domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mas que bonito, não? Empreiteiro da UTC preso pela Lava Jato recebeu aviso de sua prisão 1 dia antes


Imagem: Zanoine Fraissat / Folhapress
Por Luciano Ayan

Realmente a prisão (ocorrida em 14 de novembro de 2014) desse Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, sempre deixou muita gente de cabelo em pé. 

De acordo com o UOL, agora sabemos que o empresário já tinha a informação de que iria ser preso 1 dia antes dos policiais chegarem até ele. 

Leia mais:
O empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, é figura central de uma investigação da Polícia Federal, iniciada em novembro de 2014, sobre vazamento de informação sigilosa dentro da Operação Lava Jato.
O empresário da UTC, um executivo e um advogado do grupo e um "amigo" de nome "Rui" --mencionado em conversa telefônica e não identificado pelos policiais-- estão entre os alvos desta apuração.
Um dia antes de ser deflagrada a sétima fase da Lava Jato, batizada de Operação Juízo Final --no dia 14 de novembro--, Pessoa e outros 10 investigados estavam com os telefones grampeados, com autorização da Justiça Federal.
Diálogos por telefone e mensagens trocadas entre os investigados levaram o setor de Inteligência da PF à conclusão que havia "indicativos concretos de vazamento". O caso passou a ser apurado e um diálogo, em especial, chamou atenção dos investigadores da Lava Jato. 
Eram 20h46, do dia 13 de novembro quando Pessoa fala com um dos diretores do grupo UTC Walmir Pinheiro Santana --também alvo da Lava Jato. Ambos estavam com os telefones monitorados pela PF:
"Olha, eu… é… saí daqui do encontro lá com o nosso amigo agora", diz Santana, para o presidente da UTC, que quis saber quem era o amigo: "Qual? O Rui?".
Santana confirmou: "É".
Os interlocutores combinaram se encontrar, em seguida, na casa de Santana, onde estaria também o advogado Renato Tai, que trabalha na UTC.
"É imprescindível lembrar que houve vazamento de informações a respeito da deflagração da 7ª fase da Operação Lava Jato que ocorrera na manhã do dia seguinte a esta ligação", registra a PF em seu relatório de informação sobre as escutas.
Pois é. E faltava pouco mais que oito horas para que o time da PF começasse a cumprir os mandados de prisão. A lista dessas prisões trazia o nome de Pessoa entre os alvos. 

Veja mais:
Minutos após ao diálogo (às 21h28), o advogado Tai liga para Pessoa e orienta o alvo a ler mensagens mandadas para ele no "vermelhinho" --trata-se de um telefone exclusivo para comunicação supostamente segura entre os envolvidos, registra a PF, em seu relatório.
"O que estão marcando amanhã cedo aqui?", questionou Pessoa, quando voltaram a falar por telefone.
"Procedimentos", avisa Tai.
O presidente da UTC pergunta ao advogado, então, se eram os "nossos colegas" que estavam "marcando procedimentos ou os outros?"
O advogado da UTC responde: "Os inimigos!". E acrescenta que a informação vem de "vários lugares".
Segundo os policiais, "não se trata de interceptação de diálogos entre advogado e cliente, mas sim diálogos que podem indicar o vazamento de procedimentos sigilosos, com violação de sigilo e seus reflexos na esfera criminal."
Realmente, a história está parecendo a daqueles filmes sobre a máfia. Coisa digna de "American Gangster", de Ridley Scott, ou "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola.
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