domingo, 15 de março de 2015

Jacques Wagner avisa que o governo vai tentar dar golpe em resposta às manifestações


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Luciano Ayan

Imagine a seguinte situação: uma mulher vai a Delegacia das Mulheres denunciar seu marido por estupro e diversas outras violências. Ao saber disso, seu marido pede a retirada das queixas dizendo que tudo vai mudar. Ele propõe a partir de agora a solução do problema: dividirá a esposa com os amigos em práticas de gangbang e compartilhará de maneira "democrática" as agressões, pois vários deles são sádicos também. 

Se você acha esta situação absurda, espere até ver como se comportou o ministro petista Jacques Wagner, ministro da defesa, que em "resposta às manifestações" sugere um golpe petista que não passa de afronta. Um verdadeiro tapa na cara dos brasileiros. Enfim, essa espécie é incorrigível. 

Wagner diz o seguinte
Agora, passadas as manifestações, esta energia política das ruas deve ser canalizada para um enfrentamento objetivo de nossos principais problemas, como a corrupção e seu enraizamento cultural e o déficit de representatividade. E a primeira resposta a ser dada, tanto pela sociedade como pela classe política, a meu ver deve ser um pacto para aprovar a reforma política, pois tal como está, este sistema não pode continuar.
Quem disse que a manifestação foi pela reforma política? Simples. Ele inventou. Mas o motivo para esta palhaçada pode ser mais compreensível na demanda principal da reforma política, como vemos abaixo:
Acabar com o financiamento privado de campanhas e adotar o financiamento público. A sociedade entenderá que o Estado não estará gastando mais com a política, mas economizando recursos que sairiam pela outra porta, a da corrupção decorrente das relações promíscuas entre agentes políticos e financiadores privados. O financiamento público fechará esta porta e poupará a democracia brasileira de ser frequentemente açoitada pelos escândalos de corrupção que, segundo a própria Polícia Federal, em sua grande maioria têm relação com o financiamento de campanhas e partidos. Veja que a distribuição dos recursos legalmente doados pelas grandes empreiteiras aos três maiores partidos, PT, PMDB e PSDB, foram bastante equilibradas. Segundo dados do TSE, que vocês publicaram, em 2010 a proporção foi de 24% para o PMDB, 23% para o PT e 20% para o PDB. Em 2014, foi de 25% para o PT, 24% para o PSDB e 21% para o PMDB. O empresário apostam em ter boas relações com todas as forças políticas, que estarão no governo federal, governos estaduais ou no Congresso. Aqui não existe o alinhamento de empresas com este ou aquele partido, como em outros países. Eles não vestem nenhuma camisa, tratam de estar bem com todos. Com o financiamento público de campanhas, este relacionamento íntimo entre os doadores e os partidos acaba.
Espere aí, vamos com calma, pois ele acabou de propor o golpe aqui. 

Não há financiamento exclusivamente público de campanha em lugar algum do mundo civilizado. Assim sendo, como ele pode sugerir esta proposta como a panaceia para a corrupção?

O fato é que o PT busca o poder totalitário, e a proposta acima é feita unicamente para permitir que o partido se eternize no poder. 

Não é preciso fazer uma investigação profunda para chegarmos a essa conclusão. Basta conhecermos o básico de matemática. 

Pegue a calculadora e confira. 

Na última eleição, o PT teve 320 milhões em doações de campanha. O PSDB teve 290 milhões. Mas há uma variável escondida, pois o governo gastou 200 milhões em publicidade institucional, que só serviu ao PT. Portanto, o PT teve de fato 520 milhões em campanha. Logo, no cenário atual, o PT tem 79% a mais de poderio financeiro que o PSDB. E mesmo assim quase se complicou, pois o partido venceu raspando. (Isso que eu não estou nem contando com o financiamento para a blogosfera estatal, nem a Lei Rouanet, além de outras formas de aparelhamento. Estou sendo até caridoso para fazer a conta.)

Agora imagine um limite para o financiamento público de campanha, que evidentemente não será o mesmo valor atual. Que tal 2 milhões para cada deputado eleito? O PT tem 70 deputados, e o PSDB 54. Neste caso, o PT teria 140 milhões, enquanto o PSDB 108 milhões. Justo e proporcional, não? Mas você se esqueceu dos 200 milhões de verba institucional, que seguem na mão do governo. Logo, o PT teria 340 milhões, enquanto o PSDB 108 milhões. Agora nós temos o PT com 214% a mais de poderio financeiro que o PSDB. E se o PMDB for para a oposição, será mais ou menos essa a disparidade também. 

O que significa então "financiamento exclusivamente público de campanha"? Um golpe petista para se eternizar no poder a partir do aumento de poderio financeiro de seu partido (pelo monopólio do uso da verba estatal), e retirada de poderio financeiro de adversários. 

Se duvidam, peguem a calculadora e façam as contas. 

É por isso que Wagner está tão empolgado:
Este pacto, que é urgente, deve perseguir o maior avanço possível no financiamento de campanhas. Para mim, seria com a aprovação do financiamento exclusivamente público. Vamos ver. O importante é acelerarmos o processo. Como disse no início, é hora de dar consequência à energia dos que foram às ruas.
Notaram? Ele está pegando a energia dos que estão indo às ruas contra o PT para lançar uma demanda que aumentaria o poder do PT, mutilando todos seus adversários políticos (retirando deles a capacidade de luta e combate), tudo para se eternizar no poder. 

Jacques Wagner ultrapassou a linha da afronta tradicional. É de causar ânsia de vômito.

Vocês vão tolerar isso?
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