terça-feira, 10 de março de 2015

Não sou conduzido, conduzo


Por Marcus Vinicius Motta

Fernando Henrique disse que não adianta um impeachment. Aloysio Nunes disse que quer ver a presidente "sangrar" no cargo. Setores do PSDB dizem que são favoráveis às manifestações, mas não ao impeachment.

O curioso é que não vi nenhum organizador ou cidadão que esteja disposto a ir para as ruas no dia 15 de março perguntar se o PSDB autoriza, apoia ou sequer concorda com suas propostas, estes protestos acontecem independente do partido, que, a exemplo do PT, parece não entender muito o que se passa à sua volta.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, é quem está um pouco mais sintonizado com o pulso das ruas. Sua retórica é quase a que todo cidadão cansado do império de mentiras e roubalheiras do PT deseja ouvir de seus representantes, mas isso não quer dizer que essa gente toda vá necessariamente seguir alguém.

Assim como o voto em Aécio aglutinou pessoas diferentes sob o guarda-chuva do anti-petismo - que hoje é a maior força política nacional - essas manifestações que ocorreram no último dia 8 e que ocorrerão no próximo dia 15 não tem um partido ou político em comum a guiá-las. Quem tentar, vai se estrepar.

Grande parte do PSDB parece não ter percebido que é o partido, SE QUISER, que vai ter que seguir os eleitores, não o contrário. E essa gente toda tem uma agenda única e inegociável: FORA PT.

Se Dilma tiver cometido crime de responsabilidade, sofrerá, sim, impeachment, caso as ruas clamem por isso. Quando a rua quer, o Congresso segue. Isso não é golpe e nem ruptura, é a lei.

O resultado das eleições continuará sendo respeitado já que foram eleitos Dilma E Temer, no impedimento dela, assume o vice da chapa vencedora.

"Sangrar" o presidente no poder foi tentado com Lula em 2005 e deu no que deu: esse buraco em que estamos hoje.

Além de mau gosto, essa expressão "sangrar" é ridícula. Disputa política não é menstruação. Não funcionou antes e nem vai funcionar agora.

Todos à rua e o PSDB, se tiver interesse, que vá atrás.
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