quinta-feira, 12 de março de 2015

Marina Silva reaparece e perde a oportunidade de permanecer calada


Imagem: Fábio Braga / Folhapress
Por Paulo Eneas

Como uma fênix que não renasceu direito das cinzas por causa do aquecimento global fajuto, Marina Silva alçou um voo destrambelhado devido ao GPS com defeito e foi pousar na Universidade de Harvard (tinha que ser Harvard? Não podia ser algo menos blasée, tipo USP Leste?) para não perder uma oportunidade excepcional de dizer aquelas platitudes de celebridades políticas de terceiro mundo que encantam a embasbacada esquerda norte americana.

Usando da sapiência transcendental que é só dela e de nenhum outro ser vivo, ela recitou como um oráculo da floresta amazônica que “não se troca presidente como se troca de camisa”, uma afirmação que deve ter agradado e muito aqueles 7% (sete por cento!) da população que estão satisfeitos com a camisa que tem, ainda que ela esteja rôta, fedida, suja, rasgada e cause vergonha de usar. Mas afinal é uma camisa da qual se orgulham: “Minha Camisa, Minha Vida”.

Ela aproveitou também para nos ensinar que corrupção é culpa de todos e, portanto, de ninguém, repetindo assim a pérola de estupidez intelectual que o jornalista Bob Fernandes apresentou num vídeo que anda circulando por aí, impressionando os incautos e alegrando os petistas. Segundo a fênix Marina, a culpa pela corrupção não é da Dilma, nem do Sarney, nem do Renan, nem de FHC e muito menos de Cabral que teve a infelicidade de aportar na Terra de Santa Cruz. 

Não. A culpa pelo roubo de dezenas bilhões na Petrobrás, pelo rombo do setor elétrico, pelo estouro das contas públicas, pela volta da inflação, pelo desemprego e recessão que já batem em nossa porta, pelas centenas de milhões enviados a Cuba e a outras ditaduras amigas da África, a culpa disso tudo é desse redator coxinha, de você leitor ou leitora, de seu vizinho. A culpa é da faxineira e do pintor da feira internacional da construção, que além de serem culpados pela corrupção, ainda tiveram a deselegância de bater panelas e de vaiar a presidente Dilma, justo ela, que não tem culpa de nada.

Plateias de esquerdistas gringos como os de Harvard costumam ser composta de gente muito rica, fina, educada e politicamente correta. Caso contrário, alguém com menos educação, mas com um pingo de juízo, se levantaria e diria: “Marina, porque não te calas?”
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