domingo, 1 de fevereiro de 2015

Ufa! Eduardo Cunha é eleito Presidente da Câmara. E aqui vai um puxão de orelha ao PSDB e alguns direitistas.



Por Luciano Ayan

A sucessão de equívocos tucanos e direitistas não foi o suficiente para impedir que este domingo se encerrasse com uma boa notícia: a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados.

Vamos ler a matéria da Agência Câmara, e depois comentarei um pouco sobre nossos equívocos antecedendo a votação:

A Câmara dos Deputados elegeu, em primeiro turno, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para o cargo de presidente no biênio 2015/2016 da 55ªlegislatura. Ele foi eleito com 267 votos, a maioria absoluta dos votantes (513). O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi o segundo mais votado, com 136 votos. Júlio Delgado (PSB-MG) contou com 100 votos e Chico Alencar (Psol-RJ) teve 8 votos. Houve dois votos em branco.
Após tomar posse no cargo, Cunha conduzirá a apuração dos votos para os demais cargos daMesa Diretora (1º e 2º vice-presidentes, 1º a 4º secretários e os quatro suplentes).
Atual líder do PMDB na Casa, ele tem o apoio declarado de PP, PTB, DEM, PRB, SD, PSC, PHS, PTN, PMN, PRP, PEN, PSDC e PRTB.
Carioca de nascimento, 56 anos, Eduardo Cunha vai para o quarto mandato consecutivo, todos pelo PMDB. Na Casa, já ocupou a Presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, foi líder do partido e é conhecido por ser um dos parlamentares que mais conhecem o Regimento Interno da Câmara.
Ufa. E nem foi preciso do apoio dos tucanos. Mas precisamos dar alguns puxões de orelha.

Eduardo Cunha teve o dobro dos votos de Chinaglia. Em comparação com Delgado, foi mais que o dobro.

Mesmo assim, o PT foi dedicado em seu ideal, mas é verdade que havia uma alta taxa de rejeição. Do lado dos tucanos, no entanto, que papelão…

Resolveram apoiar a candidatura de Julio Delgado, e no fim isso não deu em nada. A oposição está mais perdida que cego em tiroteio.

Mas havia algo muito pior: alguns direitistas. Recusando-se terminantemente a lançar qualquer forma de pressão sobre os tucanos, muitos deles vinham com a tradicional lenga-lenga de “está tudo dominado” ou “mais uma vez o PSDB está mancomunado com o PT”.

Nada disso. Eduardo Cunha ganhou e o PSDB foi desobrigado a agir em nosso nome não por mancomunação com o PT, mas pela doentia falta de pressão nossa sobre eles.

Não há mérito algum do PSDB na vitória de Cunha. É claro. Mas que fique a lição: já cessou o tempo em que deixarmos de pressionar os partidos, seja o PMDB ou PSDB, ou PP ou DEM, não era mais um crime moral.

Em vez de protestos de alguns gatos pingados por “intervenção militar” ou de outros por “impeachment já”, as prioridades são exatamente outras: exigir a derrubada de qualquer projeto de censura de mídia, evitar qualquer proposta de unificação das polícias, e não deixar, de forma alguma, que o governo se privilegie com o financiamento exclusivamente pública de campanha. E não vamos esquecer da derrubada do Decreto 8243.

Mas isso só ocorrerá (e o terreno é propício agora, não se esqueçam) se pressionarmos os tucanos a votarem contra essas ideias, em alinhamento com os partidos que votaram em Cunha. Repito: eles só votarão se nós os pressionarmos, não se retirarmos a pressão (como delirantemente muitos fizeram diante do PSDB).

Seria até melhor que o PSDB apoiasse Cunha e ele ganhasse com mais de 300 votos. Ganhou com 267, e foi o suficiente. Mas os tucanos só foram apoiar a grotesca candidatura de Delgado por que nós não os pressionamos.

A vida dos tucanos hoje em dia é uma moleza. Eles vivem no banho maria e, no momento de começarmos a constrangê-los se não defenderem nossas pautas, uma multidão aparece para dizer: “Ah, melhor deixar pra lá, eles serão mancomunados com os petistas mesmo”. Não é uma delícia viver uma vida sem ser pressionado? Pois é esta moleza que uma parte da direita vive dando aos tucanos.

Boa parte da direita não aceita tendências ao nosso lado. Por isso, já “desistem” do PSDB, deixando-os escolher suas agendas conforme suas conveniências, bem como sua tradicional falta de habilidade de pensar estrategicamente.

Cunha se elegeu por méritos de sua articulação política. Não há dedo nem tucano e nem direitista nessa vitória. Uma pena.

Mas é tempo de refletirmos e virar o jogo. Agora começa uma nova batalha para derrubar os projetos totalitários do PT. E hoje temos mais que esperanças: estamos diante de prognósticos positivos, enquanto no passado no máximo tinhamos uma miragem.

Vamos então jogar o papo reto. Todo o PMDB, junto com a base de Cunha, precisa ser pressionado. O PSDB, junto com o DEM, ainda mais. As pessoas da direita que entrarem em fóruns com a mania de dizer “está tudo tudo dominado” ou “é questão de tempo para o PT dominar tudo” devem ser tratadas como se fossem soldados do nosso exército que resolveram atirar contra nós. Não são inimigos, mas efetivamente não estão ajudando nem um pouco.

Sem rivalidades (pois eles ainda são direitistas) é preciso começarmos a pensar em política de maneira mais adulta, não como uma forma de atendimento a estímulos por desabafo, ou execução de manias, mas a luta pela conquista de objetivos que, pouco a pouco, podem ir nos ajudando. O purismo é nosso arqui-inimigo nestes momentos.

Que venham as novas batalhas, nas quais nossa atuação, como elemento de pressão e até constrangimento daqueles políticos que possam votar de acordo com nossas agendas nas questões mais críticas, é decisiva.

Nada foi feito nesta batalha resultando na vitória de Cunha, por seus méritos, não dos tucanos nem da direita. Que seja feito nas próximas.
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