quinta-feira, 19 de março de 2015

A queda de Cid Gomes e uma lição para não esquecermos


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Luciano Ayan

Ontem Cid Gomes perdeu o cargo de ministro da educação. O noticiário oficial alega que ele pediu demissão. Nada disso. O PMDB pediu a cabeça de Cid depois dele dar um show de chiliques no plenário. 


O fato é que Cid foi convocado por Eduardo Cunha para explicar sua declaração, de algumas semanas atrás, de que na Câmara havia "uns 400, 300 deputados achacadores”.

Na sessão desta quarta, a maioria esperava um pedido de desculpas, embora alguns já defendam a tese de que o PT armou para que um de seus ministros fizesse um ataque deliberado ao PMDB. Esta seria a oportunidade. 

Seja lá como for, ele manteve o que disse no plenário: "Prefiro ser acusado de mal educado a ser acusado de achacador como ele [Cunha], que é o que dizem dele as manchetes dos jornais”. Em seguida, afirmou que quem é da base aliada do governo tem que votar com o governo, complementando: "Ou larguem o osso. Saiam do governo.”

Um tanto desequilibrado, Cid limpou a barra da oposição. Mendonça Filho, do DEM, disse: "Se a oposição, que tem cerca de 100 parlamentares, está ressalvada, os achacadores são os 400 deputados da base governista. O minsitro apontou para o centro da mesa da Câmara, precisamente para o presidente Eduardo Cunha, e o denominou achacador.”

Mais nas palavras de Mendonça: "Ou o ministro se demite do cargo ou os 400 deputados da base do governo assumem que são achacadores. E o ministro permanece no cargo. Não há outra opção. Criou-se uma situação tão desmoralizante para a base do governo que é literalmente inacreditável. Não precisamos de oposição nesta Casa.”

Sérgio Zveiter, deputado do PSD (da base de baba-ovos do governo) chamou Cid de "palhaço". Logo que saiu da Câmara, Cid foi conversa com Dilma. Em poucos minutos Aloizio Mercadante anunciou que ele não era mais ministro. 

Agora, a Câmara vai processar o ex-ministro por improbidade, além de exigir indenização por danos morais. Ainda existe o crime de responsabilidade, pois o ex-ministro tinha a obrigação de responder as perguntas de todos os parlamentares. Ele abandonou o plenário antes do fim da de sessão. 

Constrangedor. Decadente. Fim de feira. Adjetivos como esses resumem bem o nível de perda de comando petista. 

Mas há algo mais interessante: tanto a convocação de Cid Gomes para dar explicações, como o processo que será lançado agora, são exemplos de que os petistas (e suas linhas auxiliares) começaram a pagar o preço das monstruosidades que proferem. 

Por décadas temos deixado os petistas ilesos de pagar o preço de suas mentiras, falsas acusações, rotulagens, jogos sujos e coisas do tipo. Eles simplesmente sempre falaram o que quiseram. Com baixa percepção política, os demais não revidavam, e não os faziam pagar o preço. Mas agora isso está mudando.

As besteiras ditas pelos petistas e suas linhas auxiliares começam a ter um preço. É só sair cobrando que eles se dão mal, pois perderam o freio na hora de atacar seus oponentes. Sem o menor senso de civilidade e qualquer noção de ética, tornam-se vulneráveis caso expostos após cada vez que abrirem suas máquinas de gerar perfídias. Também tradicionalmente chamadas de bocas.

Para este fenômeno defini uma lei, chamada "não existe alegação política grátis". É o seguinte: diante de uma alegação política que beneficie o seu oponente, se você não cobrar o preço desta alegação, você paga o preço.

Que os bolivarianos paguem o preço pelas barbaridades proferidas. 
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