quinta-feira, 12 de março de 2015

Não, você não precisa aturar a tosse da vaca


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Marcus Vinicius Motta

Tenho ouvido e lido muito por aí a seguinte cretinice: por que os eleitores da oposição estão irritados, acusando a Dilma de estelionato eleitoral, se o que ela está fazendo é justamente o que o Aécio supostamente faria, ou seja, uma correção de tarifas, de juros, aperto de cinto e austeridade com o Armínio Fraga?

Como sei que petistas, na maioria, não são burros, mas pilantras intelectualmente - burro é quem acredita no papo deles - vou elencar algumas razões pelas quais qualquer um pode sim, criticar o PT pelo estelionato eleitoral que cometeu em 2014 e pedir a cabeça da doutora pelo caos em que o país agora se encontra. Vamos lá.

1) Antes de mais nada a suposta presidenta passou a campanha inteira jurando que tudo ia bem e que somente "pessimistas de plantão" viam sinais de deterioração da economia, ou seja, uma mentirosa.

2) Porque esse ajuste poderia ser bem menos urgente e draconiano caso tivesse começado há um ou dois anos, porém sem populismo monetário a governanta não teria sido reeleita. O resultado é que represou preços, juros e tarifas para só depois de vencer a eleição soltar o kraken do arrocho em cima dos patetas que votaram nela.

3) Porque a propaganda cretina de João Santana - feita em nome de Dilma - pintava os adversários como "rentistas que fariam a comida sumir da mesa do pobre", que "plantariam inflação para colher juros" e que "mexeriam nos direitos do trabalhador", algo que a suposta presidenta jurava que jamais iria fazer. Pois foi exatamente o que fez dois meses depois. De novo, mentirosa.

4) Dilma trata os cidadãos como se tivesse certeza de que todos são completos imbecis que vão acreditar em qualquer coisa que ela cuspa só porque saiu da sua boca, como, por exemplo, que o "mundo está em crise", quando na verdade é o Brasil que está pior do que praticamente todo o resto do mundo.

5) Se era para promover medidas de ajuste fiscal, equilíbrio de contas e cortes, seria melhor recorrer ao original do que ao genérico. Armínio Fraga sob a presidência de Aécio Neves faria isso de forma decidida, direta e como deve ser feito, emitindo ao mercado sinais de que o país está dando um freio de arrumação. O ajuste caótico promovido por Joaquim Levy, um Armínio paraguaio e ainda por cima sob tiroteio do próprio PT, é incompleto e incerto, causando este cenário de desarranjo que vemos agora.

6) Porque seus próprios eleitores não escolheram o modelo adotado depois da vitória suja, votaram em alguém que jurava que a farra monetária e a gastança desenfreada não parariam. Tinha que parar, claro, e é bom que pare, mas estes também foram enganados. De novo, mentirosa.

7) O eleitor da oposição não votou apenas num plano de ajuste econômico, mas num modelo de país onde o aparelhamento do Estado não sirva aos interesses de um partido e onde marginais do MST, vagabundos de sindicados, parasitas de ONGs e sanguessugas de movimentos sociais não são usados num plano de eternização no poder de um bando que deseja censurar a imprensa, calar as vozes dissonantes e promover não apenas uma luta de classes, mas uma guerra dentro da sociedade para dividir e assim continuar sua pilhagem.

Como podem ver, não há incoerência alguma em criticar Dilma tanto pelo que faz agora, quanto pelo que não faz. Simplesmente porque está fazendo mal feito algo que não foi eleita para fazer.

Incoerência é defender esse governo do PT, e ainda que seja uma incoerência bem remunerada, não deixa de sê-lo.
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