quarta-feira, 4 de março de 2015

Cunha enquadra Cid e exige que este aponte quem são os "400 achacadores"


Imagem: Montagem Brasil247
Por Luciano Ayan

Há um método que sempre defendi para a política que se chama "cobrar o preço da alegação". Isto significa atribuir um preço para qualquer declaração estapafúrdia de seu oponente. Infelizmente, às vezes direitistas e centristas pensam "ah, mais uma vez ele falou isso" quando a reação deveria ser "exatamente por ter falado isso, ele vai pagar o preço". E o preço tem que ser o da exposição e do ridículo. 

Nesse ritmo, Eduardo Cunha mandou muito bem ao cobrar o preço de Cid Gomes. Veja o texto "Cunha quer que Cid aponte 'os 400 achacadores'", do Brasil247:
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feria, 4, que colocará em votação no Plenário ainda nesta quarta-feira a convocação do ministro da Educação, Cid Gomes, para esclarecer, em Plenário, declarações de que “a direção da Câmara será um problema grave para o Brasil” com a atual presidência.
“Há um requerimento de convocação do ministro da Educação, vamos colocar a matéria sobre a Mesa e vamos aprovar e ele vai ter de explicar quem são os achacadores do Congresso”, disse Cunha.
Cid Gomes fez as declarações na última sexta-feira, 27, em Belém durante uma visita à Universidade Federal do Pará em reunião com professores e reitores de universidades federais. “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas”, disse o ministro
Indagado se Eduardo Cunha elegera-se com o aval do governo, o ministro da Educação respondeu: “Não foi não, querido, não foi não. Tudo o que a força política mais realmente comprometida, mais identificada com esse esforço que ampliou a oferta de ensino superior no Brasil e que tem compromissos sociais, que reduziu a miséria ou extinguiu a miséria, todas essas pessoas estiveram contra a eleição de quem foi eleito lá.”
Para Cunha, não é possível o Brasil ter o lema “Pátria Educadora” com esse tipo de declarações. “Um governo que tem como lema Pátria Educadora, não pode ter um ministro da Educação mal educado.”
A reação vai além da convocação para que Cid Gomes preste esclarecimentos em plenário. Segundo participantes da reunião de líderes, o ministro terá todos os interesses pessoais e de sua pasta bloqueados na Câmara até que se retrate. Segundo um parlamentar, Cunha disse que “vai até o fim contra o ministro”.
O episódio agrava as relações do governo com o Congresso na sua fase mais crítica, um dia após o presidente do Senado, Renan Calheiros, devolver uma Medida Provisória do Planalto, depois de recusar-se a atender telefonemas da presidente da República e do ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante.
Entenderam como funciona? 

Não se deixar nada do que um petista fala barato. Por exemplo, eles chamam seus oponentes de golpistas e quase ninguém cobra o preço. Tudo bem que na semana passada, muitos cobraram o preço por Lula ter declarado guerra civil. Mas isso é uma exceção. Deveria ser regra. 

Lembrando de novo a regra: para cada alegação de seu oponente (especialmente se for inválida) há um preço a ser pago. E você deve exigir que ele pague o preço pelas barbaridades que você falou. Não há alegação grátis em política. Se você não exigir que seu adversário pague o preço da alegação proferida, então é você que paga o preço.

Que Cunha sirva de exemplo neste caso. 
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