segunda-feira, 16 de março de 2015

Duques e diques


Imagem: Geraldo Bubniak / Estadão Conteúdo
Por Paulo Eneas

Ainda atordoado e sem ter conseguido se recuperar do choque causado pela presença de mais de dois milhões de manifestantes nas ruas de todo o país nesse domingo exigindo o fim do natimorto governo Dilma, o PT começa a semana apavorado com a notícia da prisão de Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras. Apontado pelas investigações da Lava Jato como sendo “o homem do PT” no esquema de corrupção institucionalizada montado na empresa a partir do início da era petista, nas palavras de Pedro Barusco, em depoimento à CPI da Petrobras, Duque é tido como homem de confiança de José Dirceu.


Segundo analistas, o temor do PT é de que uma eventual prisão mais prolongada leve Renato Duque a aceitar um acordo de delação premiada que teria consequências muito mais devastadoras para o partido do que as que ocorreram até agora. Acredita-se que caso Duque decida revelar tudo o que, supostamente, ele sabe, isso representaria o rompimento dos diques que têm impedido até agora o PT de ser tragado pela onda que irá mais cedo ou mais tarde arrastar esse partido para a lata de lixo da história e apeá-lo do poder em definitivo.

Os ingredientes estão todos dados e só não enxerga quem não quer: crise econômica, um partido sem base social alguma, uma presidente zumbi com popularidade de um dígito, uma base de apoio parlamentar em frangalhos, milhões de pessoas nas ruas exigindo sua saída, e um homem bomba preso que poderá talvez a juntar as pontas, apontar o caminho das pedras e implodir de vez com tudo. A história do fim PT começou de fato nesse domingo e o enredo teve prosseguimento nessa semana com a prisão do homem que poderá romper com os diques.
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