terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O horror, o horror: Breno Altman diz que Dilma "merece aplausos" pelo apoio ao ditador sanguinário da Venezuela


Imagem: Montagem Opera Mundi
Por Luciano Ayan

Com uma das argumentações mais afrontosas à dignidade humana, além de capazes de gelar o sangue de qualquer pessoa normal, Breno Altman, do Opera Mundi, disse que Dilma merece aplausos por seu silêncio mórbido diante das violências cometidas por Nicolás Maduro. 

Ele começa dizendo que Maduro merece "ampla solidariedade". Vamos desconstruir esta lixeira em forma de texto:
Nos últimos dias, múltiplas vozes, da oposição de direita ao presidente da Câmara dos Deputados, da velha mídia a intelectuais de aluguel, exigem que o governo brasileiro condene a prisão de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas.
Notaram o nível? Se você exige a libertação de Ledezma, então é, na melhor das hipóteses, um "intelectual de aluguel". Isto já mostra aonde ele quer descer. Detalhe: não somos nós que blogamos a partir de verba estatal... 

Segundo ele, as barbáries das tropas de Maduro são legais:
Os procuradores Katherine Harington, Yeison Moreno e José Orta apresentaram denúncia e pediram a detenção do prócer oposicionista seguindo todos os trâmites constitucionais.
Não é isso que os órgãos independentes disseram. Não existiu nada de "trâmite constitucional" ali sob qualquer categoria existente em países civlizados. 
Golpista de primeira hora em 2002, quando a direita tentou derrubar Chávez, Ledezma foi denunciado por um dos oficiais acusados pelos protestos violentos do ano passado.
E o tal "golpismo de 2002" foi uma greve de fome. É o suficiente para que vocês percebam o tamanho da perversidade nas palavras dessa figura. 

E a confissão do tal oficial veio sob tortura, diga-se...
A propósito, a mesma imprensa que celebra as prisões determinadas pelo juiz Sergio Moro como instrumento para arrancar delações premiadas na Operação Lava Jato, agora trata de impugnar a confissão do coronel José Arocha Pérez, pois teria sido obtida enquanto estava preso.
A desonestidade aqui é épica. 

As delações premiadas na Operação Lava Jato estão acompanhadas de avalanches de provas. No extremo oposto, não há uma nesga de evidência contra Ledezma. Até por que se existissem, o psicopata Maduro já as teria apresentado. 
São vastos os indícios, de toda forma, que vinculam o prefeito à conspiração de civis e militares que planejava encurtar, na marra, o mandato de Maduro. Caberá a Justiça decidir se é ou não culpado dos crimes que lhe são imputados. Com a mesma legitimidade que tribunais brasileiros julgarão a Operação Lava Jato.
Alguém tem o direito de se manifestar pedindo a renúncia de Maduro. Em nenhum país civilizado, isso poderia resultar em prisão de um oponente. Foi isso que permitiu que o PT fosse às ruas contra Collor em 1992. E ninguém os prendeu. 

Os "vastos indícios" não foram apresentados. Duvido que existam. A "justiça" não tem mais significado na Venezuela. E não haverá a mesma legitimidade dos tribunais brasileiros, que ainda não estão corrompidos como na Venezuela. 
A bem da verdade, nenhum país democrático do planeta aceitaria trama desse tipo sem reagir e sem tomar as medidas legais cabíveis.
Ele está certo. Mas Venezuela não é um país democrático. E não se configura mais nem sequer como nação. 
O falecido presidente Hugo Chávez, depois da intentona sofrida há quase treze anos, abriu mão de apresentar denúncias que levassem à punição dos violadores da Constituição. Imaginava que era gesto de paz necessário para ultrapassar aquela etapa de conflitos que recortava a Venezuela. Iludiu-se acerca da natureza de seus opositores.
Mentira. Ele ainda não havia destruído completamente o país (Maduro conseguiu a proeza). Aí é evidente que o discurso oposicionista começaria a incomodar mais. Esses são os fatos. O resto é história inventada por Altman, sem qualquer evidência. 
Outro fator imutável, desde então, é o apoio dos Estados Unidos, sob gestão republicana ou democrata, a movimentos que possam atropelar a revolução bolivariana.
Aqui temos o truque do apelo aos Estados Unidos, que não dão a mínima para esta republiqueta que já não faz mais parte da civilização. Como já disse, a Venezuela hoje não é nem sequer uma nação. Por favor, Altman, deixe a Venezuela resumida à sua insignificância. 
Nicolás Maduro aprendeu a lição e resolveu reagir à altura, com todos os instrumentos que a legalidade permite. Cumpre sua função de defender a Constituição, a democracia e a soberania nacional. Com a mesma firmeza que Abraham Lincoln o fez quando escravocratas do sul se ergueram contra a União.
O tal "reagir à altura" é a deixa para justificar barbáries. Como ele não apresentou nenhuma evidência contra Ledezma, limitou-se a inventar histórias e dizer "Maduro reagiu à altura'. Só se for à altura das anedotas de Altman. Não dos eventos comprovados por fatos. Além do mais, "Constituição" na Venezuela? Não significa mais nada por lá. 

E Abraham Lincoln? Este é o papel de quem um dia libertar o povo venezuelano da escravidão imposta pelo dono do curral: Maduro. 
Maduro também sabe, por outro lado, que o jogo vai além das fronteiras de sua nação. Não há dúvidas a respeito: isolar e derrotar o governo venezuelano é a bola da vez na estratégia norte-americana para recuperar hegemonia na América Latina.
Lá vem a teoria da conspiração de novo... 

E, como sempre, sem provas. 
Outras administrações também são alvos de operações desestabilizadoras – como é o caso da Argentina e, em certa medida, também o do Brasil. Mas sobre Caracas é a ofensiva mais relevante.
Altman já resolveu tudo. Não temos mais problemas de qualquer forma. Tudo é culpa de "operações desestabilizadoras" promovidas por quem? Pelos Estados Unidos, claro. 
Não se trata apenas de disputa pelo controle das riquezas naturais, especialmente o petróleo e o gás.
A historinha dele não está colando. Primeiro por que o mundo já caminha para formas alternativas de energia (o que está ajudando a baixar o preço do Petróleo). E os Estados Unidos estão muito mais interessados em gás de xisto. Ou seja, o "ouro" da Venezuela está virando ouro de tolo...
De todas experiências progressistas desse início de século, a mais antagonista ao capitalismo tem lugar na Venezuela, o que é suficiente para despertar temor e ódio entre os senhores do mundo. Apesar de seus graves problemas e dificuldades.
Isto aí, Altman. É por causa do sucesso venezuelano que nós "babamos de ódio" e "rangemos os dentes". Não gostamos de ver a felicidade do povo venezuelano. Pensando bem, ele é um sujeito esperto. Mas não podemos respeitar qualquer leitor que não seja remunerado por ele e ainda assim acredite neste tipo de sandice. 

Altman está abaixo da crítica mesmo. 
A derrocada do chavismo seria decisiva para desidratar Equador, Bolívia e Nicarágua, além de enfraquecer Cuba.
Enfraquecer Cuba? Muito pior do que a Venezuela, Cuba já está morta como nação há muitas décadas. Dá para enfraquecer mais? Como seria uma Cuba "mais enfraquecida"?
De quebra, reforçaria o papel regional da Colômbia de Santos. Também induziria o Chile a consolidar sua opção preferencial pelo eixo da Aliança do Pacífico, debilitando a competitividade do Mercosul. A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), entidades políticas através das quais o subcontinente articula a construção de seu espaço autônomo, perderiam muito de sua densidade e capacidade de ação.
O que ele está dizendo é o seguinte. Países mais civilizados poderiam ter mais influência. Para ele, isso é ruim. A Venezuela não pode deixar de viver sob a ditadura de um porco sanguinário por que eles precisam criar mais miséria para deixar os donos do poder viverem como nababos. É preciso de sangue frio para sequer ler os textos desse aí. 
O México e a América Central seriam, com rapidez e profundidade ainda maiores, costurados à órbita da Casa Branca.
Nossa, mas o México deve estar empolgadíssimo com o "sucesso venezuelano", não?
O Brasil poderia ver sua liderança ser definitivamente esvaziada, diante do bloqueio potencial para a consolidação de uma zona político-econômica naturalmente impulsionadora do desenvolvimento nacional. 
Que bela liderança, não? Liderando a escória. E afundando junto... 
Como se pode ver, são razões suficientes para a presidente brasileira rechaçar os críticos da política internacional petista, na sua maioria aves de rapina cujo ninho ideológico está ao norte do continente.
Bem, a Dilma tem razões suficientes. O Altman também. Mas qualquer brasileiro interessado no bem estar de nossa população tem interesses contrários ao dessa tropa, e portanto deve abominar qualquer tipo de relação com a Venezuela. Este país hoje não passa de um produtor de miséria, opressão e desgraça, trazida de forma deliberada por um ditador psicopata. É aquele ditado: quem se une com porcos, farelo come. 

E para piorar: nada disso serve como prova de que a prisão de Ledezma não foi um crime contra a humanidade. Donde podemos concluir que Altman apoia crimes contra a humanidade, em nome de um projeto para criar miséria de forma deliberada.

Que tipo de adjetivo serve para descrever este tipo de moral?
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