terça-feira, 10 de março de 2015

Deputado do PP diz que não há dúvida: "partido acabou". Como já disse antes, bem feito!


Imagem: Luis Macedo / Divulgação / Câmara dos Deputados
Por Luciano Ayan

Ontem o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RR), um dos investigados na Operação Java Lato, disse que seu partido "acabou". 

Leia mais a partir da Folha:
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (9), acompanhado da família, o deputado chegou a chorar. Ele é um dos políticos que integram a lista de Rodrigo Janot, procurador-geral da República. 
"Sempre tive uma postura de enfrentar isso [corrupção]. Tenho que andar na rua e ver a sociedade me questionando sobre o que sempre preguei. Isso machuca, machuca a gente", disse chorando. 
Para o deputado, não há solução para seu partido. "Não há dúvida que o PP acabou", disse. 
As suspeitas contra o deputado surgiram após depoimento do doleiro Alberto Youssef. Em 12 de fevereiro, ele incluiu Goergen entre os deputados do PP que "com certeza" recebiam uma mesada. Segundo o delator, a bancada do partido dividia entre si valores entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,5 milhão. 
"Não adianta dizer 'vamos limpar, vamos mudar'. Se com o [caso de Paulo] Maluf era difícil mudar, imagina com tudo isso [Lava Jato]?", diz Goergen que chegou a pedir a expulsão de Maluf do partido quando era membro da juventude progressista. 
Goergen presidia o PP gaúcho quando a Operação Rodin, em 2007, apontou fraudes em contratos públicos realizados pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do RS. 
Diversos deputados estaduais estavam envolvidos no caso. Na época, Goergen dizia que eram casos individuais e não um problema partidário. 
Apesar do caso Detran, de acordo com o deputado, o PP gaúcho é diferente do nacional. "Do PP gaúcho podemos nos orgulhar", diz ele que sempre foi contrário à participação do PP na base aliada governista. 
Goergen, que deixou o diretório estadual do partido, afirmou que interpelará judicialmente Youssef para que ele prove seu envolvimento. O deputado diz que nunca conheceu o doleiro. 
"Espero que ele seja punido. Não vejo razão para meu nome aparecer. Se ele cita, ele obrigatoriamente tem que ter provas. Quero saber para quem entregou o dinheiro e quem recebeu", disse. 
"Eu sou citado em um depoimento em um contexto onde eu não era deputado federal. Isso me deixa com uma dúvida muito grande", diz. Segundo ele, suas cobranças ao envolvimento do partido no caso do mensalão podem ter provocado uma retaliação.
"Se a ideia é calar minha voz, não haverá silêncio", disse.
Isto está parecendo roteiro de filme americano. Sabe aqueles filmes em que os puxa-sacos do vilão acabam sendo jogados no rio de crocodilos? Ou então jogados fora de um carro em alta velocidade? É exatamente isto que aconteceu com o PP. 

Não estou conseguindo ficar com pena desse partidinho tão vergonhosamente servil ao PT por tanto tempo.
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