terça-feira, 10 de março de 2015

Caiado em mais detalhes: por que a sangria não serve neste momento


Imagem: Arnaldo Cruz / Agência Brasil
Por Luciano Ayan

Novamente, em sua página de Facebook, o Senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) explicou detalhadamente o motivo pelo qual a estratégia de "deixar sangrar", proposta por alguns tucanos, não convence:
Nobre Senador Aloysio,
Com todo respeito, não gostaria de polemizar com vossa excelência. Democratas e PSDB foram aliados nas últimas campanhas nacionais, mas cada um prescrevendo seu estilo, maneira de agir, mas sempre tendo respeito de comunicar aos pares (partidos de oposição) as nossas decisões de abrangência nacional.

Fui surpreendido pelas matérias com declarações de vossas excelências do PSDB dizendo que "não adianta tirar a presidente. Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer." O que é isso senador Aloysio, senão um balde de água fria no processo de investigação das denúncias feitas pelos delatores sobre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula?
Sangria como tratamento nos primórdios da medicina usando ventosas e sanguessugas não faz mais parte do nosso arsenal terapêutico. Essa prescrição já deu errado. Repito: em 2005, quando o PSDB propôs a sangria de Lula no mensalão, o resultado foi a sangria da população. Fortaleceu o projeto lulo-petista ou bolivariano, como preferir. Isso nos levou a essa situação deplorável nos campos social, político e econômico do País. Jogou o País nessa grave crise institucional de proporções gigantescas.
O PSDB chutou a bola fora em 2005 e toda a oposição foi responsabilizada como omissa, vendida, negligente, subalterna, de rabo preso, entre outros adjetivos pejorativos. E agora, senador, a solução do PSDB é a sangria novamente?
Não acredito que o tão competente corpo clínico do PSDB vai apresentar como "conduta terapêutica" para o paciente chamado Brasil, que se encontra em estado grave, anêmico, espoliado, depauperado, a sangria. Não acredito!
Tive o privilégio de receber suas lições, como exímio professor de direito constitucional que é, e aprendi que o artigo 86 parágrafo 4º protege e exclui a presidente de ser responsabilizada por atos estranhos ao exercício de suas funções. Mas não impede a presidente de ser investigada. Essa que deve ser a nossa luta. Por que Dilma foi excluída das investigações? Lula a indicou presidente do Conselho da Petrobras, ela autorizou a compra de Pasadena. Ela nomeou Graça Foster, diretores, foi citada pelos delatores. Mesmo assim não pode ser investigada?
Caro colega, não vou lhe acompanhar na sangria, vou lutar para saber se Dilma e Lula tiveram responsabilidades sobre os crimes praticados contra a Petrobras. É isso que o povo brasileiro espera de nós. 
Ao finalizar, cito um pensamento que você me ensinou.
"Um dos pilares de nossa Constituição republicana é aquele segundo o qual a investigação é sim sempre permitida."
Um abraço do aluno Ronaldo Caiado

O que está mais claro aí em cima é a questão da responsabilização. Agora, já passamos da fase de apenas desgastar, mas pressionar os tucanos para que enfim ajam com oposição.

Eles devem estar cientes de que é fácil para muitos os acusarem de coniventes e até cúmplices com o governo petista. Caiado foi bem claro ao dizer que o partido teve uma chance em 2005 e chutou para fora. Em retribuição, viram a máquina estatal ser usada contra eles em três eleições. 

Está claro que os tucanos estão discutindo o código penal com um ladrão. Se continuarem por esse caminho, eles é que vão sangrar politicamente. Como sempre.
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