segunda-feira, 23 de março de 2015

A arapuca da reforma ministerial petista


Imagem: Alan Marques / Folhapress
Por Pedro Henrique

A reforma ministerial tem sido uma das táticas de Dilma para atrair o PMDB. No passado, boa parte das alianças na época pré-mensalão era construída oferecendo cargos do Executivo. A prática tem sido tratada pejorativamente como se fossem negociatas. Algo como um crime de corrupção, como o mensalão ou algum tipo de patrimonialismo. Pode não ser uma das práticas mais nobres, mas não é crime, nem de longe é algo tão imoral quanto o mensalão, o petrolão e outros crimes petistas. 

Todavia, o PMDB tem percebido que receber cargos no Executivo é muito pouco em um governo petista. Os cargos oferecidos costumam ter pouco poder de decisão e o partido, até aqui um aliado, ficou durante todo o governo petista de fora das decisões importantes.

A descoberta do mensalão e do petrolão enfraqueceu estupendamente a dominação do PT sobre o Legislativo. A compra de parlamentares não tem dado tão certo. Com isso o partido retorna às velhas práticas, tentando oferecer alguns ministérios para obter apoio do PMDB. 

O apoio do Legislativo para Dilma é crucial neste momento, pois a revolta popular é enorme, existem justificativas legais para o impeachment e os próprios políticos estão insatisfeitos com o PT. Pelo apoio do legislativo, Dilma está interessada em realizar a reforma ministerial para distribuir cargos do Executivo entre políticos do PMDB.

A presidente chegou a negar que iria fazer tal reforma, mas tem vindo à tona escândalos com seus ministros que "coincidentemente" a obrigam a demiti-los. Recentemente ocorreu o escândalo com Cid Gomes, ex-ministro da educação, e com Thomas Traumann, ex-ministro da secretaria de comunicação. Cid gomes chamou quase todo o legislativo de achacadores. Quando foi convocado a prestar esclarecimentos e apontar os achacadores, convenientemente passou mal, tal como aconteceu com Dilma em um debate com Aécio Neves(PSDB). 

Cid, tentando desmoralizar Cunha e o Legislativo, ainda chamou o presidente da Câmara de achacador. Cid admitiu sem querer que a declaração não tem nenhum compromisso com a verdade quando disse que era melhor ser mal-educado do que ser acusado de achacador pela mídia. Veja só até onde vai a dignidade deste sujeito: ele prefere de fato ter um defeito moral do que as pessoas falarem mal dele. Ainda fez isto admitindo que o interesse dele era deixar Cunha e o Legislativo com fama de achacadores. O irmão de Cid, Ivo Gomes, atacou Cunha no facebook:




O ataque não é só a Cunha, mas ao PMDB e ao Legislativo. Ivo faz a típica inversão na qual os petistas são mestres, ao fingir que o Legislativo manda no Executivo, quando o primeiro está apenas agora se tornando independente do último. É Dilma que quer recolocar o Legislativo na coleirinha do PT. É o PT quem criou os dois maiores escândalos de corrupção para destruir a independência do legislativo. É o PT que tenta vencer a verdade, a democracia e a liberdade com seu projeto de poder!


Thomas Traumman, da secretaria de comunicação social, deixou vazar um documento em que revelava as falhas de comunicação do governo. O vazamento do documento, que criticava entre outras coisas o ministro Joaquim Levy, teria deixado Dilma irritada, o que sugere que ele seja um dos próximos ministros a deixar o cargo, bem como deve ocorrer com Levy. Falsos vazamentos são uma das táticas mais comuns de desinformação, pois um documento que se considera 'vazado' acaba tendo maior credibilidade, pois não é visto como propaganda. Se voce olhar bem para o conteúdo do documento, ele não admite falhas na gestão, mas apenas na comunicação, a mesma versão para os problemas do governo Dilma repetido pelo Rossetto e Cardozo.

Depois da resposta desastrosa dos ministros José Eduardo Cardoso e Miguel Rossetto à maior manifestação da história, que foi contra Dilma e o PT, é possível que algum deles deixe o ministério também. Outros dois alvos da reforma ministerial são os ministros Aloizio Mercadante e Pepe Vargas por criarem insatisfação com o Legislativo.

Todos estes escândalos envolvendo ministros revela a estratégia do PT para fazer a reforma ministerial. Os ministros se envolvem em escândalos, para que pareça razoável a troca deles, mas não só isto. Os próprios escândalos são uteis para os interesses do PT, e o principal interesse do PT é atacar quem se opõe ou representa uma ameaça ao seu poder hegemônico. Por isto, Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo fizeram aquela tentativa patética de manipular a manifestação popular e desmoralizar o pedido de impeachment. Por isto, Cid Gomes protagonizou, junto de seus irmãos, episódios ridículos de tentativa  desmoralizar e ajudar a recolocar o legislativo e o PMDB na coleirinha do PT. Por isto Thomas Traumman teria "vazado" documento revelando falhas do governo petista. Estas 'falhas' são rigorosamente a visão oficial do governo de que o problema não é com a gestão, mas com a comunicação.

Esta é a tática atual dos petistas para fazer a reforma ministerial: Eles criam situações que justificaria a troca de ministros, buscam satisfazer com cargos a base aliada e ainda desmoralizam todo mundo que ameaça a hegeminia do PT.
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