domingo, 22 de fevereiro de 2015

Funcionária da Petrobrás tenta dar lição de moral em jornalista da Globo. Vamos desconstruir o discurso?


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Luciano Ayan

Michele Daher Vieira (foto no canto superior à direita) é uma funcionária da Petrobrás que ficou indignadíssima com uma reportagem do Globo onde Letícia Fernandes comentou sobre as agruras pelas quais a empresa tem passado depois das investigações da Lava Jato. 

Antes de ver o papelão vergonhoso de Michele, vejamos como conclui a matéria do Globo, intitulada "Petrobrás: nova rotina de medo e tensão na estatal"
Há aqueles que fazem piada do atual momento da empresa. No edifício-sede, construído pela Odebrecht, basta que um funcionário de alto escalão se atrase para começar o burburinho de que ele foi preso.
A rotina de trabalho ficou mais acelerada nos últimos meses. Desde a abertura da CPI mista da Petrobras no Congresso, ano passado, a empresa começou a pressionar as áreas competentes para que enviassem, em poucas horas, dados sobre contratos firmados entre a estatal e as construtoras envolvidas na Lava-Jato. Começou uma corrida interna para descobrir os problemas antes da imprensa e do Ministério Público.
Diante de tantas notícias negativas, surgiu um sentimento de revolta. Funcionários se sentem injustiçados e dizem que são hostilizados por trabalharem na Petrobras. Na última quarta-feira, um grupo da área de comunicação criou a campanha #soupetrobras, para valorizar o funcionário e a empresa. Centenas de pessoas já publicaram fotos nas redes sociais usando a hashtag. Os participantes frisam que não é um movimento institucional.
Ou seja, a matéria diz o que todos nós sabemos. Mas para Michele, a realidade é dolorida. Vamos avaliar agora algumas parte de sua resposta irracional e patética
Fico impressionada com o conteúdo da matéria e não posso deixar de pensar como a Letícia não tem vergonha de a ter escrito e assinado. Com tantas coisas sérias acontecendo em nosso país ela está preocupada com o andar onde fica localizada a máquina que faz o café que nós tomamos e com a marca do papel higiênico que usamos. 
Assim como não posso deixar de pensar como a Michele não tem vergonha de ter escrito um parágrafo tão bocó. Com tantas denúncias relacionadas a Petrobrás, inclusive aquelas afetando a vida de funcionários, ela está preocupada com uma reportagem noticiando reclamações vindas dos próprios funcionários? Em tempo: Michele não fala por todos os funcionários. (Petistas tem essa mania coletivista, achando que ainda enganam os outros)

Agora vem a técnica da imputação de intenções: 
Mas dá para entender o porque disto, fica claro para quem lê o seu texto com um mínimo de senso crítico: o conteúdo é o que menos importa, o negócio do jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia Fernandes serve quando escreve sua matéria.
Isso até parece discurso decorado da blogosfera estatal. Quem já refutou essas bobagens todas ditas por Michele, nem se impressiona mais. É a tradicional transferência de culpa e imputação de intenções nos outros. O objetivo, alias, não é "entregar a Petrobrás" para quem quer que seja. É tirá-la das mãos do PT, pois se a empresa pertence à população brasileira, por que tenho que pagar pela gasolina quando vou abastecer meu carro? Se "o petróleo é nosso", então eu podia mostrar a carteirinha no posto, não? Michele, não tente enganar os outros com frases de efeito. 
Leticia, não te vejo, nem você nem O Globo, se escandalizado com outros casos tão ou mais graves quanto o da Petrobras. 
Vamos ver os escândalos "tão ou mais graves quanto o da Petrobrás":
Por que não leio nas páginas do jornal, onde você trabalha, sobre o escândalo do HSBC?
Já vimos várias nas páginas dos jornais. E o escândalo da Petrobrás tem a ver com o escândalo do HSBC também. 
Por que o silêncio sobre a dívida da sonegação da Globo que é tanto dinheiro, ou mais, do que os partidos “receberam” da corrupção na Petrobras?
A blogosfera estatal diz uma coisa. Mas qual o inquérito? Qual o juiz? Se a Dilma diz que "antes não investigava, agora investiga", cadê a investigação? Michele, Michele... espertinha você não. Mas não passou no crivo.
Por que não é divulgado que as investigações em torno do helicoca foram paralisadas, abafadas e arquivadas, afinal o transporte de quase 500 quilos de cocaína deveria ser um escândalo, não?
Ué, está estranho isso aqui. A Dilma diz que "agora investiga, antes não investigava". Mas neste caso a regra não vale mais? Eu acho que os petistas não estão combinando o jogo antes de vir com esses truques... (Aliás, o Perrela está na base do governo, não da oposição)
E o dinheiro usado para construção de certos aeroportos em fazendas privadas em Minas Gerais?
Mas se as fazendas foram desapropriadas, em favor do estado, não são mais "fazendas privadas". Acho que ela torceu para alguém espirrar ou bocejar enquanto lesse o texto para não perceber o truque. 
E o caso Alstom, por que as delações não valem?
Por que não valem? Quem delatou o recebimento de verba para campanha partidária? Quem recebeu? 
A você, Leticia, te escrevo para dizer que tenho muito orgulho de trabalhar na Petrobras, que farei o que estiver ao meu alcance para que uma empresa suja e golpista como a que você trabalha não atinja seu objetivo. Já você não deve ter tanto orgulho de trabalhar onde trabalha, que além de cercear o trabalho de seus jornalistas determinando “as verdades” que devem publicar, apoiou a Ditadura no Brasil, cresceu e chegou onde está graças a este apoio. 
Acho um pouco ridículo, decadente e até fim-de-feira esse discurso de ficar dizendo "me orgulho de minha empresa, e você não deveria se orgulhar da sua". É jogo de baixo nível. Coisa digna de discurso de Rua Augusta. Uma pena, pois isso é feito para machucar pessoas honestas que trabalham em ambas as empresas. 

Mas já que Michele optou por essa seara, temos que seguir por essas regras. Eu não pago o salário de Letícia, pois é uma empresa privada, mas pago o salário de Michele. Então nesse ponto Letícia já sai na frente. Em termos de "golpismo", a Petrobrás foi usada para um projeto de poder do PT, totalmente totalitário. Ou seja, a empresa de Petrobrás está sendo usada para construir uma ditadura, e não vamos deixar. Novamente, a Petrobrás sai perdendo na comparação, pois a Globo apenas se adaptou à ditadura. Em relação à apoio à ditadura, se a Globo apoiou, a Petrobrás continuou coladinha no regime militar também. Então, neste caso, temos apenas um empate. 

Ah, se a Globo determina a pauta dos jornalistas, os chefes de Michele também determinam as ordens de trabalho dela. Ou ela não segue as ordens dos chefes também? Se ela confessar isso, terá de ser demitida por insubordinação. Pensando bem, esse jogo não é bom para Michele...
Ao contrário da Petrobras, a empresa que você se esforça para denegrir a imagem, que chegou ao seu gigantismo graças a muito trabalho, pesquisa, desenvolvimento de tecnologia própria e trazendo desenvolvimento para todo o Brasil. 
Mentira. A Globo concorreu com outras empresas, enquanto a Petrobrás é uma empresa monopolista. Que méritos existe em chegar "ao topo" sendo que o estado impede a concorrência. O texto de Michelle ofende a inteligência de qualquer pessoa lúcida e honesta. 
Por fim, digo que cada vez fica ainda mais evidente a necessidade de uma democratização da mídia, que proporcionará acesso a uma diversidade de informação maior à população que atualmente é refém de uma mídia que não tem respeito com o seu leitor e manipula a notícia em prol de seus interesses, no qual tudo que publica praticamente não é contestado por não haver outros veículos que o possa contradizer devido à concentração que hoje existe. Para não perder um poder deste tamanho vocês urram contra a reforma, que se faz cada vez mais urgente, dizendo ser censura ou contra a liberdade de imprensa, mas não é nada além de aplicar o que já está escrito na Constituição Federal, sendo a concentração de poder que algumas famílias, como a Marinho detém, totalmente inconstitucional. 
Aha, o discurso em favor da censura de mídia, através da redução de tamanho, feita apenas para tornar as empresas mais vulneráveis à chantagem dos anúncios estatais. Ela se entrega ao falar "para não perder um poder deste tamanho". Porém, a Petrobrás fatura muito mais com a Globo. Logo, precisamos de uma "regulação econômica de empresas de recursos naturais". Que tal, Michele?

Sim, eu já sei a resposta...

E nada contra a Petrobrás. Há pessoas sérias trabalhando por lá. E Michele não representa a Petrobrás, nem aqui nem na China. Uma pena que ela tenha tentado fingir essa representação, ajudando a humilhar ainda mais uma empresa já tão seviciada por um governo bolivariano perverso.
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