quarta-feira, 4 de março de 2015

O jogo de Lula na "pacificação" com PMDB em busca de manter o poder


Jorge William / Agência O Globo
Por Aitofel de Souza

É fato conhecido que a relação entre o PMDB e o PT está na categoria "unha e carne". Unha de um na carne de outro. Lula é um sujeito tão acostumado com o poder que vê nele o afrodisíaco supremo. Ao ver a possibilidade de perder este poder, fará de tudo para mantê-lo. Para isso, a figura mais carismática do PT é usada para angariar apoio, na busca de redução das ameaças e dos riscos, conforme matéria do Globo, "Lula quer pacificar relação com o PMDB nos estados para garantir governabilidade de Dilma":

RIO — Em meio à crise entre PT e PMDB que se espalhou pelos estados e coloca em risco a governabilidade da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou um processo de pacificação com o principal partido da base aliada. A relação entre petistas e peemedebistas já dá sinais de reaproximação no Rio e em São Paulo. No entanto, em Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul o discurso ainda é de enfrentamento, com reflexos no Congresso, tornando a tarefa de Lula mais árdua. Em Minas Gerais, a aliança também começa a apresentar desgaste.

Os petistas temem pelo PMDB no comando da Câmara dos Deputados e do Senado e o movimento pelo impeachment de Dilma lançado pela oposição. Sob pressão da Executiva Nacional, o PT fluminense foi em busca da reaproximação, e o presidente regional, Washington Quaquá, se reuniu com o presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, na última quinta-feira.

— Chegamos a um consenso. Nós temos o entendimento pleno no Rio em relação a uma aproximação com o PMDB. A disputa regional foi um outro momento (a candidatura derrotada do senador Lindbergh Farias ao Palácio Guanabara no ano passado), estávamos em lados opostos, mas nacionalnente, não. (Eduardo) Cunha (presidente da Câmara), Leonardo (Picciani, líder do PMDB na Câmara) e (Jorge) Picciani serão importantes nesse momento para construir essa governabilidade. A presidente ganhou e é preciso respeitar o resultado das urnas — disse Quaquá, que admite ter desandado, no governo Dilma, a relação com a base. — Os partidos aliados deixaram de ser tratados como aliados e passaram a ser tratados como subalternos.

Quaquá, um dos defensores do rompimento com os peemedebistas no ano passado, sugere agora uma aproximação com Eduardo Cunha e uma conciliação com o PMDB para garantir a governabilidade e a provação de reformas propostas pelo PT. Depois de defender a candidatura do PSOL para a prefeitura do Rio, o petista também já fala em apoiar o PMDB na capital:

— O governo precisa melhorar a interlocução. O PMDB tem o vice, seis ministérios, é aliado. O PT precisa perder essa arrogância.

A interlocução entre PT e PMDB no Rio tem sido feita pela deputada estadual Rosangela Zeidan, mulher de Quaquá. Com perfil conciliador e atuação nos bastidores, ela articulou o encontro do marido com Picciani, após propor na tribuna da Alerj um entendimento entre os partidos. Zeidan também apoiou Picciani para a presidência da Casa. 
Veja um pouco como anda a briga nos estados:
São Paulo — O vice Michel Temer fez uma espécie de intervenção no estado para garantir a paz entre PMDB e PT. A relação foi desgastada com a campanha antipetista de Paulo Skaf (PMDB) ao governo. Temer e PT selaram entendimento que levou o ex-deputado Gabriel Chalita a se tornar secretário da gestão de Fernando Haddad (PT) na prefeitura paulistana.

Minas — Começam a surgir ruídos na relação entre PT e PMDB. Há um descontentamento do PMDB com o pouco espaço na gestão do governador Fernando Pimentel. Acusam o petista de ser centralizador e de não dividir o poder. As reclamações chegaram a Brasília, e os partidos trabalham para resolver as diferenças e evitar a saída do PMDB do governo.

Bahia — Presidente regional do PMDB e secretário nacional do partido, Geddel Vieira Lima faz oposição ao PT e defende o fim da aliança nacional. Mas afirma que o momento é de “conversar” em função da crise econômica.

Pernambuco — À revelia da aliança nacional entre o PT e o PMDB, a bancada peemedebista exerce forte oposição ao PT. Somente o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio (PMDB), tem interlocução com Michel Temer e assume a posição de aliado.

Espírito Santo — O PMDB isolou os petistas no estado. A eleição de Paulo Hartung ao governo e de Rose de Freitas ao Senado tornou o PT um partido periférico e com pouco peso político.

Rio Grande do Norte — O PT integra o governo de Robinson Faria (PSD), ao qual os peemedebistas fazem oposição. A derrota de Henrique Eduardo Alves (PMDB) levou o partido ao isolamento.

Maranhão — A relação entre os dois partidos extrapola as divisas do estado. O ex-presidente José Sarney demonstra mágoa com Dilma. Seu grupo político detectou interferência do Planalto na reta final das eleições ao governo, que elegeu Flávio Dino (PCdoB). Petistas integram a gestão Dino.

Ceará — Desde que o senador Eunício Oliveira (PMDB) perdeu a disputa ao governo para Camilo Santana (PT), ligado ao ministro Cid Gomes (PROS), peemedebistas e petistas romperam relações. O PMDB virou oposição.

Piauí — Os peemedebistas, derrotados ao governo pelo ex-senador petista Wellington Dias, lideram a oposição na Assembleia Legislativa junto com o PSDB. 
Mato Grosso do Sul — O convívio pouco amistoso entre o senador Delcídio Amaral (PT) e o ex-governador André Pucinelli (PMDB) levou à eleição do tucano Reinaldo Azambuja para o governo do estado, do qual PT e PMDB não participam. São críticos à gestão tucana, mas atuam em separado.
Apesar de muitos hoje já saberem quem realmente é Lula, o número de pessoas com a noção do mal que ele causou ao país ainda é muito pequeno. Mas na realidade política de hoje no Brasil, é um fato que o controle político do PT está sob risco. 

Para o partido, uma das prioridades é dominar a Câmara. Em relação ao Congresso, já não podem mais contar com a Petrobrás e o BNDES para isso, reduzindo muito o poder to partido. Nesse contexto de enfraquecimento petista, não se admira também vermos figuras como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se tornar uma das vítimas dos patrulheiros petistas na mídia. Desgastá-lo, afim de pressioná-lo para "amolecer" diante do PT, será uma das metas do partido. 

Do nosso lado, cabe pressionar o PMDB para ficar do lado do povo (e não do PT), enquanto expomos a imundície do comportamento petista. 

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