terça-feira, 10 de março de 2015

A ainda presidente Dilma acabou de dar um segundo tiro no pé


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Paulo Eneas

A ainda presidente Dilma acabou de dar um segundo tiro no pé em menos de vinte e quatro horas, e muito mais grave que o seu desastroso pronunciamento de domingo a noite. O Portal UOL informa que a presidente afirmou nessa segunda-feira que é preciso ter “razões para um impeachment que não sejam um terceiro turno”. E ainda fez a espantosa afirmação de que o movimento por impeachment não pode ser aceito “a não ser que você queira uma ruptura democrática”.


Até agora, a metáfora vigarista e cínica do suposto terceiro turno era um discurso usado apenas pelos escalões inferiores do PT, numa tentativa antidemocrática e autoritária de desqualificar a oposição partidária e da sociedade civil. Afinal, numa democracia, a disputa política não começa nem termina nas eleições. A obrigação de quem não foi eleito é aceitar o resultado e exercer a oposição política, conforme as regras do jogo democrático. O PT nunca admitiu isso, pois o PT não consegue entender nem assimilar a democracia, e justamente por isso inventou essa ladainha de terceiro turno.

Enquanto essa metáfora autoritária de terceiro turno estava restrita ao partido, não tinha maiores consequências, mesmo porque ela não colou na opinião pública. Mas ao ser proferida pela Chefe de Estado, e ainda temperada com a afirmação leviana de que aqueles que supostamente estão pregando um terceiro turno querem uma ruptura da ordem democrática, a presidente está empurrando a crise do âmbito até agora político para o âmbito institucional. Isso porque uma das obrigações da chefe de estado é preservar as instituições e a ordem democrática, como manda a Constituição. Se a presidente avalia que seus opositores querem um terceiro turno e portanto, ruptura da ordem democrática, ela tem a obrigação constitucional de evitar que isso ocorra. E o que ela irá fazer? Mandar prender opositores? Impedir as manifestações? Todas as interpretações são possíveis.

A leviandade com que o governo e o PT estão conduzindo a crise não tem paralelo na história do país. Dilma não só não é capaz de dar soluções à crise política e econômica que ela e seu partido criaram, como ela acaba de aprofundar essa crise, fazendo uma afirmação que atenta contra o estado democrático de direito.
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