terça-feira, 17 de março de 2015

O lobo Underwood


Por Marcus Vinicius Motta

Do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, em entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura:

- Não há motivos para impeachment neste momento.

Atenção para este trecho: N-E-S-T-E M-O-M-E-N-T-O. :) 

Sabe quando ele diz que o impeachment da Dilma é descabido, inconstitucional ou impensável? É a mesma coisa que diretoria de time dizendo que o técnico está prestigiado. Geralmente ele cai na mesma semana.

Eduardo Cunha jamais iria dizer assim do nada que só está esperando a oportunidade para jogar o impeachment da Dilma no plenário, ainda que estivesse pensando nisso (o que não afirmo que esteja). Ele não chegou onde chegou sem ser considerado um político de massas, mas, ao contrário, o Frank Underwood brasileiro, abrindo o jogo assim no mole, oferecendo o flanco para o adversário.

O dia que o Eduardo Cunha falar em admissibilidade de impeachment, podem ter certeza de que a Dilma já caiu. Por enquanto ele vai se cacifando com jogadas de mestre, envolvendo adversários e colhendo alianças. 

Arrisco a dizer que o Cunha é hoje o maior estrategista do país. Não é um monstro na oratória e nem no carisma, mas é um gênio no xadrez e já percebeu uma coisa: com o PT só existe espaço para petistas ou lacaios e ele não quer ser nenhum dos dois.

Por isso não abre o jogo, emite sinais trocados e confunde a platéia. Mas preste atenção nisso que ele disse hoje no Roda Viva:

- Vi duas pautas nas manifestações do dia 15 de março: contra a corrupção e contra o governo.

E mais:

- O PT passou a fazer tudo aquilo que condenava e pensava que nós fazíamos.

Ou seja, o Frank Underwood brasileiro está que nem um lobo faminto escondido na moita esperando o cabritinho montês passar dando mole. Quando isso acontecer, bem, Dilma vai acordar dentro de um caminhão de mudança.

Mas se tiver que ser, não será agora. Não neste momento.
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