sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Quem será que possui problemas psicológicos mesmo, Cardozo?


Imagem: Wilson Dias/ABr
Por Luciano Ayan

Se existisse alguma voz lúcida no planalto alguém diria para Jose Eduardo Cardozo: "Tome jeito de Ministro da Justiça! Pare de agir como se fosse advogado de defesa de Dilma! Isso já está ficando ridículo". 

Lamentavelmente, Dilma Rousseff parece pedir exatamente o oposto. Ela faz com que seu Ministro da Justiça tenha o desempenho mais vergonhoso dentre todos do ministério, não tanto por sua atuação em si, mas principalmente pelo fato dele ser um Ministro da Justiça, ou seja, alguém que deveria defender a justiça e a isonomia de tratamento. Para piorar, chamar a busca por um direito constitucional de "problema psicológico" é uma baixaria sem limites para qualquer pessoa formada em Direito. 

Segundo o MSN, Cardozo afirmou que quem pede o impeachment da presidente Dilma, "tem problemas psicológicos" ou é "mau perdedor". Bem, se lembrarmos que Lula defendeu o impeachment de Collor após ter perdido a eleição em 1989, então, segundo as palavras de Cardozo, fomos governados por um sujeito mentalmente desajustado durante 8 anos. Podemos também perguntar se Dilma e ele próprio apoiaram o impeachment. Só para completar o quadro de malucos. 

Em seguida, para aumentar o papelão, Cardozo diz que vai pressionar a Polícia Federal para incluir nas investigações as propinas recebidas por Pedro Barusco desde 1997, quando FHC era presidente. Quanto a investigar essa época, sem problemas, mas por enquanto não temos um delator dizendo que "FHC sabia de tudo" assim como Youssef já afirmou que "Dilma e Lula sabiam de tudo". Mas aí Cardozo destrói outro discurso de Dilma: a de que ela não interferia nas investigações. Bem, segundo Cardozo, eles já estão interferindo. 

Daí Cardozo disse que FHC foi "conivente" com a corrupção na Petrobrás. Sem provas, como era de se esperar. E já de cara garantiu que Dilma era inocente. Mas não é isso que as delações mostram. Elas citam o envolvimento de Lula e Dilma (como nas delações de Youssef) e até o destino de dinheiro direto para um partido, como forma de financiamento de eleições. Mas para Cardozo, as informações inconvenientes devem ser editadas. 

E ele não se dava por satisfeito. Tinha que complementar dizendo que as corrupções só aparecem pois agora se investiga, e antes isso não ocorria. Detalhe que essa é mais uma acusação sem a menor nesga de evidência. 

Creio que está claro que nem aqui nem na China isso é postura de Ministro da Justiça. Muito menos de quem ambiciona ser juiz no STF. No máximo, isso é postura de advogado de porta de cadeia. E também uma maluquice, que pode ter um preço salgado se alguém decidir cobrá-lo.
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