com as armas que a lei e a democracia oferecem.
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