domingo, 1 de fevereiro de 2015

Para atacar liberais, Folha inova: surge a figura do “ombudsman” que ataca leitores e vira advogado de defesa de jornalistas embusteiros


Por Luciano Ayan

Há muito a Folha de São Paulo ultrapassou a cota de cambalacho intelectual da mídia esquerdista para se transformar, sem medo de ser feliz, em um veículo chapa branca. Cada vez mais estamos diante de uma versão nacional do Pravda.

Se você quer saber exatamente como se comporta o Pravda russo, publicando matérias afrontosas ao bom senso na defesa do governismo tirânico, basta olhar para publicações como Brasil247 e Diário do Centro do Mundo. Mas estas sempre foram publicações de baixo nível, algo como porta-vozes do governo. Sempre havia um limite de baixaria que a mídia de grande porte não ultrapassava no babaovismo diante do poder.


Este limite tem sido violado pela Folha de S. Paulo desde a última vitória de Dilma Rousseff . Se já as matérias mentirosas dizendo que todas as manifestações contra Dilma “eram a favor da intervenção militar” (quando no máximo lá se viam apenas uns gatos pingados militaristas, talvez até infiltrados pelo PT) baixavam o nível assustadoramente, eles novamente conseguiram surpreender de modo negativo ao criar a figura do “ombudsman de defesa” que, ao invés de apontar as falhas da mídia onde trabalha, ataca os leitores reclamantes. Se estes leitores forem de direita, é claro.

Antes de falar desta inovação, relembremos um texto de 24/01, de Leandro Machado, intitulado “Jovens liberais dão aula pública sobre transporte público de São Paulo”. A quantidade de engodos é épica. Abaixo as principais:
  • Machado questionou a idade de Kim Kataguiri (18 anos), quando isso deveria ser um mérito, não demérito. Em tempo: ter 18 anos e ter escapado da doutrinação marxistas é digno de parabéns. E olhe que Kim vem publicando conteúdo na Internet há mais de 2 anos.
  • Ele usou o termo “aula pública” entre aspas, configurando ironia descabida, pois qualquer transmissão de conhecimento estruturado, e de graça, pode ser definida como aula pública.
  • Usou a expressão “jovens de classe média que se dizem liberais”, típico recurso desonesto para fingir que alguém não acredita no que diz acreditar. O engraçado é que Machado não demonstrou que eles tinham comportamentos incongruentes com o discurso liberal. Ao contrário da esquerda caviar, que sempre diz ser o que não é.
  • Ele mente ao dizer que os discursos teóricos atraíram “30 pessoas, no começo”. Fotos mostram uma média de 70 a 100 pessoas desde o início. Mas na verdade o atrativo foi a banda, seguida então pelas aulas. Mentira clamorosa do Sr. Machado. E usar uma banda para atrair público, inclusive esquerdista, foi uma ótima estratégia do MBL, diga-se de passagem. Leia aqui uma matéria onde Kim Kataguiri fala mais a respeito.
  • E o mais patético: o título da matéria usa a expressão “liberais” assim mesmo (entre aspas), sendo de novo um discurso desonesto de desqualificação do oponente. Só faltou ele explicar que o neo-liberalismo é tão atacado pelos… petistas.
Difícil descer mais baixo que isso. Leandro Machado partiu para a provocação, a mentira, o embuste, tudo na tentativa de avançar sua agenda anti-liberdade. Para ele, mais que a liberdade, a verdade é um bem tão precioso que deve ser economizado ao máximo.

Pois eis que chegou à ombudsman Vera Guimarães Martins um caminhão de reclamações devido a tamanha desconexão entre fatos e ficção no texto de Machado. Mas como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera daí mesmo é que não sai nada: ao invés de fazer uma análise dos equívocos do jornal, Vera vestiu o boné de advogada de defesa do jornalista Leandro Machado. Para adicionar insulto à injúria, ela ainda teve a pachorra de distorcer as reclamações dos leitores.

Hora de desconstruir o texto da “ombudsman”, intitulado “Preconceito entre aspas”:
O que vem a ser um “liberal”, assim, ilhado por aspas?
Nem os que se sentiram ofendidos pelo uso do sinal gráfico sabiam com certeza, mas reagiram com a intensidade e a convicção de que boa coisa não devia ser. Foram 115 mensagens à ombudsman (60 delas com conteúdo idêntico), em protesto contra o que qualificaram de deboche e falta de isenção jornalística.

Opa, opa…

Não demorou nem 30 palavras (e curtas, por sinal) para ela se entregar. Ela já começa dizendo que os que reclamaram contra a matéria nem deviam saber o que significava ser um liberal. Será que outra inovação deste tipo de ombudsman é ter bola de cristal? Melhor ainda, uma técnica de leitura mental?

Enfim, um erro imperdoável. Será que há um ombudsman para podermos reclamar desta “ombudsman”?

Aliás, que tal a expressão “em protesto contra o que qualificaram de deboche e falta de isenção jornalística”?

Quer dizer, não é que ela reconhece o óbvio (a existência do deboche e falta de isenção jornalística); em vez disso, se vale do mesmo jogo de Machado, afirmando que os reclamantes apenas “alegam (x)”. Se fosse isenta, ela reconheceria um fato óbvio para todos. E ela mesma entrará em contradição a seguir.
O alvo da ira foi a reportagem “Jovens ‘liberais’ dão aula pública sobre transporte”, que relatava um evento promovido pelo Movimento Brasil Livre, no vão do Masp.
Reza a norma que aspas devem ser usadas para abrir e fechar citações, destacar uma palavra fora de seu contexto usual ou exprimir ironia. Citação não era, e o MBL é um grupo que prega o liberalismo econômico e a redução do tamanho do Estado –mais dentro do contexto, impossível. Sobrou a ironia.
“Ao usar o termo entre aspas, o repórter manifestou condescendência e falta de respeito com aqueles que são reconhecidos como proponentes de ideias liberais”, escreveu o consultor de empresas Ricardo Castro, 44. “O que os editores pensariam a respeito de manchetes como: ‘Encontro mundial reúne jovens ‘católicos'” ou “Folha recebe prêmio por jornalismo ‘investigativo'”?

Pode fechar o caixão, pois ela nos ajudou a fechar o caso contra ela própria exatamente aqui.

Se ela diz que “sobrou a ironia”, então eliminou as hipóteses anteriores. Nem poderia ser diferente. Sendo assim, ela se contradiz, pois antes disse que os reclamantes apenas “diziam ser deboche”. Mas repare que aqui ela mesma reconheceu existir algo muito além do que “eles diziam ser deboche”. Era deboche mesmo.
Para corroborar o viés depreciativo, a reportagem descreveu o MBL como um movimento de “jovens de classe média que se dizem liberais”. Se dizem? “Imagino que o repórter acredite que, em algum outro lugar, haja verdadeiros liberais e que aqueles eram impostores”, concluiu o mesmo leitor.
Lembremos que ela usou o mesmo recurso que, justificadamente, os liberais denunciaram em Machado. Enquanto Machado falava de “jovens que se dizem liberais”, a “ombudsman” disse que os reclamantes são pessoas que protestam “contra o que qualificaram de deboche e falta de isenção jornalística”.
Os simpatizantes do MBL ficaram particularmente incomodados com o destaque dado a um dos organizadores e palestrante, o estudante de economia Kim Kataguiri, 18. Avaliaram que o foco em sua juventude era uma forma de ridicularizar o evento –e aqui discordo muito.
E se aqui ela discorda, antes deixou a entender que concordava com as críticas. E até agora Leandro Machado segue ileso de qualquer puxão de orelha. Bela “ombudsman”, não?

Mas veja a desculpa esfarrapada usada para encenar que apontar a baixa idade de alguém é algo depreciativo:

Salientar a precocidade de um militante ainda adolescente, que expõe teorias econômicas ou cita filósofos modernos, é dar o destaque correto a um personagem incomum. Basta lembrar a projeção mundial conferida a Joshua Wong, 18, líder do movimento Scholarism e figura de frente na onda das manifestações pró-democracia em Hong Kong.
O problema, noves fora as aspas indevidas, é que a matéria focou Kim, e ali ficou, descurando de dados que completariam o cenário, como os outros palestrantes ou o nome da banda “de terno e gravata borboleta, cantando em inglês”.

Vamos citar o início do texto que ela tenta inocentar: “Mesmo com pouca idade, o estudante de economia Kim Kataguiri, 18, já fala num tom professoral. Explica teorias econômicas, cita filósofos modernos e faz discursos para a plateia que o ouve no vão livre do Masp. Ele participava de uma ‘aula pública’ sobre…”.

Cadê a menção elogiosa aqui? Decerto muitas pessoas já escreveram de forma elogiosa sobre Joshua Wong, mas não há um bafo sequer de elogios nas linhas escritas por Machado em direção a Kim. Ao contrário, todas as informações foram apresentadas como se existissem contradições entre sua idade e o que ele apresentava. Observe que foi exatamente após este início que o termo “aula pública” foi apresentado entre aspas. Pois como um jovem de 18 anos daria uma aula, certo?

Mas nem sonhe em encontrar menções à baixa idade de vários integrantes da extrema-esquerda, que, sem nenhum senso crítico, não fazem nada além de regurgitar dogmas marxistas inseridos em suas mentes em salas de aulas (sob portas fechadas) por professores dependentes de violência psicológica.

Estes podem falar à vontade sobre Marx, mesmo com 15 ou 16 anos. Se fizessem uma palestra ou aula pública, não espere que estes eventos sejam apresentados entre aspas.

Desculpe-me, “ombudsman”, tua defesa não colou…
A editoria “Cotidiano” afirma que não houve intenção de desqualificar o evento, mas reconhece o erro. “A Folha se propõe a exercer um jornalismo crítico em relação a todos os partidos políticos, grupos, acontecimentos e tendências ideológicas. Esse princípio orienta a cobertura das manifestações sobre a questão do transporte em São Paulo –sejam promovidas pelo Movimento Passe Livre, o Movimento Brasil Livre ou outras organizações. No entanto, o uso de recursos de estilo inadequados, como as aspas em liberais e aula pública, deram margem à interpretação de que houve deboche em relação ao grupo. Não é essa a posição do jornal.”
E não é que a editoria do “Cotidiano” deu de 10×0 na “ombudsman”? Surreal…
Vale mencionar que os liberais também repisaram um argumento defendido por parte do leitorado, o de que a Folha não é imparcial nas coberturas de fatos ou manifestações identificados com a direita do espectro político. Não têm toda a razão, mas não estão de todo errados.
E no que “não têm toda a razão”? Ah, desculpe-me, eu pensei que estava diante de uma ombudsman…

Melhor deixar pra lá.
A defesa da imparcialidade é norma do jornal, mas os deslizes são mais frequentes do que deveriam. Algumas reportagens passam a impressão de que a Redação se concede uma espécie de “licença para zoar” quando o personagem da notícia é branco, rico e conservador.
É reflexo de uma visão baseada em falta de empatia, afinidade ideológica com o ideário da esquerda e também em comodidade: gozar quem está no topo da pirâmide social não desafia o politicamente correto, e a cobrança costuma ser menor. Ou costumava.
Que bonito, não?

Ela embute em sua justificativa o rótulo “branco, rico e conservador”. Isso para justificar os “deslizes” jornalísticos diante de uma manifestação… liberal. E o MBL como um movimento de “brancos” e “ricos”? Bom, ali há menos brancos que na redação da revista Carta Capital:


Uma ombudsman de verdade poderia ter reconhecido que existem jornalistas de esquerda que usam os estereótipos de “branco, rico e conservador” de forma deliberada como subterfúgio para atacar oponentes. De novo, nem adianta sonhar.

E enquanto isso, até agora nada de crítica contundente ao Sr. Leandro Machado, certo?
No caso em questão, além das mensagens ao jornal, alguns militantes mais inflamados partiram para a pressão direta, postando insultos e ameaças no perfil do repórter em uma das redes sociais.
Pressionar o jornal é regra do jogo democrático. Ameaçar a integridade do profissional é coisa de fascista, não de liberal.
Essa é a cereja do bolo. Eis que a tal “ombudsman” apela a um dos truques mais canalhas usados pela extrema-esquerda: chamar seus oponentes de “fascistas’.

Alias, ela diz que de 115 mensagens, 60 tinham mesmo o conteúdo. Ela não dá detalhes de nada, mas é difícil supor que o “core” das mensagens promovia a violência física contra o jornalista. Quantos % faziam isso? Esconder esse número para impor um rótulo a todos os reclamantes não é um exemplo ideal de atitude ética.

É bom que se diga que reagir de forma agressiva diante de algo não é fascismo. O fascismo se configuraria, por exemplo, em manifestações tentando usar força de coletivos para barrar o trabalho de Leandro Machado. Nada disso aconteceu. No máximo, reações indignadas e as vezes exacerbadas configuram uma reação indignada (e condenável) de alguém sentindo-se ofendido com o texto de Machado e daí reagindo de maneira equivocada.

Quem ameaça dar uns catiripapos no outro por ser ofendido ou atacado não é fascista. É uma pessoa exaltada, que reage de maneira errada. Se a ameaça é levada a cabo, teríamos um crime. Isso é condenável, mas não é fascismo, que é visto, aí sim, na invasão da Revista Veja por manifestantes da UJS, às vésperas da eleição. Não em manifestações estouradas e isoladas de indivíduos exaltados em excesso.

Mas a distorção do termo “fascismo” é, enfim, outro engodo usado por Vera Guimarães Martins, que inaugura um novo perfil de “ombudsman”, aquele que se recusa a reconhecer os verdadeiros (e mais gritantes) erros de alguém de sua redação, transformando-se em advogado de defesa do ofensor, além de usar informações recortadas e jogos retóricos para desqualificar quem se manifestar contra os engodos. Se lembrarmos que este tipo de atitude vem de gente governista, não dá para não reconhecer que os jornalistas chapa branca, aí sim, são a verdadeira manifestação do fascismo. Não por escreverem em um jornal defendendo suas opiniões, mas por se aliarem a um governo tirânico.

O jornalismo estilo Pravda é inerentemente fascista. E uma “ombudsman” pronta para atuar neste tipo de publicação não seria diferente.
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