segunda-feira, 2 de março de 2015

Menos Capriles e mais Leopoldo Lopez


Imagem: Archivo Noticia Al Dia
Por Pedro Eneas

No momento em que o país vive um aguçamento de sua crise política, econômica e social, figuras expressivas da oposição política deveriam se empenhar para exercer o papel lhes foi conferido pelas urnas: o de ser oposição de fato. Esse infelizmente parece não ser o entendimento do senador tucano José Serra. Após manter-se em quase silêncio por um longo período depois das eleições, quando os paulistas impuseram uma derrota acachapante ao PT e elegeram o senador tucano com cerca de dez milhões de votos, Serra reaparece na imprensa com um discurso totalmente desconectado da realidade política.

Em uma entrevista ao site da Revista Veja, o senador procurou o tempo todo se desviar das questões políticas mais duras, a despeito dos esforços da excelente jornalista que o entrevistava. Durante cerca de uma hora, o senador procurou tratar de outros temas que, embora sejam importantes, não estão no centro da pauta política do país no momento. Pauta essa que ele parece preferir ignorar. Em entrevista ao site do UOL, Serra falou da necessidade do governo se desfazer de parte da Petrobrás como forma de recuperar a estatal. Aí é que reside o problema: toda a fala do senador dá a entender que o problema da estatal petroleira é de gestão, quando na verdade sabemos que não se trata disso.

Os problemas de gestão da Petrobrás, e que são muitos, são decorrência do fato de a empresa ter sido colocada a serviço do projeto político de poder autoritário e antidemocrático representado pelo PT. Identificar os problemas de gestão da estatal é tarefa de um consultor técnico de administração. Denunciar a origem política dos problemas de gestão na empresa é tarefa do líder politico oposicionista. José Serra foi eleito para ser líder oposicionista e não para ser consultor casual do governo petista, pois é esse o papel que ele está desempenhando esses dias.

O Brasil vive um momento delicado, em que fica cada vez mais evidente a absoluta incapacidade de Dilma continuar governando o país devido a sua incompetência ímpar na administração da coisa pública, sua incapacidade de articulação política e a incapacidade de seu partido de fazer interlocução política com qualquer setor da sociedade, pois o PT há muito tempo perdeu essa habilidade. O ambiente político se radicaliza por conta das atitudes da própria liderança do PT, a começar por Lula, com suas bravatas demagógicas irresponsáveis acompanhadas de ameaças explícitas de jogar o país numa guerra civil. Soma-se a isso a adoção da violência e da agressão física contra opositores por parte dos milicianos petistas disfarçados de militantes partidários.

Em meio a esse cenário, uma liderança como José Serra tem a obrigação até mesmo moral de desempenhar o papel que lhe cabe e para o qual foi eleito, e isso ele não está fazendo. Se José Serra não tem vocação para se tornar um Leopoldo Lopez brasileiro, ele também não deveria se esforçar tanto para ser um Henrique Capriles. Ele deveria olhar para a Venezuela e ver o que acontece com um país quando os líderes políticos comprometidos com a democracia e com a liberdade se acovardam e se recusam a desempenhar o seu papel em momentos de crise.
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