sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

FHC sobre absurdos de Dilma: tática do punguista que rouba, é pego e grita "pega ladrão"


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Luciano Ayan

Que evolução em comparação com setembro e outubro de 2014. Na época das eleições presidenciais, o PT fazia ataques e o PSDB recuava. Parecia entrar em ato de contrição. "Catatonia política" é pouco para descrever. 

Por exemplo, quando o PT começou com a palhaçada de "agora investiga, antes não investigava", tivemos um mês de capitalização política do PT. Só na bacia das almas FHC apareceu para responder. Em relação à desconstrução de Armínio Fraga, nada. 

Mas deixemos um pouco o passado de lado. Hoje Dilma voltou com o papo canalha de "agora investiga, antes não investigava". E FHC respondeu em poucas horas. Quem dera se tivesse sido assim na campanha eleitoral! Bem, eu falei que deixaria o passado de lado. 

Enfim, veja a nota de FHC:
Até agora, salvo lamentar o caráter de tsunami que a corrupção tomou no caso do "Petrolão", não adiantei opiniões sobre culpados ou responsáveis, à espera do resultado das investigações e da Justiça. Uma vez que a própria Presidenta entrou na campanha de propaganda defensiva, aceitando a tática infamante da velha anedota do punguista que mete a mão no bolso da vitima, rouba e sai gritando "pega ladrão!" , sou forçado a reagir:

1. O delator a quem a Presidente se referiu foi explícito em suas declaraçoes à Justiça. Disse que a propina recebida antes de 2004 foi obtida em acordo direto entre ele e seu corruptor; somente a partir do governo Lula a corrupção, diz ele, se tornou sistemática. Como alguém sério pode responsabilizar meu governo pela conduta imprópria individual de um funcionário se nenhuma denúncia foi feita na época?

2. do mesmo modo, a delação do empreiteiro da Setal Engenharia reafirma que o cartel só se efetivou a partir do governo Lula.

3. no caso do Petrolão não se trata de desvios de conduta individuais de funcionários da Petrobras, nem são eles, empregados, em sua maioria, os responsáveis. Trata-se de um processo sistemático que envolve os governos da Presidente Dilma (que ademais foi presidente do Conselho de Administração da empresa e Ministro de Minas e Energia) e do ex- presidente Lula. Foram eles ou seus representantes na Petrobras que nomearam os diretores da empresa ora acusados de se conluiarem com empreiteiras e, no caso do PT, com o tesoureiro do partido, com o propósito de desviarem recursos em benefício próprio ou partidários.

4. Diante disso, a Excelentíssima Presidente da República deveria ter mais cuidado e, em vez tentar encobrir suas responsabilidades jogando-as em mim, que nada tenho a ver com o caso, fazer um exame de consciência e assumir que pelo menos foi descuidada ao não recusar a compra da refinaria de Pasadena e aguardar com maior serenidade que se apurem as acusações que pesam sobre o seu governo e de seu antecessor.
E ele ainda teve o senso de humor, ao sugerir que Dilma faça "exame de consciência". Há muitos que duvidam que ela sequer tenha consciência. 
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