sexta-feira, 20 de março de 2015

Marta Suplicy, quase fora do PT, mas nunca fora do petismo


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique

Marta Suplicy se prepara para disputar a prefeitura de São Paulo. A candidatura será pelo PSB, aquele partido do Foro de São Paulo que gosta de fingir ser alternativa ao PT. O PSB é o partido de Marina Silva, candidata das últimas eleições que "quase" foi para o segundo turno com o PT. Ela "quase" foi para o segundo turno, assim mesmo com as aspas, pois Aécio Neves (PSDB) tinha 50% a mais de votos nas urnas do que as pesquisas de boca de urna insistiam em indicar ao final do primeiro turno .

Aécio, segundo as pesquisas, tinha um pouco mais de 20% e nas urnas teve um pouco mais de 30%, ou seja, ao invés das pesquisas terem 2% de margem de erro, como de costume, excepcionalmente tiveram uma margem de 10%, ruindo a credibilidade das pesquisas eleitorais. 

O que teria provocado um erro tão grande nas pesquisas do primeiro turno em todos os principais institutos de pesquisa? Será que foi o dedo podre do PT ou do Foro de São Paulo? Será que é o interesse de estabelecer uma "nova política", que junte os melhores de cada partido e supere a polarização PT-PSDB como era anunciado pela Marina Silva? Ora, a tal "nova política" de Marina é rigorosamente a mudança dialética marxista. Na dialética, existem uma tese (PT) e uma antítese (PSDB) conflituosos, que são superados em uma síntese (PSB). A síntese é aquilo que Marina chamava de "juntar os melhores dos partidos". A síntese na dialética se torna a nova tese que vai entrar em conflito com a antítese. Marina buscava que o PSB se tornasse a nova tese e o PT a nova antítese, consolidando uma situação política soviética: só se pode discordar em como um implementar um plano político, mas nunca contestar o plano.

Marta Suplicy, quase dentro do PSB, quase fora do PT, sabe que para ter chance de ganhar a eleição para a prefeitura de São Paulo, precisa descolar sua imagem do PT. Não só para ganhar, mas apenas para competir, pois o PSB tem medo de ser associado ao PT e talvez nem aceite a candidatura de Marta (apesar de provavelmente aceitar sua filiação). Pensando na eleição de São Paulo, Marta tem feito críticas "contundentes", mas sabemos que é só teatro. Os partidos do Foro têm os mesmos objetivos e os mesmos métodos para implementá-lo, apresentando apenas algumas pequenas diferenças táticas. Se ela estava realmente insatisfeita com o modo de fazer as coisas do PT, então por que foi se filiar a outro partido membro do Foro de São Paulo?

Os ratos estão abandonando o barco antes que ele afunde, mas abandonar o barco não é abandonar a frota. Marta Suplicy sai do PT, mas o petismo não sai dela.
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