segunda-feira, 9 de março de 2015

FHC e Aloysio Nunes voltam ao mesmo discurso patético de apaziguamento dos tempos do Mensalão. Haja paciência com os tucanos.


Imagem: Geraldo Magella / Agência Estado
Por Luciano Ayan

Tanto FHC como Aloysio Nunes lançaram hoje discursos lastimáveis com o mesmo tipo de apaziguamento repulsivo que o partido demonstrou na época do Mensalão. Quem não se lembra do papo-furado tucano da época: "vamos deixar Lula sangrar". Como resultado, viram Alckmin, Serra e Aécio perderem as três eleições seguintes, enquanto viam o PT usar a máquina estatal contra eles impunemente. 

Eles não aprendem e gostam de aparecer como tolos perante o público. Veja um trecho da matéria: "FHC diz que não adianta tirar Dilma e Aloysio quer ver presidente sangrar":
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira (9) que a saída de Dilma Rousseff não irá resolver a crise política por que passa o governo.
"Não adianta nada tirar a presidente", disse FHC, de acordo com o site do "Valor". Ele já havia se colocado contra o impeachment.
No mesmo evento, realizado no Instituto Fernando Henrique Cardoso, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) –ex-candidato a vice na chapa de Aécio Neves– também disse ser contra o impeachment. O tucano afirmou que prefere ver a petista "sangrar" nos próximos quatro anos, quando encerrará o seu segundo mandato.
"Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer (PMDB)", disse Nunes Ferreira. Ele é defensor dos protestos agendados para este domingo (15).
O tucano afirmou que, embora seja contra o impeachment de Dilma, enxerga a manifestação de forma positiva por representar um protesto contra o governo federal por uma série de fatores, como os escândalos de corrupção na Petrobras e as medidas de ajuste fiscal anunciadas recentemente que foram negadas pela presidente durante a campanha eleitoral.
"Vejo essa palavra [impeachment] como expressão de rechaço à ordem atual, sem entrar no mérito", declarou. O senador também previu um quadro de crise política sem perspectivas de saída dada a falta de capacidade da presidente em liderar esse processo. Segundo ele, Dilma está desvinculada da realidade nacional.
"Vivemos um quadro de polarização com ausência de diálogos entre os polos. Lembrando o pronunciamento da Dilma ontem, parece que ela é presidente de Plutão", ironizou o tucano. Dilma, ressaltou Aloysio, governa sem atributos para estimular a economia e pacificar a base aliada no Congresso.
Para justificar a análise, observou que os dois principais partidos da base, PT e PMDB, já lançaram, respectivamente, o ex-presidente Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, como pré-candidatos à Presidência em 2018. "Daí a ideia de que o governo mal começou, mas já acabou."
O senador, porém, reconheceu que o PSDB falhou no debate político durante as últimas eleições ao Planalto. "O PSDB deixou o PT carimbar sobre nossa pele a tese de que somos um partido da elite. Deixamos que isso se estabelecesse, que fosse o fato consumado. Isso começou a mudar nesta última eleição", declarou.
O discurso de FHC beira o infantil. Não merece nem sequer avaliação. 

Já o discurso de Aloysio Nunes é bem pior. Para começar, que papo é esse de dizer que não há diferença entre Dilma Rousseff e Michel Temer? 

Até uma ostra sabe que tanto o PMDB como o PSDB não possuem histórico de implementar projetos totalitários. Só isso já é suficiente para mostrar que qualquer comparação de um partido democrático com o PT é desonestidade intelectual. 

Eu já elogiei a postura de Aloysio Nunes após o fim das eleições, por sua assertividade, mas aqui realmente ele nos decepciona profundamente. 

Eu até compreenderia que ele fizesse um argumento contra o impeachment. E mesmo até sobre uma tática a respeito de "deixar Dilma sangrar", mas aí de novo os tucanos assumiriam as responsabilidades pelos resultados. E devíamos cobrá-los se eles falharem de novo. 

Mas o pior de tudo é a tática de igualar qualquer outro político democrata com Dilma. Não, Sr. Aloysio, Temer não é igual a Dilma, e Capriles não é igual a Maduro. Para alguém que diz defender "democracia", tamanho relativismo é imperdoável. 

Tanto FHC como Aloysio deviam pedir desculpas por essa falha absurda. 

De nosso lado, só nos resta pressioná-los, usando termos fortes e deixando claro que fraudes intelectuais para salvar o PT são intoleráveis neste momento. 
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