sexta-feira, 27 de março de 2015

A Secom e o departamento de agitprop petista


Imagem: Sérgio Lima / Folhapress
Por Paulo Eneas

A presidente Dilma nomeou Edinho Silva para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência de República, a Secom. Isso significa que esse órgão do estado, que tem a atribuição de fazer a distribuição da publicidade oficial do governo e das estatais para os diversos veículos de comunicação, além de comandar a Agência Brasil de Notícias e o programa de rádio A Voz do Brasil, ficará sob o controle e comando do PT, gerindo um orçamento de cerca de cinco bilhões de reais. Edinho Silva foi tesoureiro da campanha de Dilma à reeleição e, como informa O Antagonista, poderá talvez estar implicado nas investigações da Lava Jato.

Edinho Silva não permanecerá por muito tempo no cargo, podem estar certos disso. Nesse período, sua prioridade será tentar fazer na prática o que o PT sempre defendeu como doutrina, ainda que de maneira oblíqua e dissimulada e por meio de eufemismos: impor a censura e cercear a liberdade de imprensa. Para isso usará do formidável poderio econômico que o governo federal tem como anunciante para pressionar e influenciar o conteúdo dos diversos meios de comunicação, desde blogs na internet até às redes de televisão. O PT acredita piamente que seu maior inimigo é a imprensa, a despeito de nove em cada dez jornalistas dos principais veículos do país adotarem uma agenda esquerdista e serem pró-governo. Na verdade sabemos que o maior inimigo da liberdade de imprensa e de expressão e da própria democracia no país se chama PT. Edinho Silva, homem de partido, transformará a Secom num autêntico e genuíno Departamento de Agitprop (*).

A decisão de Dilma de entregar a Secom para o PT mostra que ela nunca esteve tão alinhada com o partido, a despeito das rusgas com a base parlamentar petista por conta da proposta de ajuste fiscal. Essas rusgas públicas não passam de encenação para a plateia de incautos. Os mesmos incautos que acham que estão na posição de “dar conselhos” a Dilma, sugerindo a ela que abandone o PT e que forme um gabinete de crise para salvar o país, como sugerido dias atrás por um conhecido jornalista e que comentamos aqui. Isso não vai acontecer: Dilma e PT são unha e carne, estão irmanados no mesmo projeto de cunho autoritário, bolivariano e antidemocrático. Quem aposta num possível rompimento de Dilma com o PT está sendo ingênuo ou está apenas tergiversando para ocultar a real preocupação: a derrocada de Dilma e do PT representará o fortalecimento das forças políticas conservadoras e de direita no país. Dilma não vai se livrar do PT nem o PT vai se livrar de Dilma. O Brasil é que precisa se livrar de ambos e quando isso ocorrer, os eventuais conselheiros bicudos casuais terão de escolher de que lado estarão.

(*) Nota: O termo agitprop remonta aos tempos da Revolução Russa em que o Departamento de Agitação e Propaganda do então Partido Comunista passou a ter tanto peso e importância quanto seu departamento político. Ao tomarem o poder, os comunistas transformaram seu departamento de agitprop em órgão de estado por meio dos sovietes. Assim, na simbiose entre estado e partido, a palavra de ordem oficial representando a ideologia e os interesses em primeiro lugar do partido, dada pelo departamento de agitprop, passou a ser ao mesmo tempo a palavra oficial do estado, ainda que não correspondesse em nada à realidade. A mesmíssima coisa que vemos ocorrendo já há algum tempo na propaganda oficial do governo brasileiro, que reflete os interesses e as visões do PT e não o interesse e a realidade da sociedade brasileira.
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