segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Kotscho e Guimarães se unem para chantagear PSDB para que alivie a vida do PT... em nome do país. Eles não são duas figuras carimbadas?


Por Luciano Ayan

Imaginem a seguinte situação. Um grupo terrorista mata 100 pessoas em um atentado contra o país (x). Na hora da retaliação, o líder terrorista diz: "ei, espere, não podemos prejudicar a era de paz, vai ser melhor para todos". O país (x) amolece. O mesmo grupo terrorista comete outro atentado ainda pior contra o mesmo país (x), que diz: "Agora não dá mais, agora é guerra!". Mas o grupo terrorista diz "de jeito algum, pois agora é hora de união, vai ser pelo bem do país". E não é que o país (x) cai na conversa? E agora o grupo terrorista planeja um outro atentado, e um novo truque para amolecer (x). 


Não ache esta situação hipotética tão absurda, pois o PT está agindo igual o grupo terrorista diante do PSDB e de toda a oposição. Munidos de um cinismo inacreditável, os blogueiros governistas Ricardo Kotscho e Eduardo Guimarães vieram com uma falsa "bandeira branca". Isso depois de todo o governo, além de ambos os governistas, terem praticado nada mais nada menos que terrorismo político contra seus adversários. Eles realmente se superaram. 

Considere o caso de Kotscho que em 04/02 chamou FHC de líder de um golpe paraguaio. Em política, isso significa um míssil teleguiado para atacar seus adversários. Pois em 7/2, ele escreveu um texto intitulado "Hora de baixar a bola e pensar mais no Brasil". Ou seja, ele quer dizer que os críticos de Dilma "não pensam no Brasil". Essa é a estratégia de paz do PT. Sair disparando mísseis políticos e fingir pedir paz. 

Vamos dialogar com esta lixeira em forma de texto:
Ao final desta medonha primeira semana de fevereiro, em que tanta coisa negativa aconteceu, elevando a temperatura política a um grau próximo da ebulição, está na hora de todo mundo baixar a bola e começar a pensar mais no Brasil. Quais são os planos, projetos, saídas que temos a oferecer? Estamos todos, afinal, no mesmo barco. Está na hora de parar de falar em impeachment, como se esse fosse um evento previsto no calendário, a exemplo do Carnaval e do Natal. Vivemos ainda numa democracia e a presidente Dilma Rousseff acabou de ser reeleita para governar o país por mais quatro anos. As próximas eleições estão marcadas para 2018.
Opa, ele acabou de criar prazo de carência para impeachment. Mas isso não existe. E se Dilma foi eleita, Collor também. E o Sr. Lula apoiou o impeachment de Collor. E na época Lula dizia querer "o bem do Brasil". Por que então ele quer dizer que estudar o impeachment de Dilma não é "querem o bem do Brasil"? Ao apoiar o impeachment de Collor, o PT foi contra a democracia?

E não, não estamos todos no mesmo barco. O PT quer o poder totalitário para não se preocupar com a devastação econômica. Se o PSDB começar a desejar o mesmo, é claro que vamos chutá-los.
Está na hora de acabar com o clima de beligerância insana da campanha eleitoral, que acabou em outubro, colocou em lados opostos amigos, parentes e até casais, mas permanece vivo no Congresso Nacional, nos botecos e nas fábricas, nas ruas e nos saraus, nos almoços de domingo e nos estádios, em todo canto.
Quem criou o clima de guerra foi o PT (embora eu sempre defenda que o PSDB foi conivente ao não ter ido para a campanha agressiva também, constrangendo o PT por cada mentira). O engraçado é que enquanto o clima de guerra foi útil para o PT vencer as eleições, Kotscho se serviu da guerra até se empanturrar. Agora que o PSDB está fazendo um décimo do que o PT fez com ele nas eleições, ele pede para "parar". É exatamente igual o grupo terrorista do exemplo que citei...
Está na hora de acabar com os donos da verdade e do futuro, que não ouvem ninguém e querem impor suas razões a todo mundo, sem admitir nenhuma discussão sobre os diferentes caminhos que temos pela frente e as causas que nos levaram ao atoleiro no deserto da desesperança, ameaçados de ficar sem água e sem luz, sem emprego e sem amanhã.
Isto é de uma canalhice inimaginável. É um embuste sem fim. Se os brasileiros estão ameaçados de ficar "sem água e sem luz, sem emprego e sem amanhã" não é por causa de uma oposição exigindo resultado e denunciando falcatruas. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Se a moda pega, os gerentes poderão começar a culpar seus maus resultados por causa dos auditores pegando no pé deles. 
Está na hora de começarmos um grande diálogo nacional, em torno de uma causa comum, como a reforma política, que não pode ficar só na mão dos políticos. Onde está a grande sociedade civil que se mobilizou em torno da campanha das Diretas Já em 1984?
Ei, Kotscho, a reforma política vai para a votação no Congresso, capitaneada por Eduardo Cunha. Mas não é o plano totalitário petista, que só interessa... ao PT. É muito cinismo achar que um projeto do PT "interessa a todos". Interessa só a pessoas intelectualmente desonestas ávidas por dinheiro estatal. É um jogo onde só o PT ganha...
Está na hora de procurarmos interlocutores confiáveis dos dois lados da arena, pois é preciso admitir neste momento que é difícil saber o que é pior, se o governo ou o Congresso, a situação ou a oposição, acabar com esta história de nós contra eles.
Isto é, ele quer acabar com a oposição. Tudo bem que a tática é inovadora: usar chantagem emocional para isso. 
Está na hora de deixar as vaidades e as certezas de lado, olhar para a frente e não pelo retrovisor. Se Obama e Raul Castro conversaram e conseguiram chegar a um acordo entre Estados Unidos e Cuba, por que diabos Lula e FHC, ainda as nossas duas maiores lideranças políticas, não podem pelo menos tentar um diálogo em torno da reforma política, para dar o exemplo? Será necessário chamar o papa Francisco para servir de intermediário, como fizeram Castro e Obama?
Eu não acredito que acabei de ler isso. Será que ele está querendo apelar ao Papa para evitar que a oposição siga agindo como oposição (e olhe que ainda falta muito feijão com arroz para chegarem lá)? Sim, ele está. É muita falta de honra e de dignidade. Alias, qual o motivo para FHC ir conversar com Lula? Pedir para que o PT pare de chamá-lo de "golpista"? Ou que pare de dizer que ele "quebrou o Brasil três vezes"? 
Está na hora de pararmos de tratar adversários como inimigos, da política ao futebol, sermos mais generosos com os que pensam diferente, não dividirmos o mundo entre aliados incondicionais e traidores safados, termos a grandeza de admitir nossos próprios erros, em lugar de só busca-los nos outros.
De novo: enquanto a política, travada como uma guerra, foi útil para o PT vencer as eleições, para Kotscho tudo estava lindo e maravilhoso. Pois foi só a oposição começar a demonstrar um décimo da animosidade do PT para ele pedir "pare, por favor, pare". Lá vamos nós de novo ao exemplo do grupo terrorista cínico...

Chega deste sujeito. 

Vamos ver um pouco o texto de Eduardo Guimarães, intitulado "Guerra política prejudicará a todos 'democraticamente'", publicado no Brasil247.


Comecemos:
A casa de Dilma começou a cair em novembro do ano passado, com manifesto de intelectuais que apoiaram a sua reeleição. Cerca de 30 dias após a presidente se reeleger, esses intelectuais fizeram uma acusação tácita a ela ao pedirem que cumprisse o programa de governo com o qual se apresentara nas urnas. Ou seja, acusaram-na de estelionato eleitoral.
Chega janeiro e Dilma nomeia os ministros Abreu e Levy, desencadeando uma onda de críticas à esquerda que foi aumentando mesmo após semanas das nomeações. Esperta, a mídia antipetista tratou de divulgar fartamente que o próprio PT e sua militância estavam acusando Dilma de estelionato eleitoral, enquanto Aécio dizia a mesma coisa.
A tese do estelionato eleitoral, agora coonestada por boa parte dos próprios correligionários de Dilma e por ex-simpatizantes da candidatura presidencial do PT, tornou-se uma tsunami que engolfou a opinião pública.
Dilma mentiu na campanha. Fato. Não há como negar. Este é o estelionato eleitoral. Pois agora quando as pessoas começam a notar o óbvio (e isso arranha a imagem de Dilma), ele pede que ninguém fale mais nisso. Quer dizer que a verdade é negociável, Seu Guimarães?

Aliás, temos que investir mais e mais na denunciação da coleção de estelionatos eleitorais do PT. 
A boa notícia é a de que, se o governo conseguir impedir que os vaticínios catastrofistas sobre a economia se materializem, sua popularidade irá se recuperar. Se não houver aumento do desemprego e da inflação, a parcela da opinião pública que foi colocada em pânico tende a reverter sua posição política.
A má notícia é a de que tudo o que está acontecendo na política está influindo drasticamente na economia. O tratamento escandaloso que a mídia vem dando à Operação Lava Jato pode obrigar a Justiça a impedir que as empreiteiras acusadas operem as grandes obras em curso no país, o que irá fazer o desemprego explodir. Além disso, investidores, assustados com o quadro político, tendem a se retrair.
Olhem o cinismo desse sujeito. A Lava Jato não é escandalosa. Apenas o tratamento que a mídia dá ao escândalo. Dai, se as empreiteiras não operarem, isso ocorre não por causa do que fizeram, mas pelo tratamento da mídia. Ele está invertendo sordidamente a relação de causa-efeito para inventar que a crise é causada mais pelas acusações do que pelos desmandos que realmente existem no governo. 

Ele simplesmente está transferindo as culpas de Dilma para os opositores, para a PF e para a "mídia golpista". Isto é uma metralhadora de ataques. E notem que ele finge "pedir paz". 
O bombardeio político de Dilma e seu enfraquecimento em sua base de apoio, portanto, podem causar um desastre econômico, fazendo explodir o desemprego e a inflação. Nesse contexto, o país seria tomado pelo caos. Ressurgimento de novas manifestações de rua seria mais do que provável.
Anotem aí mais uma transferência de culpa, ou seja, mais um míssil político teleguiado (para atingir os adversários do PT), mesmo que mais falso que menstruação de travesti. E esse é o sujeitinho dizendo que "precisamos acabar com a guerra política". Ele não faz nada além disso...
Ou seja: a qualquer um que tenha cérebro não interessa continuar pondo lenha na fogueira contra Dilma, seja essa pessoa de direita, de centro, de esquerda, do que for. Contudo, o país vive uma catarse. A política está sabotando a economia e até quem não quer o caos cedeu ao canto da sereia da mídia ou de formadores de opinião independentes.
Puro truque de transferência de culpa. Se a moda pega, os criminosos condenados por crimes violentos não serão mais culpados pelos seus crimes, mas sim seus acusadores que, por arrumarem as evidências de seus crimes, os fizeram ser punidos. Discurso digno de Pravda. Para essa elite da indigência moral e intelectual, os culpados são os que denunciam as barbáries. Não os bárbaros. 

Agora você é culpado pela situação do Brasil. Por que? Por que critica a Dilma. Se parar de criticar, tudo melhora. Ele é ou não é um prodígio da mendacidade?
Na atual situação, só um pacto pela governabilidade e pela defesa dos interesses de TODOS – trabalhadores e empresários, esquerdistas e direitistas – pode evitar uma tragédia econômica que jamais aconteceria sem essa maldita guerra política que vem prejudicando tanto um país que tem tudo para continuar melhorando como vinha fazendo há mais de uma década.
Nesse pacto toda a blogosfera estatal se comprometeria a parar de rotular seus adversários, de transferir a culpa da crise para eles, de lutar para censurar a mídia? Ah, eu já sei a resposta...

Mas, enfim, vocês puderam notar aonde esse pessoal resolveu descer. Kotscho e Guimarães dão o tom de um discurso na linha dos estelionatários políticos da Rússia, fazendo o rabo abanar o cachorro, sempre em luta de poder praticar as piores atrocidades do mundo enquanto posam como bons moços. 

E, pior ainda, usando inversões de causa-efeito e sujeito-objeto para demonizar seus adversários políticos, enquanto fingem estarem "pedindo paz". Só se a campanha de Hitler contra os judeus virasse uma "luta por paz". 

O melhor é dizer a essa escória moral que nenhum crítico, nenhum policial, nenhum jornalista é culpado pela crise que a Dilma criou. E exatamente por ter criado essa crise, de forma deliberada, ela deve ser pressionada por uma oposição que não admita truques sujos como estes tentado por essa duplinha asquerosa. 
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